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Alunos sentem mais dificuldades para manter rotina de estudos no decorrer da pandemia


É o que indica a terceira edição da série de pesquisas da Datafolha, encomendada pelo Itaú Social, Fundação Lemann e Imaginable Futures

A terceira pesquisa da série “Educação Não Presencial na Perspectiva dos Estudantes e suas Famílias”, realizada pelo Datafolha, apontou que os alunos estão tendo mais dificuldades para manter sua rotina de estudos. O percentual, que era de 58% em maio, passou a  67% em julho. Segundo a percepção do pais ou responsáveis, 77% deles estão tristes, ansiosos, irritados ou sobrecarregados na pandemia.

A série foi encomendada pelo Itaú Social, Fundação Lemann e Imaginable Futures e teve início em maio. A última onda registrou entrevistas com 1.056 pais ou responsáveis por 1.556 estudantes de escolas públicas, entre os dias 7 e 15 de julho.

Os resultados mostram que, de maio a julho, as redes públicas continuaram buscando alternativas de atividades escolares não-presenciais para os seus estudantes, passando de 74% para 82% os alunos com acesso a algum conteúdo pedagógico.

“Há um grande esforço das redes públicas de ensino, professores e famílias para mitigar os efeitos da suspensão das aulas presenciais por meio do ensino remoto. Mesmo com todas as dificuldades de recursos, conectividade e planejamento, todos têm se dedicado para garantir que os alunos evoluam em 2020”, avalia a superintendente do Itaú Social, Angela Dannemann.

Dificuldades

Aumentou o percentual de alunos cujos pais temem que desistam da escola por não estar acompanhando as atividades: de 31% em maio e junho, para 38% em julho. Este índice é maior para o ciclo dos Anos Finais (43%). A desmotivação também está maior, passando de 46% para 51% ao longo dos meses.

Segundo a percepção dos pais, 64% dos estudantes estão ansiosos. Passou de 45% para 48%, entre junho e julho, os que estão mais irritados, e de 36% para 41% os que se sentem tristes. E 27% dizem estar sobrecarregados. A ampla maioria (90%) declara que os alunos têm saudades dos professores e 56% mantêm contato com colegas da escola.

“A ansiedade está ligada, muitas vezes, à falta de perspectiva com o término da pandemia. A escola tem a possibilidade de reduzir esse sentimento ao intensificar o contato com a família e os alunos informando sobre os próximos passos, dando dicas de estudos em casa”, diz o diretor executivo da Fundação Lemann, Denis Mizne.

Segmentação

Nesta pesquisa foi feita uma segmentação por perfil de estudantes, tendo como base os resultados dos três estudos Datafolha, que analisou as variáveis sobre a rotina de estudos e dividiu os alunos em quatro grupos, que receberam algum tipo de atividade para fazer em casa. São eles:

  • ‘Adaptados’ e ‘Superadores’ – 40% dessa amostra – são aqueles mais adaptados ao modelo de estudo na pandemia;
  • ‘Resilientes’ e ‘Em Risco’ – 60% da amostra – estão desmotivados e com dificuldade em manter a rotina.

 

 

Houve um aumento pouco expressivo entre os adaptados (de 19% para 22%) ao longo dos meses, porém ocorreu redução significativa de 32% para 17% entre os superadores. O mesmo ocorreu entre os mais desmotivados: os resilientes tiveram aumento de 23% para 26%, enquanto os estudantes em risco subiram de 26% para 35%, no período de maio a julho.

Entre os estudantes em risco, o maior percentual encontra-se nos Anos Finais (39%) e entre os que têm pais e responsáveis menos escolarizados (41% cursaram até o Ensino Fundamental). Já os mais adaptados estão no Ensino Médio (26%).

Por região, os adaptados estão mais presentes, proporcionalmente, no Sul (29%) e Nordeste (28%), enquanto no Sudeste há maior presença de alunos em risco (39%) do que nas demais regiões. No Centro-Oeste, destaca-se o índice acima da média de resilientes (32%).

Nas regiões metropolitanas, 19% estão adaptados, 30% são resilientes, 19% são superadores e 33% estão em risco. Nos municípios do interior, 24% estão adaptados, outros 24% são resilientes, 16% são superadores e 36% fazem parte do grupo em risco.

Na parcela de estudantes que estão em risco, 37% são negros e 32%, brancos. A taxa de adaptados fica no mesmo patamar (21% entre negros, 22% entre brancos) e há pequena diferença na taxa de resilientes (25% e 29%, respectivamente).

Retomada das aulas presenciais

O modelo híbrido é considerado por 92% dos pais e responsáveis uma alternativa para que os estudantes não percam o ano escolar. Ou seja, os estudantes continuariam tendo atividades pedagógicas em casa e na escola.

Para 86%, o ano letivo de 2020 deveria continuar até 2021 para que os alunos aprendam, com reforço escolar, o que não aprenderam durante a pandemia. Assim, não haverá reprovação. Os responsáveis por 76% dos estudantes também acreditam valer a pena ter aulas aos sábados, 74% defendem aulas em dias alternados e 73% gostariam que houvesse mais horas de aula por dia para os alunos não perderem o ano letivo de 2020.

Série

A série foi encomendada com o objetivo de traçar um panorama da educação pública na pandemia sob o ponto de vista dos pais e responsáveis e dos seus estudantes. A primeira foi divulgada em junho e a segunda em julho.