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Estudantes com deficiência correm mais risco de evasão escolar, segundo pesquisa

Análise foi elaborada pela Plano CDE, com base em dados de pesquisa Datafolha realizada com pais e/ou responsáveis de alunos da rede pública, a pedido do Itaú Social, Fundação Lemann e BID com apoio do IRM


O fechamento das salas de aula impactou estudantes de todo o país de forma diferente. Durante o ensino remoto, alunos com deficiência não receberam apoio constante e tiveram mais dificuldade para retornar à escola em relação aos seus colegas. 

Esse é um dos resultados da análise encomendada à Plano CDE a partir dos dados das edições da pesquisa “Educação não presencial na perspectiva dos estudantes e suas famílias”, realizada pelo Datafolha com pais e responsáveis por crianças e adolescentes da rede pública, a pedido do Itaú Social, Fundação Lemann e BID (Banco Interamericano de Desenvolvimento) e com apoio do IRM (Instituto Rodrigo Mendes). 

Em dezembro de 2021, o receio da desistência estava presente em 28% dos responsáveis por alunos com deficiência, contra 19% dos demais. Os principais motivos para essa preocupação eram: 

  • 31% não conseguirem acompanhar as atividades;
  • 25% não se sentirem acolhidos na escola;
  • 17% terem perdido o interesse pelo estudo; e
  • 5% precisarem trabalhar.

 “Os estudantes com deficiência foram os que menos acesso tiveram ao ensino remoto. Enfrentam agora enorme insegurança para voltar às aulas presenciais. Consequentemente, são vistos como o público mais propenso a abandonar a escola. Temos a responsabilidade de acolher essas crianças e adolescentes por meio de uma abordagem flexível, pautada por escuta e personalização de estratégias. Os professores do Atendimento Educacional Especializado exercem um papel imprescindível para que as equipes pedagógicas se sintam apoiadas no desafio de eliminar barreiras e promover acessibilidade. Nesse sentido, é notório que a parceria entre os profissionais das escolas e os familiares dos alunos representa um catalisador decisivo para que avancemos no processo de inclusão escolar”, fala o fundador e superintendente do IRM, Rodrigo Hübner Mendes.

Considerando os estudantes que estavam com as escolas reabertas no final do ano passado, 21% dos alunos com deficiência não estavam frequentando as aulas presenciais. Em contrapartida, a relação dos estudantes sem deficiência era de 12%. O estudo aponta dois principais motivos para esse resultado: a criança ou seus familiares fazem parte do grupo de risco (64%) e a falta de profissionais de apoio necessários (20%). 

Recuperação das Aprendizagens
Durante quase dois anos de pandemia, aproximadamente um em cada dez estudantes com deficiência (13%) não teve nenhuma aula com recursos de acessibilidade. Além disso, 29% deles raramente ou nunca receberam materiais pedagógicos. A maioria dos responsáveis (59%) declarou que alunos nunca ou raramente receberam o AEE (Atendimento Especializado Educacional) no turno inverso ao da escola.

“A educação de qualidade no Brasil só será alcançada se todos tiverem o direito ao aprendizado. As famílias de estudantes com deficiência nos mostram que o ensino remoto nos últimos dois anos aprofundou desigualdades que já sofriam antes da pandemia. Por isso, neste ano de retorno das aulas presenciais, equipes de escolas e secretarias de educação precisam de estratégias e apoio para reverter esse cenário, e promover o pleno desenvolvimento integral de cada e toda criança e adolescente”, considera a superintendente do Itaú Social, Angela Dannemann.

Polo lança percurso para apoiar a recuperação das aprendizagens

A pesquisa mostrou que houve maior oferta de apoio psicológico aos estudantes com deficiência (44%) do que aos sem deficiência (34%). No entanto, a maioria dos responsáveis por estudantes com deficiência (59%) entende que os alunos se sentiram despreparados no que se refere ao aprendizado para a volta às aulas presenciais. 

Os entrevistados relataram que 48% dos estudantes com deficiência tiveram dificuldades para manter a rotina de estudos e 32% apresentaram dificuldades no relacionamento com professores e colegas.

“A Fundação Lemann acredita em uma educação de qualidade com equidade, ou seja, que chegue em cada um dos estudantes. Com a retomada das aulas presenciais, é importante focarmos em ações para manter os jovens na escola, sempre com uma atenção individualizada às necessidades de cada aluno, principalmente aqueles mais vulneráveis ou com deficiência, que acabaram atingidos pela pandemia de forma mais cruel”, explica o diretor de Políticas Educacionais na Fundação Lemann, Daniel de Bonis.

A pesquisa
O levantamento foi feito com base na opinião de 1.850 adultos, sendo que 130 deles eram mães, pais e responsáveis por crianças ou jovens com deficiência, além do histórico das últimas três ondas da pesquisa “Educação não presencial na perspectiva dos estudantes e suas famílias”, ocorridas nos meses de maio, setembro e dezembro de 2021.

Saiba mais
Confira as edições anteriores da pesquisa “Educação não presencial na perspectiva dos estudantes e suas famílias”: