Ir para o conteúdo Ir para o menu Ir para a Busca

AGÊNCIA DE

Notícias

Especiais

Busca de caminhos para o ensino da disciplina estimula novas posturas de professores e alunos


Aprendizado para todos

O ensino de matemática tem sido, ao longo das últimas décadas, um dos pontos mais desafiadores da educação brasileira. Quem estuda o tema sabe que vários fatores contribuem para isso. Um dos principais é o medo que os estudantes acabam nutrindo pela disciplina, disseminado muitas vezes inconscientemente por alunos mais velhos, pais e professores.

Para combater esse quadro que faz com que muitos alunos fujam desse mundo dos números, modos alternativos de ensinar têm sido buscados, novos caminhos que façam a aprendizagem efetivamente acontecer.

Tanto é que cerca de 6,5 mil professores já foram titulados pelo ProfMat (Programa de Mestrado Profissional em Matemática em Rede Nacional), ação da Capes para a educação continuada que reúne 106 universidades associadas. Atualmente, há outros 2.670 matriculados nesse tipo de formação, que é uma pós-graduação stricto sensu voltada a questões concretas da experiência docente.

Questão global

Apesar de o Brasil ser citado de forma recorrente em função dos resultados ruins de aprendizagem em avaliações externas, as dificuldades para o ensino da matemática estão longe de ser uma questão local. Diversos países e instituições têm buscado estratégias e ações para que os estudantes superem as barreiras do aprendizado na disciplina. Essas dificuldades acontecem também em países com mais tradição educacional, como Estados Unidos e em muitas nações europeias. É consensual a necessidade de que os estudantes ultrapassem desafios que, uma vez vencidos, vão levá-los a patamares cognitivos mais altos.

Exemplo disso é a associação entre o Centro de Pesquisas YouCubed, da Universidade Stanford, e o Instituto Sidarta, voltado a políticas públicas de educação, para a criação de uma série de materiais voltados ao incentivo do letramento matemático. A iniciativa, batizada de Mentalidades Matemáticas, é apoiada pelo Itaú Social desde 2018.

Entre os materiais produzidos vários se destinam a proporcionar visões sobre a matemática diferentes daquelas que se traduzem apenas em fórmulas e exercícios. Para superar essa receita que costuma resultar em muita memorização e pouca apreensão dos conceitos, uma saída é o uso da visualidade das questões propostas, ou seja, de raciocinar a partir de formas e cores simbolizando diferenças e quantidades, por exemplo.

Segundo relato de professores, com o uso de recursos visuais os alunos passam a sofrer menos de ansiedade matemática. Essa e outras estratégias demandam um consistente trabalho com os docentes para que incorporem uma nova visão de ensino, assentada no conceito de amarração de grandes ideias, ou seja, na interrelação entre vários temas centrais da disciplina. Essa é a proposta para a reformatação dos currículos, a serem desenhados como um mapa conceitual que mostre conexões entre conceitos e unidades temáticas.

Pesquisas e novas estratégias

Tendo em vista a necessidade de modificar esse panorama em outras frentes, o edital de pesquisa Anos Finais do Ensino Fundamental – Adolescências, Qualidade e Equidade na Escola Pública selecionou dois projetos que, com diferentes abordagens, tentam aproximar os estudantes da matemática de forma prazerosa. Ambos seguem o princípio de criar novas estratégias para o ensino, apoiadas nas relações entre a matemática e objetos para os quais ela serve de método de análise e apreensão.

O projeto LeME (Letramento Multimídia Estatístico) relaciona a matemática com o universo dos jovens, levando-os a pesquisar temas ligados a seu cotidiano tendo a estatística como ferramenta analítica.

“Quando usamos a estatística, colocamos os números em contexto e podemos identificar os interesses dos estudantes e questões de dimensão social. Isso torna a matemática mais leve e os encoraja a pensar, faz com que se sintam mais desafiados”

Mauren Porciúncula, coordenadora da pesquisa

Programação e mentalidades

Já o Raciocínio Computacional em Prática aposta no potencial da linguagem da programação, que estimula o desenvolvimento do pensamento lógico para atrair não só alunos, mas também professores da matemática e de outras áreas.

Para Ecivaldo de Souza Matos, responsável pelo projeto, o fato de se tratar de um conhecimento novo para a maioria dos professores, deixou-os mais à vontade para experimentar. “Muitos deles vêm de uma formação anterior passiva, não estavam acostumados a produzir materiais. Quando conseguem mergulhar nesse tipo de experiência, isso os torna protagonistas”, diz.

As pesquisas atestam aquilo que está nas premissas de ambas: utilizada como uma forma de compreensão de diferentes questões do mundo real, a matemática e o raciocínio que está por trás dela, envolvendo a lógica, pode tornar-se uma ferramenta valiosa de aprendizagem. Não só da própria disciplina, mas de tudo aquilo com que ela pode se relacionar. E quanto mais os próprios estudantes forem ativos nesse processo, melhores resultados terão.

Para ficar por dentro

Descubra mais sobre as pesquisas de ensino de matemática na série de Podcast Anos Finais: pesquisa e ação, uma produção do Itaú Social.

No Polo, ambiente de aprendizagem do Itaú Social, você possui acesso a percursos formativos e cursos sobre a temática de leitura e letramento:

• Matemática – O percurso convida a explorar os campos de experiência da BNCC e a refletir sobre o letramento matemático, com cursos que apresentam propostas significativas e ideias práticas para trabalhar conceitos com estudantes do ensino fundamental. Clique aqui para acessar

Em colaboração e a partir de uma iniciativa do Instituto Sidarta, o Itaú Social apoia a plataforma Mentalidades Matemática, um espaço de saberes e trocas de experiências para ressignificar o ensino e aprendizagem da matemática aberto para professores e interessados no tema. Clique aqui para conhecer a plataforma.

Central de Pesquisas

Com o intuito de oferecer uma visão geral sobre todas as pesquisas produzidas no âmbito do edital “Os Anos Finais do Ensino Fundamental: Adolescências, Qualidade e Equidade na Escola Pública”, o Itaú Social produziu a Central de Pesquisas, um espaço para você acessar os conteúdos, resultados e informações sobre os 14 projetos apoiados. Clique no botão abaixo e conheça mais!

Navegue pelo especial

Clique nos cartões abaixo e fique por dentro do especial!

FICHA TÉCNICA

Coordenação editorial e diagramação: Fernanda F. Zanelli e Lucas Gregório | Texto e edição: Rubem Barros e Ana Claudia Bellintane
Identidade visual: Rodrigo Souza Silva e Juliana Santos de Araújo | Direção de arte: Caronte | Ilustração: Julia Coppa |
Colaboração: Alexandre Moreira, Claudia Sintoni, Patricia Mota Guedes e Raquel Ornellas

Assine nossa newsletter

Com ela você fica por dentro de oportunidades como cursos, eventos e conhece histórias inspiradoras sobre profissionais da educação, famílias e organizações da sociedade civil.