Ir para o conteúdo Ir para o menu Ir para a Busca
Polo de desenvolvimento educacional
Notícias Especiais

Quais as principais características do Desenvolvimento Institucional?


Confira as respostas dos entrevistados!

Domingos Armani
(sociólogo – pesquisador e consultor)

“Falar em Desenvolvimento Institucional (DI) é equivalente a falar em processos intencionais de mudança nas organizações. O movimento, latente ou perceptível, de mudança está sempre lá, ele existe sempre, trata-se de um fenômeno social, que expressa a mudança das organizações. É independente da vontade dos atores. Pode-se afirmar que uma organização tem DI quando ela conduz um processo consciente de mudanças institucionais, que se conectam com os processos vivos existentes de forma subjacente na organização.  O DI é o olhar para como uma organização está mudando, ou está travada e não consegue mudar, buscando identificar nós críticos e propor formas de tratamento e de sua superação. No fundo, só se pode falar em DI, propriamente, quando há uma ação intencional planejada de desenvolver a organização. É comum chamar  isso de fortalecimento institucional. Mas pode-se distinguir os dois termos: DI = condução do processo de mudança de uma organização por suas lideranças; e Fortalecimento Institucional = apoio ao DI, ou, apoio externo ao DI de uma organização, quando um terceiro investe no fortalecimento do DI de uma organização.

O sentido atual de se falar mais em DI significa que estamos querendo chamar a atenção para a importância de colocar o foco no ator, porque se o ator não é sustentável em médio e longo prazo, tampouco serão os impactos de suas ações. Isto é, ao invés da tendência de se apoiar projetos, se advoga, com o apoio ao DI, a necessidade de apoiar o ator como sujeito estratégico dos processos de mudança na sociedade, apoiando-o integralmente, com core suporte/apoio institucional.

 Então, um processo de DI implica fortalecer o alinhamento e a conexão entre as partes e o todo na organização, e vice-versa, trazendo mais consciência coletiva sobre o que é essa organização, sobre o que a une e o que a fragiliza no momento. O DI é olhar para como o todo (a identidade, o propósito, missão, a unidade política, a estratégia, políticas internas etc.) se expressa nas partes (áreas, setores, projetos etc.), ao mesmo tempo que é retroalimentado por elas, forjando-se aí a singularidade de cada organização.”

“O DI é o olhar para como uma organização está mudando, ou está travada e não consegue mudar, buscando identificar nós críticos e propor formas de tratamento e de sua superação”

Domingos Armani

Mônica de Roure
(historiadora – vice-presidente BrazilFoundation)

“Organizações passam por diferentes estágios em seu ciclo de vida institucional: do momento em que ela começa como um modelo ou piloto, até quando entende ser necessário responder a um determinado contexto social em que ela está inserida (…). Em todos esses momentos, o desejado é que as organizações tivessem,  na prática, um tempo e condição de investimento para olhar para dentro de si, ter esse apetite e receber apoio para  a reflexão sobre: como estou colocando na prática a minha missão?; como, no trabalho com os públicos atendidos, aplico os princípios que eu defendo na minha prática organizacional?; estamos preparados internamente para responder a tudo que eu preciso para operar com qualidade?  Em cada um desses momentos do ciclo de vida, toda organização, independentemente de seu porte, deveria ter as condições necessárias para refletir sobre si mesma: sobre suas práticas internas e também a forma como as práticas operacionais e pedagógicas respondem à sua missão. (…). É fundamental que as organizações se repensem, se não, daqui a 30 anos, estaremos fazendo a mesma coisa com pouco resultado, de fato, transformador.” 

“O desejado é que as organizações tivessem,  na prática, um tempo e condição de investimento para olhar para dentro de si, ter esse apetite e receber apoio para  a reflexão”

Mônica de Roue

Rogério Silva
(psicanalista – pesquisador e consultor)

“[Podemos dizer que] é um processo histórico cultural que caracteriza a existência de uma organização ao longo do tempo; É inato a qualquer organização: se ela existe, se está viva, ela está em processo de desenvolvimento; é também singular a cada organização – ainda que a gente precise estudar conjuntos, estabelecer padrões oportunos para pensar os objetos e nossa capacidade de intervir. É um processo evidentemente complexo: não é linear (assim como a vida de qualquer organismo), tem curvas, momentos de paralisia, retrocessos. Também não depende apenas do conjunto de forças que vivem dentro da organização, mas daquilo que vem de fora (demandas, recursos, obstáculos, leis, oportunidades, etc.) – as organizações são muito porosas, tem muito a ver com o que está acontecendo ao redor delas, mesmo que não percebam ou olhem para isso.”

“É um processo histórico cultural que caracteriza a existência de uma organização ao longo do tempo; É inato a qualquer organização: se ela existe, se está viva, ela está em processo de desenvolvimento”

Rogério Silva

Navegue por outras perguntas