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Aulas de reforço e apoio psicológico são oferecidos para menos da metade dos estudantes, revela pesquisa

Estudo encomendado pelo Itaú Social, Fundação Lemann e BID foi realizado com mães, pais e responsáveis por estudantes da rede pública de ensino


A maioria dos estudantes (94%) estudam em escolas públicas que tem feito algum tipo de ação para enfrentar os desafios deixados pela pandemia de Covid-19. No entanto, o apoio psicológico (40%) e as aulas de reforço (39%) são oferecidos para menos da metade dos estudantes, enquanto que a maior parte das iniciativas ofertadas aos estudantes envolvem jogos lúdicos e brincadeiras (78%), relação com a família (74%), aplicação de avaliações (70%) e acompanhamento do estudante (58%).

Esse é o resultado da nona onda da pesquisa “Educação na perspectiva dos estudantes e suas famílias”, realizada pelo Datafolha, a pedido de Itaú Social, Fundação Lemann e BID (Banco Interamericano de Desenvolvimento).

“O retorno às aulas presenciais por si só foi muito positivo para a educação das crianças e adolescentes, porém, não basta. As próprias famílias, em outra edição dessa pesquisa, consideraram as aulas de reforço prioridade e hoje vemos que menos da metade tem acesso. É necessário desenvolver estratégias para que todos os estudantes permaneçam na escola e se desenvolvam plenamente”, explica a superintendente do Itaú Social, Angela Dannemann.

De acordo com a superintendente, as redes de ensino estão sendo eficientes na busca ativa, haja visto que 74% dos responsáveis afirmaram que a escola está entrando em contato com as famílias quando um estudante falta. “Porém, considerando que 21% dos estudantes podem desistir das aulas e alunos negros correm maior risco (22% em comparação com 17% dos brancos), as escolas precisam de todo o apoio para implementar estratégias de acolhimento, recuperação de aprendizado e suporte psicológico”, complementa.  

As aulas de reforço são ainda mais valorizadas pelos pais e responsáveis de crianças e adolescentes negros (74%) e para os de família com renda mensal de até um salário mínimo (75%), esses percentuais caem para 63% entre estudantes brancos e 52% dos de famílias com renda mensal de mais de cinco salários mínimos.

Segundo as famílias, 24% dos estudantes realizam atividades extracurriculares fora do ambiente escolar para ajudar no seu desenvolvimento e nos desafios da retomada. Destes, 14% realizam atividades gratuitas. Entre os alunos que não têm atividade extra, a maioria (63%) gostaria de ter.

A pesquisa também mostrou o risco de 21% dos estudantes desistirem da escola, o percentual atinge 28% entre adolescentes matriculados no Ensino Médio. A perda pelo interesse nos estudos é o principal motivo para esta preocupação (32%), sobretudo nos anos finais do Ensino Fundamental (37%). Outro destaque é que a falta de acolhimento, como razão para a preocupação dos pais com abandono e evasão, subiu entre dezembro de 2021 e maio de 2022, saindo de 15% para 23%.

Como resposta a esse desafio, o estudo mostrou alguns caminhos apontados pelos entrevistados, como oferecer auxílios ou bolsas vinculadas à presença ou à participação do aluno nas atividades escolares. Segundo a pesquisa, essa estratégia é utilizada com 14% das famílias de estudantes da rede pública.

Apoio psicológico
A maioria dos estudantes (94%) estudam em escolas públicas que oferecem apoio psicológico para os estudantes, segundo os entrevistados. No entanto, o percentual cai para 34% quando analisados apenas estudantes matriculados no Ensino Médio. Na avaliação de 74% de mães, pais e responsáveis, o apoio psicológico contribui muito para os estudantes.

O levantamento mostrou ainda que 34% dos estudantes estão tendo dificuldades para controlar as suas emoções, já para alunos no Ensino Médio, esse número sobe para 40%. Além disso, 24% dos alunos estão se sentindo sobrecarregados e 18% estão tristes ou deprimidos.

“Essa nova rodada da pesquisa com pais e responsáveis mostra que a reabertura das escolas foi essencial para quebrar uma tendência crescente de desmotivação e desalento dos alunos com os estudos. Apesar disso, os desafios pela frente ainda são enormes: ainda não estamos fazendo o suficiente para garantir a saúde mental dos estudantes e o seu engajamento com as aulas, que são condições necessárias para que eles recuperem as perdas de aprendizado da pandemia e progridam na sua trajetória escolar”, analisa o diretor de Conhecimento, Dados e Pesquisa da Fundação Lemann, Daniel De Bonis.

Alfabetização
Na fase de alfabetização de crianças, compreendida entre o 1º e o 3º ano do Ensino Fundamental, apenas 6% das crianças tiveram aulas presenciais. Na opinião dos responsáveis, realizar as atividades de maneira remota prejudicou muito cerca de metade dos alunos nesta etapa (47%). O prejuízo foi maior para aqueles com renda familiar de até um salário mínimo (50%), revela o estudo.

Anos Finais do Ensino Fundamental
Desafios antigos, mas que foram agravados durante a pandemia. Cerca de metade (47%) tem dificuldade em se adaptar à rotina de ter mais professores. Segundo os responsáveis, 16%  dos estudantes nessa etapa (do 6º ao 9º ano) apresentaram dificuldades em relação ao comportamento após o período de retomada presencial da escola.

“Os anos finais sempre foram uma etapa desafiadora, no Brasil e no mundo. É quando os estudantes enfrentam grandes mudanças físicas, emocionais e comportamentais típicas da transição entre a infância e a adolescência. Por isso, é urgente que as políticas públicas priorizem educação integral, revejam a contratação e o volume do trabalho dos professores, busquem maior protagonismo dos estudantes e oportunizem a implementação de projetos que realmente os engajem, visando melhorar os índices de aprendizagem e permanência desse público”, considera Angela Dannemann.

Ensino Médio
A mudança trazida com a pandemia se somou à implementação do novo ensino médio em algumas escolas a partir desse ano. O estudo revelou que a reforma nesse ciclo é desconhecida para quatro a cada dez famílias (42%), especialmente para os responsáveis menos escolarizados (60%).

Protocolos sanitários
A pesquisa ainda mostrou que não há um padrão nacional em relação aos protocolos sanitários nas escolas dos estudantes. 31% dos responsáveis declararam que as aulas dos estudantes são interrompidas quando são identificados casos da doença, sendo que esse número é maior entre famílias de estudantes matriculados em escolas de baixo nível socioeconômico (46%).

A pesquisa
O estudo é o resultado de uma série histórica que vem sendo publicada desde maio de 2020, sendo que essa é a primeira pesquisa realizada após o retorno das atividades presenciais em quase todas as escolas públicas do país. Foram ouvidos 1.308 responsáveis por 1.869 estudantes entre os dias 06 e 27 de maio de 2022. As entrevistas ocorreram por telefone mediante aplicação de questionário estruturado.

Saiba mais
Confira as edições anteriores da pesquisa “Educação não presencial na perspectiva dos estudantes e suas famílias”:

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