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Polo de desenvolvimento educacional

Nova pesquisa Datafolha aponta aumento da oferta de atividades não presenciais, mas preocupação com evasão persiste

Levantamento tem o objetivo de fornecer às redes públicas de ensino dados e evidências que ajudem no planejamento de ações na pandemia e na volta às aulas

As redes públicas de ensino do país têm se mobilizado para que os estudantes continuem o ano letivo mesmo durante a pandemia. De acordo com a segunda onda da pesquisa Educação Não Presencial na Perspectiva dos Estudantes e suas Famílias, passou de 74% para 79% o percentual de alunos que recebem algum tipo de atividade pedagógica não presencial no período de isolamento social.

A pesquisa foi realizada entre os dias 11 e 20 de junho pelo Datafolha a pedido do Itaú Social, Fundação Lemann e Imaginable Futures. Foram entrevistados, por telefone, 1.018 pais ou responsáveis por 1.518 estudantes de escolas públicas municipais e estaduais, com idade entre 6 e 18 anos, dos Ensinos Fundamental e Médio. O objetivo é fornecer às redes públicas de ensino dados e evidências que ajudem no planejamento de ações na pandemia e na volta às aulas.

Comparada à primeira onda da pesquisa, realizada entre os dias 18 e 29 de maio, o percentual cresceu mais nas regiões Norte (8 pontos porcentuais) e Nordeste (9 pontos), localidades que ainda apresentam os resultados mais baixos do país, com 60% e 70% de oferta de atividades não presenciais, respectivamente. Os maiores índices estão no Sul (93%), Sudeste (87%) e Centro-Oeste (85%).

Apesar do aumento de 5% na oferta de atividades não presenciais, a pesquisa aponta que as famílias continuam preocupadas com a possibilidade dos alunos abandonarem os estudos. A percepção de risco de evasão escolar por pais e responsáveis se manteve em 31%, mesmo patamar do levantamento anterior, realizado em maio. Entre as famílias que têm três ou mais estudantes em casa, este índice é de 38%.

O medo da evasão é agravado pelo aumento da percepção da falta de motivação dos estudantes para as atividades em casa, que passou de 46% para 53%; e da dificuldade na rotina das atividades, que subiu de 58% para 61%. Nas famílias com três ou mais estudantes em casa, esse índice chega a 67%.

“Nota-se o esforço das redes de ensino em ampliar a oferta das atividades de maneira abrangente. Mas ressaltamos a importância de um olhar com equidade e integrado com as famílias, que estão se desdobrando para acompanhar os estudantes”, afirma a gerente de Pesquisa e Desenvolvimento do Itaú Social, Patricia Mota Guedes.

Em relação ao aspecto psicológico, 64% dos pais ou responsáveis afirmaram que os estudantes estão ansiosos, 45% estão irritados, 37% tristes e 23% com medo do retorno à escola. A percepção aumenta quando há maior número de estudantes na casa. Nas residências com três ou mais alunos, 72% estão ansiosos, 63% irritados, 50% tristes e 34% com medo de voltar à escola.

Vínculo com o professor

A pesquisa aponta que a proximidade com o professor pode estimular os estudantes a desenvolverem as atividades não presenciais. Quando os alunos têm contato frequente com o docente, 31% dedicam mais de três horas por dia aos estudos. Já entre os que a frequência é menor, apenas 26% têm a mesma dedicação. De maneira geral, 82% se dedicam mais de uma hora por dia.

Apesar das dificuldades, metade dos responsáveis considera que os estudantes estão evoluindo no aprendizado com as atividades escolares em casa. O índice é mais alto em relação aos alunos dos anos iniciais.

“É importante que as redes de ensino reforcem os laços dos estudantes com a escola, mesmo à distância. O papel do professor na manutenção desse vínculo se mostrou fundamental. Em meio a tantos desafios, é preciso uma atenção especial à saúde mental e física dos profissionais”, aponta o diretor de políticas educacionais da Fundação Lemann, Daniel de Bonis.

Volta às aulas

A pesquisa apontou que a maioria dos responsáveis (89%) acredita que o retorno às escolas deve seguir um modelo de aulas presenciais conciliadas com as atividades em casa.  Para não perder o ano letivo de 2020, 73% defendem aulas aos sábados, 72% acham que é preciso prorrogar o ano letivo para 2021 e 68% defendem mais horas de aula por dia. Como medida de prevenção, 63% citam que as aulas em dias alternados pode ser um caminho.

O medo da contaminação pelo novo coronavírus no retorno às aulas presenciais é uma preocupação para 87% dos responsáveis, enquanto 49% temem que os estudantes não acompanhem o volume de atividades e 43% receiam que não sigam o ritmo das aulas. Entre os mais pobres, os índices são de 60% e 53%, respectivamente.