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Famílias afirmam que estudantes estão evoluindo na aprendizagem nas aulas presenciais e consideram prioridade reforço escolar

Pesquisa encomendada pelo Itaú Social, Fundação Lemann e BID mostra como a volta das aulas presenciais já impacta a educação de crianças e adolescentes


O retorno das aulas presenciais já mostra sinais positivos para a educação de crianças e adolescentes. Segundo mães, pais e responsáveis, 83% dos estudantes que retornaram para as atividades presenciais estão evoluindo no aprendizado. Porém, 28% identificam necessidade de promoção de programas de reforço e recuperação de aprendizagem. 

Os dados são da oitava onda da pesquisa Educação não presencial na perspectiva dos estudantes e suas famílias, realizada em dezembro de 2021 pelo Datafolha, em todo o Brasil, a pedido do Itaú Social, da Fundação Lemann e do BID (Banco Interamericano de Desenvolvimento). Para o estudo, foram ouvidos 1.306 pais e responsáveis por 1.850 alunos.

Os estudantes também estão mais empolgados com a volta à sala de aula. Segundo os entrevistados, 86% estão mais animados com aulas; 80% mais otimistas com o futuro; 84% mais independentes para realizar as tarefas e 77% mais interessados nos estudos; quando comparado àqueles que continuavam no ensino remoto (respectivamente 74%, 72%, 72% e 60%).

Porém, a boa notícia não põe fim à preocupação com as lacunas de aprendizagem deixadas pelo fechamento das escolas ao longo da pandemia da Covid-19. Ao questionar sobre quais matérias será preciso mais apoio, a maioria dos estudantes precisará em: matemática (71%), língua portuguesa (70%), ciências (62%) e história (60%).

“Além das aulas de reforço, é preciso olhar como os estudantes estão inseridos em um cenário mais amplo, que envolve desde a diminuição de renda e segurança alimentar das famílias até os aspectos emocionais. A articulação entre os entes federativos e a colaboração da sociedade civil é fundamental para não deixarmos ninguém para trás”, afirma a superintendente do Itaú Social, Angela Dannemann.

Segundo a pesquisa, em dezembro, dois em cada dez estudantes corriam o risco de abandonar a escola, na percepção de pais e responsáveis. Dentre os motivos mais citados para o medo da desistência estão o fato de o estudante ter perdido o interesse pelos estudos (29%) e não estar conseguindo acompanhar as atividades (29%) por conta da pandemia. Outros 15% citaram falta de acolhimento e 12% a necessidade de trabalhar para ajudar a família. Esse último resultado é maior entre os alunos de ensino médio (21%), que também são os mais impactados pela falta de interesse (38%).

Os dados também mostram que estudantes negros se sentem menos amparados do que os brancos. Enquanto que 9% dos alunos brancos citam a falta de acolhimento como justificativa para desistir da escola, para os estudantes negros o índice chega a 19%.

“A pesquisa mostra o quanto a reabertura das escolas é importante: os alunos estão mais motivados, enquanto os pais já veem o aprendizado sendo retomado. O importante é seguir nesse caminho, garantindo que os conteúdos que ficaram para trás sejam gradualmente recuperados, com uma atenção individualizada às necessidades de cada aluno – especialmente os mais vulneráveis, que foram os mais afetados pela pandemia”, explica o diretor de Políticas Educacionais na Fundação Lemann, Daniel de Bonis.

Envolvimento da família
O ensino remoto transformou a relação das famílias com a educação formal dos estudantes. Um em cada quatro entrevistados afirmam que a colaboração da família foi o que mais contribuiu para o aprendizado longe da sala de aula. E, para maioria absoluta (99%), o envolvimento dos professores na vida das crianças e jovens foi importante.

Mesmo com o retorno das aulas presenciais, 96% dos responsáveis declararam que gostariam de continuar mais próximos dos estudantes em seu processo de aprendizagem, seja acompanhando os estudos mais de perto (48%), conversando mais sobre as atividades escolares (18%), tendo mais contato com os professores (12%), estando mais atento à motivação com os estudos (11%) ou ficando mais próximo da escola (7%).

Desigualdades de acesso ao ensino presencial
A pesquisa mostra que, em dezembro, 88% dos estudantes tiveram as escolas reabertas mesmo que parcialmente, mas aponta para grande desigualdade nesse processo entre as regiões do país: no Nordeste, o índice foi de 77%, enquanto no Sudeste foi de 97%, o que representa uma diferença de 20 pontos percentuais.

Além da desigualdade regional, alunos de escola com nível socioeconômico (NSE) mais alto também possuem mais acesso ao processo de reabertura. A diferença neste caso foi de 12 pontos percentuais – 80% entre estudantes de escolas de baixo NSE contra 92% de estudantes de alto NSE.  

A pesquisa também identificou que, em dezembro de 2021, mais de 800 mil estudantes continuavam sem receber nenhum tipo de atividade escolar, mesmo estando matriculados. 

Outro alerta da pesquisa é que um em cada quatro estudantes encerrou o ano sem qualquer atividade presencial – entre os alunos de escolas de baixo nível socioeconômico, o índice chega a 34%. No total, apenas metade (50%) retornou às atividades totalmente presenciais até o fim de 2021 e outros 23% tiveram aulas presenciais e remotas. 

Saiba mais
Confira as edições anteriores da pesquisa “Educação não presencial na perspectiva dos estudantes e suas famílias”:

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