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Notícias Especiais

O livro e a leitura: fronteiras em movimento

As transformações no campo da leitura podem ser oportunidades para que novos projetos cresçam. Confira o último especial da série!


A série “O valor da leitura: legado e inspirações para a nova década” chega ao seu último especial. O assunto é a leitura e o livro como conceitos em movimento. Você vai conhecer ainda a riqueza de projetos que emergem das organizações, coletivos e iniciativas de pessoas dedicadas ao tema, nas ruas e nas redes. Confira!

Leitura e transformações – o virar das páginas

É bem possível que antes de qualquer fruto mordido, antes até do primeiro respiro, as histórias já estivessem por aí, espalhadas no ar. São elas que testemunham o tecer paciente do tempo, cada gesto, fagulha sutil que troca as coisas de lugar. Algumas delas foram parar em páginas, e das páginas para os livros, e deles para corredores estreitos, paredes erguidas por palavras, empilhadas em estantes, bancas, caixas, pontos de ônibus e até geladeiras velhas. Há muitas delas habitando vozes em rodas, saraus, e prosas na rua, nas ladeiras e vielas.

Desde a primeira edição, o “lugar onde vivo” é tema da Olimpíada de Língua Portuguesa, parte do programa Escrevendo o Futuro. É simples explicar, não existe escrita alheia à experiência de morar e conviver. Assim como a experiência da leitura não está restrita às fronteiras das páginas e das bibliotecas. O lugar do livro e da leitura é no espaço do mundo, transbordando os limites das instituições e dos armários trancados para habitar a imaginação e os saberes de quem as evoca. Ainda que, é preciso reconhecer, muitas vezes são as bibliotecas públicas, comunitárias e escolares que esticam seus braços para além dos muros e alcançam novos leitores, e por eles suas famílias e comunidades, nutrindo territórios que florescem pela ação de ler.

Para a maior parte das pessoas, o lugar onde se lê importa menos que o ponto a que se quer chegar. A mobilidade social é umas das principais motivações para a leitura – pelo acesso ao conhecimento, atualização e crescimento profissional. A conquista do saber como projeto de vida está no dia a dia do brasileiro, que encontra na educação uma porta aberta para uma vida melhor. É por isso que, historicamente, os espaços dedicados aos livros são também arenas de debate político, instância de reivindicação de direitos e lócus primordial para o fazer das políticas públicas. 

Não é de hoje que o mundo nos desafia a abrir mão de velhos guias para desbravarmos as trilhas que estão em curso. A Era da informação chegou mudando problemas, soluções e contradições. O espaço e o tempo ganharam novos significados, a geografia se torna borrada à medida em que a convivência está cada vez menos relacionada ao encontro presencial. As histórias, que antes estavam no ar (como mencionado no início desse texto), agora também estão nas redes, nos códigos, nas narrativas que se forjam no intercâmbio das relações.

A leitura já está no ambiente digital, ainda que, como um recém-nascido, demande olhares atentos para seus primeiros passos. Mesmo que tenhamos mais perguntas do que respostas, uma certeza se mostra cada vez mais evidente: a de que é necessário resistirmos à tentação de compreender esse fenômeno com as mesmas lentes com as quais sempre olhamos para o livro tradicional. Buscar esta comparação não parece ser o caminho mais promissor para decifrarmos as dinâmicas sociais que estão se transformando a partir da relação com tecnologia.

As fronteiras do livro e da leitura estão se movimentando rápido. Este é o ritmo da informação no mundo contemporâneo. As experiências são múltiplas, e é possível que o acolhimento desta pluralidade seja justamente o que nos falta para iniciar um novo percurso em busca de uma nação leitora.

Por: Fernanda Zanelli – especialista da área de comunicação do Itaú Social e mestranda em ciência da informação, pela Escola de Comunicação e Artes da Universidade de São Paulo (ECA-USP)

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Bibliotecas comunitárias

A ausência de políticas públicas por parte do Estado brasileiro na área do livro e da leitura gera lacunas, que, em alguma medida, são preenchidas por bibliotecas comunitárias. A maioria desses espaços, que surgem da necessidade e do desejo das comunidades de terem acesso aos bens de leitura, não recebe recursos governamentais e tem seus acervos compostos prioritariamente por doações. Essas bibliotecas geralmente compõem as ações de Organizações da Sociedade Civil – OSCs, e são espaços estratégicos para a implementação das políticas do livro e da leitura, já que estão presentes em boa parte do território nacional.

A Rede Nacional de Bibliotecas Comunitárias (RNBC), composta por 11 redes locais e 115 bibliotecas comunitárias em nove estados, se configura como um amplo movimento pela democratização do acesso ao livro, à leitura, à literatura e às bibliotecas, sob a perspectiva da leitura como direito humano. A RNBC teve origem na articulação das redes de bibliotecas comunitárias incentivadas pelo Programa Prazer em Ler – ação de apoio e incentivo à leitura criada pelo Instituto C&A em 2006 e apoiada pelo Itaú Social desde 2018 –, que mobilizou espaços de leitura mantidos por organizações sociais e culturais da sociedade civil em comunidades com vulnerabilidade social, atuando na garantia de direitos básicos

Multiletramentos

A convergência tecnológica e a divergência cultural caracterizam contextos em que os novos meios de comunicação e as comunidades globais interconectadas afetam diretamente os usos da linguagem. Refletindo as mudanças sociais e tecnológicas atuais, ampliam-se e diversificam-se não só as maneiras de disponibilizar e compartilhar conhecimentos, mas também de lê-los e produzi-los. No contexto contemporâneo, portanto, muitas são as menções a textos multimodais, à medida que incorporam em suas narrativas diferentes formas de organizar a informação, mesclando imagens (estáticas ou em movimentos), músicas, fala, sonoplastias etc. Nesta perspectiva, o conceito de multiletramentos é um fato, já que o interlocutor precisa mobilizar múltiplos letramentos para compreensão da mensagem.

A abordagem está em consonância com os preceitos da Base Nacional Comum Curricular (BNCC) – conjunto de aprendizagens essenciais a ser desenvolvido ao longo das etapas e modalidades da Educação Básica – de preparar o educando para a vida social e profissional e para o pleno exercício da cidadania. Das dez competências gerais da BNCC, duas abrangem o uso da tecnologia pelos alunos de maneira direta e expressiva. Enquanto uma se refere ao digital como uma das linguagens a ser utilizada, a outra foca no aprofundamento de seu uso de forma crítica, significativa, reflexiva e ética.

Por dentro da sociedade civil

Para além dos espaços tradicionais de divulgação e consumo de literatura, têm se espalhado país afora, sobretudo nas periferias brasileiras, experiências culturais, formais e não formais, protagonizadas por coletivos que anseiam ser representados na cena cultural. Confira a seguir algumas dessas iniciativas.

Criada em 2010, tem como missão idealizar e desenvolver projetos que contribuam para o incentivo ao direito e à promoção da cultura, leitura e literatura.

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Projeto criado com a missão de dar protagonismo a outras narrativas, democratizar e levar “pra quebrada” a literatura.

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Organizado anualmente pelo Núcleo Bartolomeu de Depoimentos/ZAP! SLAM, é o primeiro poetry slam (campeonato de poesia falada) nacional.

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Movimento cultural que, desde 2001, promove atividades poéticas no Bar do Zé Batidão, localizado na periferia da Zona Sul de São Paulo.

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Idealizada pelo Sarau do Binho e realizada desde 2015, a Feira reúne autores e leitores na zona sul de São Paulo, potencializando ações individuais e coletivas.

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Festa literária internacional realizada desde 2012, cuja principal característica é acontecer em territórios tradicionalmente excluídos dos programas literários na cidade do Rio de Janeiro.

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Localizada no Crato, Ceará, a Organização da Sociedade Civil realiza atividades de fomento à leitura na zona rural, com a participação de crianças e adolescentes. Saiba mais sobre a iniciativa no episódio da Série Lugar de Livros – da TV Cultura e do Itaú Social.

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Balada literária: Criada em 2006, o festival foi fundado pelo escritor Marcelino Freire e já caminha para a 16° edição. A Balada acontece também em Teresina (desde 2017) e Salvador (desde 2015).

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Amplie seus conhecimentos

Clubes de Leitura
Catálogo on-line de clubes de leitura da cidade de São Paulo e de textos sobre teorias e práticas de leitura.

Podcasts Literários
Acesse uma lista com 70 podcasts sobre literatura e o mundo das histórias para começar a ouvir já.

Tecnologia na Educação
No canal do Porvir no Youtube, Anna Penido, diretora do Instituto Inspirare, fala do impacto da tecnologia na educação.

EducaMídia
Programa do Instituto Palavra Aberta com apoio do Google.org e do Itaú Social, criado para capacitar professores e organizações de ensino e engajar a sociedade no processo de educação midiática dos jovens.

Prática Inspiradora

Empoderar crianças de comunidades rurais da Amazônia a partir da promoção da leitura e da gestão de bibliotecas comunitárias como espaço para compartilhar saberes. Este é o propósito da Organização da Sociedade Civil Vaga Lume, que, por meio da formação de mediadores de leitura e criação de bibliotecas comunitárias para crianças da Amazônia, promove intercâmbios culturais com a leitura, a escrita e a oralidade, com o objetivo de formar pessoas engajadas na transformação de suas realidades. A organização é parceira do Itaú Social no programa Leia para uma Criança. Conheça!

Iniciativa do Itaú Social, o programa atua principalmente no âmbito das bibliotecas comunitárias, em parceria com a Rede Nacional de Bibliotecas Comunitárias (RNBC), apoiando organizações que atuam no fomento à leitura de forma democrática, na disponibilização de acervo, no fortalecimento de redes temáticas e territoriais no campo da leitura. Além disso, o programa promove ações para colocar em pauta a leitura como prioritária no país,  articulando-as com políticas públicas que garantam o direito ao livro e à leitura. Conheça!

Movimento pela democratização do acesso ao livro, à leitura, à literatura e às bibliotecas sob a perspectiva da leitura como direito humano. Parceria do programa Prazer em Ler, a RNBC conta atualmente com 11 redes locais e 115 bibliotecas comunitárias nos estados do Pará, Maranhão, Ceará, Pernambuco, Bahia, Minas Gerais, São Paulo, Rio de Janeiro e Rio Grande do Sul. A coleção Entre-Redes – Percursos Formativos: Saberes das Bibliotecas Comunitárias, iniciativa da Rede, apresenta a experiência das bibliotecas registrada pelos seus próprios sujeitos. O Itaú Social apoia esta iniciativa. Conheça!

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FICHA TÉCNICA

Coordenador de comunicação: Alan Albuquerquer R. Correia | Edição e ensaios: Fernanda F. Zanelli |
Identidade visual: Rodrigo Souza | Gestão de tecnologia: Felipe José da Silva |
Leitura crítica: Camila Feldberg, Dianne Melo, Rodrigo Ratier e Tayrine Santana |
Produção editorial: Estúdio Cais  | Ilustrações: Veridiana Scarpelli | Design de Interface : Sintropika
Revisão ortográfica: Beatriz Gross