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De onde vem o conceito de Desenvolvimento Institucional? Qual o histórico no setor?


Confira as respostas dos entrevistados!

Domingos Armani
(sociólogo – pesquisador e consultor)

“Este é um conceito que não tem apenas uma definição, mas muitos sentidos, em língua portuguesa e inglesa, muita coisa usada como sinônimo. A inspiração original vem do final da 2ª Guerra quando toda a experiência de desenvolvimento social das colônias e ex-colônias no Hemisfério Sul começou a esbarrar em muitos limites, e percebeu-se que todo o apoio para o desenvolvimento social e econômico na África, no Sudeste asiático e na América Latina precisava de mais sustentação em médio e longo prazo.

E uma das conclusões a que se chegou foi que seria necessário fortalecer as instituições em cada sociedade, para que se pudesse dar perenidade aos processos de desenvolvimento. Não bastava entregar comida, vacina, saúde, impostos etc., sem desenvolver a institucionalidade dessas sociedades. Daí vem o termo “institucional building” (que provém da ciência política e da economia), que dá origem ao conceito de Desenvolvimento Institucional (DI), o qual chega ao Brasil principalmente a partir do início dos anos 1990, pelas relações de apoio e parceria entre ONGs e organizações internacionais de apoio ao desenvolvimento.”

“Percebeu-se que todo o apoio para o desenvolvimento social e econômico na África, no Sudeste asiático e na América Latina precisava de mais sustentação em médio e longo prazo”

Domingos Armani

Mônica de Roure
(historiadora – vice-presidente BrazilFoundation)

“Importante a gente pensar que, no passado, Desenvolvimento Institucional (DI) era uma questão bastante estruturante para o conjunto de doadores, em sua maioria fundações e organismos americanos e europeus, e para as Organizações da Sociedade Civil do final dos anos 1980 até começo dos 2000. Com o emergir do investimento social pelo setor privado, o olhar e investimento em DI para as organizações diminuiu bastante. Fortaleceu-se o foco a partir de projetos mais finalísticos, em vez de pensar a funcionalidade das organizações a partir de sua missão, com menos recurso alocado para as questões institucionais.”

“Fortaleceu-se o foco a partir de projetos mais finalísticos, em vez de pensar a funcionalidade das organizações a partir de sua missão”

Mônica de Roue

Rogério Silva
(psicanalista – pesquisador e consultor)

“Há um vetor teórico importante das práticas de Desenvolvimento Institucional que é o das ciências da administração. No final do século 19, com o surgimento da administração científica, tivemos o embrião de muito do  que ainda fazemos nas organizações: padronização, hierarquia, etc. Outro vetor é o psicanalítico, as instituições como espaços e processos que atravessam e enquadram os sujeitos – sendo as instituições originais a Igreja, o Estado, o Exército, a Língua. Finalmente, um terceiro vetor é o conceito de organização: mais recentemente (pós 1950). Já influenciadas pelas matrizes da psicologia e da biologia, as teorias organizacionais iluminam o ator, explicitam que as organizações são componentes da sociedade que requerem atenção singular.”

“Um terceiro vetor é o conceito de organização: mais recentemente (pós 1950). Já influenciadas pelas matrizes da psicologia e da biologia, as teorias organizacionais iluminam o ator”

Rogério Silva

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