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Maioria dos pais e responsáveis acredita que pandemia prejudicou aprendizado dos estudantes, segundo pesquisa

Encomendado pelo Itaú Social, Fundação Lemann e Imaginable Futures, levantamento chega à quinta onda e mostra percepção dos pais em relação ao ensino remoto


Prestes a completar quase um ano de fechamento das escolas como medida preventiva contra o coronavírus, os pais e responsáveis dos estudantes brasileiros estão em alerta. Para eles, se as aulas continuarem apenas de forma remota, as crianças da pré-escola terão o seu desenvolvimento comprometido (65%), enquanto aquelas dos anos iniciais do Ensino Fundamental terão um atraso em seu processo de alfabetização e isso irá prejudicar seu aprendizado (69%).

Em relação aos adolescentes, a percepção é a de que tenham problemas emocionais por causa do isolamento (58%) e que os alunos do Ensino Médio correm o risco de desistir dos estudos (58%).

É o que aponta a quinta onda da pesquisa Educação Não Presencial na Perspectiva dos Estudantes e suas Famílias, realizada pelo Datafolha e encomendada pelo Itaú Social, Fundação Lemann e Imaginable Futures. Foram entrevistados 1.015 pais ou responsáveis de estudantes das redes públicas municipais e estaduais, com idade entre 6 e 18 anos, no período de 16 de novembro a 2 de dezembro de 2020.

De acordo com a pesquisa, os prejuízos decorrentes da falta de aula presencial podem ser ainda maiores para os estudantes socialmente vulneráveis. Para 80% dos pais e responsáveis, eles correm o risco de ficar para trás por terem mais dificuldades para estudar em casa. A taxa dos que temem que seus filhos desistam da escola chegou a 35%. A diminuição da renda familiar é outro ponto de atenção: na pandemia, a renda diminuiu para 47% dos entrevistados.

Aulas presenciais

O reconhecimento da importância da retomada das aulas presenciais traz, em contrapartida, a insegurança e o temor sobre o contágio da Covid-19. Apenas 19% dos pais ou responsáveis disseram que ‘confiam muito’ na capacidade da escola de se adequar aos protocolos de segurança sanitária na reabertura. E 43% deles não confiam na capacidade dos alunos de se adequarem às normas sanitárias, índice que era de 24% em setembro.

Para o diretor executivo da Fundação Lemann, Denis Mizne, uma boa comunicação das escolas com pais, responsáveis e alunos pode fazer diferença para orientar e criar uma relação de confiança. “É um período de insegurança natural devido ao cenário de pandemia, mas também é uma oportunidade para estreitar e fortalecer o contato com as famílias, que veem agora com mais clareza a importância da escola no desenvolvimento das crianças e dos adolescentes”, diz.

Segundo Patricia Mota Guedes, são necessárias a elaboração de propostas pedagógicas que ajudem na motivação dos estudantes e na recuperação das perdas de aprendizagem. “É também urgente a construção de um planejamento coordenado de retomada das aulas com protocolos bem estabelecidos, com forte diálogo junto às equipes escolares e muito apoio aos professores, sob pena dos prejuízos à educação e à garantia de direitos de crianças e adolescentes se prolongarem por um extenso período.”

Confira o percurso Educação na Pandemia, disponível no Polo, para apoiar neste período

Aprendizado

Para 79% dos pais, as escolas deram apoio durante o período sem aulas presenciais, principalmente nos anos iniciais do Ensino Fundamental (87%). O suporte consistiu em professores disponíveis para tirar dúvidas dos responsáveis, orientações gerais sobre como apoiar os estudantes para fazerem as atividades e sugestões para motivá-los a participar.

As atividades a distância possibilitaram aos alunos o desenvolvimento de algumas competências. Na percepção dos pais, foram desenvolvidas habilidades como uso da tecnologia para estudar e aprender, persistência diante das dificuldades, assim como maior autonomia em pesquisa e ampliação do conhecimento.

Os pais e responsáveis também tiveram um aprendizado neste ano de aulas em casa. Dos entrevistados, 50% destacam como aspectos mais importantes acompanhar e apoiar os estudantes na aprendizagem; 35%, estar aberto a diferentes dinâmicas e tendências de ensino; e 29%, estar em contato com os professores e com a direção da escola, além de estabelecer e acompanhar rotinas de estudos.

No entanto, houve dificuldades dos estudantes para organizar as rotinas de estudo, além de capacidade de adaptação e flexibilidade. O índice dos que percebem dificuldade em manter uma rotina das atividades em casa alcançou 69%. Nos anos iniciais do Ensino Fundamental, chega a 72%.

A motivação é um fator crítico para o engajamento e observa-se um processo de desmotivação desde maio de 2020, quando ocorreu a primeira edição da série de cinco pesquisas realizadas até agora pelo Datafolha. Enquanto em maio 46% dos estudantes estavam desmotivados, em novembro o percentual é de 55%.

Deve-se considerar que houve um incremento no índice de alunos que receberam atividades por equipamentos e material impresso, de 34% para 63% no período de maio a novembro de 2020. No entanto, cai o tempo dedicado para as atividades.

Quinta onda

Em um período de sete meses (maio a novembro) foram realizadas cinco pesquisas pelo Datafolha. O objetivo geral dos levantamentos é verificar se os estudantes dos ciclos Fundamental e Médio de escolas públicas estão recebendo conteúdos, acessando-os e realizando as atividades propostas durante a pandemia, além de mapear as dificuldades de aprendizado on-line, rotinas e motivação. As pesquisas anteriores foram em maio, junho, julho e setembro.

Em um período letivo tão atípico, uma questão é fundamental: evitar a evasão escolar. A pesquisa segmentou os estudantes em quatro categorias: ‘Adaptados’, ‘Superadores’, ‘Resilientes’ e ‘Em risco’. Considerando os dados apurados de maio a novembro, observa-se que o grupo dos estudantes ‘Em risco’ mantém-se estável em cerca de um terço, similar ao grupo dos ‘Resilientes’. Quando perguntados qual a expectativa para 2021, 34% afirmam estar otimistas, enquanto 36% estão razoavelmente otimistas.     

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