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Famílias de 40% dos estudantes da educação básica afirmam que eles correm risco de abandonar a escola por causa da pandemia

Pesquisa realizada pelo Datafolha, encomendada pelo Itaú Social, Fundação Lemann e BID, completa seis edições e traz dados sobre a percepção das famílias durante o período pandêmico


O longo período da pandemia de Covid-19 está preocupando pais e responsáveis dos estudantes brasileiros. 40% acreditam que alunos e alunas não estão evoluindo na aprendizagem, não estão motivados e que isso pode culminar no abandono dos estudos. 

O dado é da sexta onda da pesquisa Educação não presencial na perspectiva dos estudantes e suas famílias, realizada pelo Datafolha a pedido do Itaú Social, Fundação Lemann e BID (Banco Interamericano de Desenvolvimento). As entrevistas foram realizadas entre 22 de abril e 21 de maio de 2021, por meio de abordagem telefônica, com responsáveis por crianças e adolescentes com idades entre 6 e 18 anos da rede pública, em todas as regiões do país.

Os números do levantamento evidenciam as desigualdades históricas, agora aprofundadas pela pandemia. Enquanto 43% dos estudantes negros estão no grupo de risco de abandonar a escola, esse número cai para 35% entre os brancos. Em relação às diferenças socioeconômicas, o problema afeta quase metade dos estudantes das famílias que vivem com apenas um salário mínimo, em contraste com os 31% daquelas com renda entre dois e cinco salários mínimos. O risco é ainda maior nas áreas rurais (51%) do que nas urbanas (39%) e incide mais na região Nordeste (50%) do que na Sul (31%).

Outro ponto relevante da pesquisa diz respeito ao impacto da pandemia na alfabetização. De acordo com os pais e responsáveis, 88% dos estudantes matriculados no 1º, 2º e 3º ano do ensino fundamental estão em “processo de alfabetização”. Dessa proporção, mais da metade (51%) das crianças ficou no mesmo estágio de aprendizado, ou seja, não aprendeu nada de novo (29%) ou desaprendeu o que já sabia (22%), segundo a percepção dos responsáveis. 

Mais uma vez, as desigualdades chamam atenção. No Nordeste, 28% dos familiares disseram que a criança desaprendeu, enquanto no Sul esse percentual é de 17%. A pesquisa mostra ainda que 57% dos estudantes brancos aprenderam coisas novas durante a pandemia na percepção de seus responsáveis, índice que cai para 41% entre os negros.  

“É urgente para o país estabelecer uma estratégia compartilhada, que traga coerência ao processo, com o compromisso de ampliar as oportunidades aos mais vulneráveis, de modo a recuperar o que foi perdido agora e melhorar os resultados educacionais para as próximas gerações”, avalia a gerente de Pesquisa e Desenvolvimento do Itaú Social, Patricia Mota Guedes.

“O efeito de longo prazo da Covid-19 no Brasil será na educação. Uma geração inteira ficará profundamente marcada pela pandemia e o Brasil precisará de múltiplas ações para superar as perdas de aprendizagem. Isso deve ser prioridade para o país”, afirma o diretor executivo da Fundação Lemann, Denis Mizne. 

Reabertura das escolas
Segundo os pais e responsáveis entrevistados, apenas 24% dos estudantes tiveram as escolas reabertas (mesmo que parcialmente), mas na região Norte esse índice é ainda mais baixo, de apenas 6%. Somente 16% dos alunos de baixo nível socioeconômico tiveram escolas reabertas, ante 38% daqueles que estudam em unidades de alto nível socioeconômico.

Outro dado da pesquisa mostra que, entre os estudantes que tiveram a escola reaberta, 40% não foram para a aula presencial. O principal motivo para isso foi algum fator ligado à pandemia. No retorno às escolas, 63% das crianças e adolescentes estão sendo avaliados para identificar as suas dificuldades, mas só 29% estão recebendo aulas de reforço.

Entre os estudantes que têm aulas a partir de casa, a dificuldade de manter a rotina aumentou de 58% em maio de 2020, para 69% um ano depois. O aumento ocorreu em todos os ciclos, sendo mais expressivo entre as crianças dos anos iniciais (1º ao 5º ano do ensino fundamental) e da região Nordeste (que passou de 58% para 74%).

Aprendizado
A pesquisa identificou que 96% dos estudantes receberam algum tipo de atividade escolar neste ano, mas isso não se reflete necessariamente na percepção dos responsáveis sobre o desempenho. Para 86% dos pais e responsáveis, o desempenho escolar dos seus filhos antes da pandemia era ótimo ou bom e agora este índice caiu para 59%, uma diferença de 27 pontos percentuais. O baixo desempenho escolar é a principal preocupação deles no caso de alunos que não estão em processo de alfabetização.

A pesquisa
A pesquisa Educação não presencial na perspectiva dos estudantes e suas famílias foi realizada em seis edições, entre maio de 2020 e maio de 2021. Durante este período, registrou toda evolução de diversos indicadores da educação remota no Brasil, considerando as especificidades de cada etapa escolar, nível socioeconômico e regionalidade. 

“Em um ano de acompanhamento, os dados mostram esforços importantes das redes públicas para oferta do ensino remoto. Entretanto, as desigualdades em relação à qualidade dessa oferta se acentuaram, assim como os riscos de abandono escolar”, explica Patricia. 

Saiba mais
Confira as edições anteriores da pesquisa Educação não presencial na perspectiva dos estudantes e suas famílias: