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Estudantes estão mais motivados com retorno das aulas presenciais, aponta pesquisa Datafolha

Estudo encomendado pelo Itaú Social, Fundação Lemann e BID mostrou relação entre motivação e reabertura das escolas. Professores estão sendo mais valorizados


A reabertura das escolas públicas já está refletindo positivamente na disposição dos estudantes. Segundo pais e responsáveis, 87% dos que estão frequentando aulas presenciais sentem-se mais animados, 80% mais otimistas e 85% mais interessados pelos estudos. 

É o que aponta os dados da sétima onda da pesquisa “Educação não presencial na perspectiva dos estudantes e suas famílias”, realizada pelo Datafolha, a pedido do Itaú Social, Fundação Lemann e BID (Banco Interamericano de Desenvolvimento).

A volta às aulas presenciais também impactou na motivação. Apesar do sentimento de desmotivação ser predominante (51%), ele ainda é menor do que para aqueles que não voltaram para as escolas (58%). O temor em desistir dos estudos também é menor entre os alunos que já retornaram (38% versus 48%).

Outro dado positivo é a percepção dos pais e responsáveis em relação ao aumento da aprendizagem dos estudantes que tiveram a escola reaberta (56%) e aqueles que continuam nas atividades remotas (41%). Por outro lado, 39% acreditam que os alunos se sentem despreparados em relação ao aprendizado e 19% estão com dificuldades no relacionamento com professores ou colegas. 

A etapa qualitativa da pesquisa, realizada pela Rede Conhecimento Social por meio de grupos de discussão com as famílias, confirmou oestado de apreensão tanto com a defasagem de determinados conteúdos quanto com o possível desinteresse dos estudantes. Os participantes acreditam ainda que o apoio dos governos e das instituições de ensino é relevante neste momento e que é preciso definir com urgência o modelo que será adotado nas escolas, propor um cronograma e um planejamento de atividades.

“Atenuar as marcas deixadas pela pandemia na educação exigirá um aprofundado ainda maior do debate sobre formato, currículo, habilidades prioritárias e investimentos para o retorno. Os alunos precisam ter a chance de recuperar a aprendizagem de forma efetiva e com equidade, considerando todas as perdas que os grupos mais vulneráveis passaram”, avalia a superintendente do Itaú Social, Angela Dannemann. 

Recuperação de aprendizagem
Na retomada, 73% dos pais e responsáveis consideram a recuperação da aprendizagem o principal motivo para o retorno às aulas presenciais e 22% disseram que a maior motivação é conviver e interagir com professores e colegas. A etapa qualitativa da pesquisa demonstrou uma importante relação entre a recuperação da aprendizagem e fatores socioemocionais, como ilustra um dos depoimentos coletados: “Meu filho vai para o 1º ano do Médio e está muito preocupado. Ele não conseguiu assimilar muita coisa, ele fica preocupado, não dorme direito. Fica ansioso.”

Ainda de acordo com os responsáveis, 68% dos estudantes de escolas que reabriram estão sendo avaliados no retorno às atividades presenciais para reconhecimento das  dificuldades, mas apenas 36% estão recebendo aulas de reforço. A maioria também afirma que vem tendo apoio das escolas, com destaque para famílias de alunos dos anos iniciais do Fundamental 1.

Para 88% dos responsáveis, os estudantes estão seguros no retorno às aulas presenciais, sendo a soma de 36% que consideram muito seguro e 52% um pouco seguro. A pesquisa também mostra que existe oportunidade de melhorar este retorno, já que para 51% dos pais e responsáveis a escola está menos próxima da família após a interrupção das aulas presenciais, com índices mais altos nos anos finais do Fundamental 2 (56%) e no Ensino Médio (55%).

“Os resultados demonstram o quão importante e urgente é a retomada das atividades presenciais nas escolas. Também apontam para a necessidade de um esforço conjunto da sociedade para recuperar a confiança e a autoestima dos estudantes, para que eles permaneçam na escola e possam recuperar mais rapidamente as defasagens no aprendizado geradas pela pandemia”, explica o diretor de Políticas Educacionais da Fundação Lemann, Daniel de Bonis.

Alfabetização 
A pandemia impactou o aprendizado de todos os estudantes, mas aqueles em processo de alfabetização do 1º, 2º e 3º anos foram especialmente afetados. De acordo com a pesquisa Datafolha, 74% dos pais e responsáveis responderam que o que mais ajudaria na evolução do processo de aprendizagem na volta às aulas presenciais é a presença do professor, enquanto apenas 8% consideram a companhia de outras crianças. 

A dificuldade para ler e escrever é uma preocupação de 35% dos pais e responsáveis, 26% consideram não aprender o conteúdo adequado para a etapa de ensino e 21% temem que os estudantes não tenham base suficiente para passar para os próximos anos escolares. 

Professores
O estudo mostrou ainda que os esforços dos professores da rede pública do Brasil em promover uma educação de qualidade durante as aulas remotas melhoraram a percepção das famílias dos estudantes quanto à profissão docente. 89% dos responsáveis reconhecem que eles têm um trabalho mais desafiador do que acreditavam antes da pandemia. O mesmo índice acredita que, para dar aulas, é preciso mais preparo do que imaginavam. 

Mesmo com as aulas remotas, 67% dos responsáveis sentem que os professores são mais respeitados pelos alunos do que antes da pandemia. São eles também a principal ponte entre escola e família. O estudo mostra que 73% das famílias afirmam que o principal apoio no retorno às aulas presenciais vem do contato com os docentes, que estão disponíveis para sanar as dúvidas.

Para 35% das famílias, ter professores disponíveis para sanar as dúvidas é a iniciativa mais importante entre as oferecidas pela escola, ficando à frente de ações como reuniões com a equipe escolar (19%), orientações gerais da escola sobre como apoiar os estudantes na volta das atividades presenciais (12%), informações sobre o aprendizado ou dificuldades dos estudantes (9%), orientações sobre os conteúdos que serão repassados ou revistos (8%), ou grupos de pais ou responsáveis para trocar ideias e experiências (5%).

A pesquisa
As entrevistas foram realizadas entre os dias 13 de agosto e 16 de setembro de 2021, com abordagem telefônica, com 1.301 responsáveis que responderam por um total de 1.846 crianças e adolescentes com idades entre 6 e 18 anos da rede pública, em todas as regiões do país. A etapa qualitativa foi realizada pela Rede Conhecimento Social,  entre 26 e 28 de julho, por meio de Grupos de Discussão (GDs) on-line, realizados por plataforma digital.

Saiba mais
Confira as edições anteriores da pesquisa Educação não presencial na perspectiva dos estudantes e suas famílias: