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Polo de desenvolvimento educacional

Planejamento 2022: “O renascimento da educação”

Reconhecimento do espaço-tempo e de aprendizados valiosos no âmbito dos programas


Capa: The Creation of God, por Harmonia Rosales. Clique aqui para saber mais sobre a artista.


Já sabíamos de antemão que o ano dos gêmeos, 20-20, seria marcante. O início de um novo decênio é sempre uma promessa de mudança. O que não sabíamos, é que as transformações seriam tão intensas. A pandemia mundial da Covid-19 chegou ao Brasil em março de 2020 e se estende até hoje. Dezoito meses já se passaram e já podemos observar a olhos nus os efeitos perversos deste cenário. O principal deles se encontra em cada uma das milhares de vidas perdidas, em um contexto de ataques à democracia, às suas instituições e à própria ciência.   No entanto, se recorrermos à história, veremos que tempos de trevas podem ser um prelúdio para tempos de renascimento. Fernando Reimers, da Harvard University – Graduate School of Education, em seu artigo Building an Education Renaissance during the COVID-19 Pandemic, comparou o fenômeno atual com os fatores que nos séculos XIV e XV levaram ao surgimento da Renascença Italiana, período marcado por importantes mudanças no pensamento sócio-cultural, refletidos na economia, artes, ciências, política e religião. Foi justamente após uma crise sanitária ter matado um terço da população que a cidade de Florença apostou na ciência e nas artes, atraindo para si gênios como Leonardo da Vinci, Michelangelo, entre outros. Reimers enfatiza a capacidade humana de criar ambiências de conhecimento – terras férteis de onde podem florescer não só soluções para problemas que estão dados, mas novas experiências que podem nos renovar como sociedade. 

No artigo Vivendo e Aprendendo, publicado em 2020 no Correio Braziliense, levantamos essa possibilidade de transformação ao tratarmos de um tema muito caro ao Itaú Social – o desenvolvimento integral de crianças, adolescentes e jovens. Assim, afirmamos que “em tempos de corpos distanciados, é necessário reinventar maneiras de viver. Mas, como diz Paulo Freire, a educação para a vida sempre assim se fez,se refazendo, transbordando espaços, tempos e conteúdos para além dos muros da escola.”

Portanto, depois de um período tão longo de escolas fechadas e acirramento das desigualdades, como caminharmos juntos rumo a uma Renascença da Educação? Que novo renascimento poderia ser esse? Após tantas perdas, como retomarmos com mais força ainda para fazer valer a garantia do direito à educação pública de qualidade para todos?

Os primeiros passos na direção de 2022 começam com o reconhecimento do espaço-tempo (passado, presente e futuro), e da nossa bagagem de mão – aprendizados valiosos que acumulamos ao longo deste período. Vamos começar?


Primeiro ato:
A pandemia chegou e ficou

O que pesquisas e outros dados nos trouxeram sobre os efeitos da pandemia, na perspectiva das famílias, estudantes, professores e organizações sociais?

O Brasil é um dos países que permaneceu mais tempo com escolas fechadas –13 meses, – enquanto em outros países europeus este período foi em média de três meses.  Além disso, também temos o maior número de estudantes impactados pela ausência de aulas presenciais durante o ano letivo de 2020. Estudos nacionais e internacionais sobre o efeito do fechamento das escolas na educação indicam que até mesmo fechamentos de curta duração causam impactos significativos sobre os níveis de aprendizagem, abandono escolar e até sobre a futura inserção no mercado de trabalho dos estudantes.

No legado da pandemia, a desigualdade desponta como principal ponto crítico. Exposto e acirrado pelo contexto atual, o quadro de históricas disparidades econômicas e sociais do país chama atenção, pelos efeitos nocivos de curto e longo prazo no campo educacional. As desigualdades que já existiam antes da pandemia foram aprofundadas, a começar pelas condições de acesso e tipo de atividades remotas. É o que pesquisa nacional com famílias de escolas públicas – realizada em ondas desde maio de 2020 – tem mostrado. Para citar um exemplo, o celular tem sido o principal equipamento utilizado pelos estudantes para as aulas remotas (84%), com o agravante de que 40% deles ainda divide o dispositivo com outra pessoa. Apenas 3% dos estudantes receberam doações de equipamentos ou pacotes de dados do governo ou de outras entidades. Vale lembrar que a forma de ensino remoto também não foi comum para todas as redes e escolas, de modo que em boa parte delas – em especial nas com menos recursos – a articulação entre material impresso e WhatsApp foi a estratégia mais adotada.

Conforme a pandemia se prolongou, o desgaste do ensino remoto se ampliou. O aumento nas dificuldades em manter a rotina de estudos foi de 58% para 69% em um ano, sendo mais expressivo nos anos iniciais, no período de alfabetização (74%). Na região Nordeste e nas escolas de menor nível socioeconômico a desmotivação passou de 46% para 57%, também em doze meses.

As clivagens de renda, raciais e geográficas marcam a experiência dos estudantes, a medida em que as boas condições de moradia, trabalho, alimentação (entre outras esferas previstas como um direito humano universal) não estão garantidas, fato que influencia diretamente na rotina de estudos deste recorte da população. São questões indissociáveis, ainda mais em um cenário onde não há a infraestrutura da escola para prover as condições mínimas de estudo para todos. 

Em maio de 2021 o grupo de estudantes que receberam atividades remotas, mas que não estavam evoluindo nos estudos, manifestaram a possibilidade de desistir da escola, chegando a 40% do percentual – contra 26%, no início da pandemia. Esses níveis sobem ainda mais para estudantes de áreas rurais (51% vs 39% do meio urbano), negros (43% vs 35% de estudantes brancos), e de escolas de menores níveis socioeconômicos (43% vs 33% de escolas de alto nível socioeconômico). A escolaridade e a renda dos responsáveis também afetam esta equação: neste caso o risco de abandono escolar é de 50%, contra 24% daqueles cujos responsáveis têm ensino superior. Em relação à renda, as taxas são de 48% daqueles que recebem até 1 salário mínimo vs 31% com renda entre 2 e 5 salários mínimos. Por fim, nas redes públicas da região Nordeste o percentual de grupos com maiores chances de abandono chega a 50%, contra 31% da região Sudeste.

Entre os jovens, o risco de interrupção da educação é ainda maior. O Conselho Nacional da Juventude (CONJUVE) – em parceria com o Em Movimento, da Fundação Roberto Marinho, Mapa Educação, Porvir, Rede Conhecimento Social, Unesco e Visão Mundial – ouviu 68 mil brasileiros com idade de 15 a 29 anos. Entre os estudantes matriculados nas escolas ou universidades que responderam à segunda edição da pesquisa Juventudes e a Pandemia do Coronavírus (Covid-19), 43% disseram que já pensaram em parar de estudar desde que suas rotinas foram alteradas pela crise. Na primeira onda da mesma consulta, realizada em junho de 2020, esse número era de 28%. O estudo indica ainda que 6% dos jovens trancaram a matrícula. Destes, 56% o fizeram durante a pandemia.

E se há uma faixa etária que teve menos acesso a ofertas educacionais, foram as crianças pequenas, como apontou a pesquisa Primeiríssima Infância – Interações na Pandemia: Comportamentos de pais e cuidadores de crianças de 0 a 3 anos em tempos de covid-19.  Cerca de uma em cada quatro crianças de 0 a 3 anos (27%), de todas as classes, apresentou algum tipo de regressão em seu comportamento durante o ano de pandemia, como voltar a chorar muito, fazer xixi na roupa sem pedir para ir ao banheiro e falar menos. As famílias da classe D – com renda familiar média mensal de R$ 720 – foram as mais impactadas negativamente no que diz respeito aos cuidados com as crianças de até 3 anos. Esse grupo se sente mais triste, ansioso, sobrecarregado, exausto, impaciente e assustado que os demais.

A pandemia para os professores

Entender os efeitos da pandemia passa também por compreender a experiência dos professores, que foram o principal ponto de contato entre estudantes e famílias, sob condições frequentemente adversas – sem equipamentos, formação e conectividade adequadas. A maioria dos 2.2 milhões de professores brasileiros tiveram de passar por uma mudança brusca e com muitos aprendizados. Rapidamente, tiveram que se adaptar a uma nova realidade, equilibrando novas demandas pedagógicas, lado a lado de questões emocionais e pessoais – suas e de seus alunos.

As diferentes pesquisas sobre a visão dos professores – realizadas pela Fundação Carlos Chagas, Nova Escola, e Instituto Península – apontam que as rápidas mudanças, alto nível de cobranças, frustrações diárias e dificuldades técnicas durante o ensino remoto impactaram a rotina de trabalho e a saúde emocional dos professores.  A pesquisa realizada pela Fundação Carlos Chagas, por exemplo, indica que para mais de 65% dos respondentes o trabalho pedagógico mudou e aumentou.  Na pesquisa A situação dos professores no Brasil durante a pandemia da Nova Escola, apenas 8% dos docentes declararam se sentir ótimos ao comparar sua saúde emocional com o período pré-pandemia. Outros 28% a consideraram péssima ou ruim na pandemia e 30% classificam como razoável. Nos comentários, entre os termos mais utilizados pelos professores para descrever a situação apareceram as palavras ansiedade, cansaço, estresse, preocupação, insegurança, medo, cobrança e angústia.

A pesquisa da Fundação Carlos Chagas apontou que a maior parte dos professores de todas as redes, no momento inicial da pandemia, consideraram ter recebido apoio da escola nas atividades com os alunos. Mas esse apoio variou dependendo do perfil da rede e do professor, acentuando desigualdades. Foram os professores da rede municipal aqueles que se sentiram menos apoiados. E, mais uma vez, foram os professores negros de ambos os sexos que manifestaram percepção de menor apoio da sua escola.

Por outro lado, as mesmas pesquisas também indicam efeitos positivos como uma procura geral por mais formação, e ampliação do uso de recursos digitais. Outro efeito é a valorização do papel do professor pelas famílias e sociedade em geral. Durante toda a pandemia, o professor ocupou um papel fundamental não só para seus alunos, mas também para a família dos estudantes, que agora acompanham de perto a complexidade do trabalho docente. Segundo pesquisa do Instituto Península, para os professores esse reconhecimento é um dos principais legados do momento que estão vivendo72% deles têm a percepção de valorização da sua carreira pela sociedade. Na quinta onda de pesquisa nacional com famílias de escola pública esse dado também apareceu: 7 em cada 10 responsáveis afirmaram valorizar mais o professor agora do que antes da pandemia.

A ótica das OSCs

As Organizações da sociedade civil desempenham um papel fundamental na oferta de oportunidades de desenvolvimento integral para crianças e adolescentes. Como o recente estudo Cada Hora Importa demonstrou, ao final do 9º ano do Ensino Fundamental, crianças das famílias mais pobres receberam 7.124 horas de aprendizado a menos que meninas e meninos das famílias mais ricas. Esse período equivale a 7,9 anos de uma escola regular. Parte significativa dessa desigualdade se encontra não só em termos de horas na escola, mas nas horas de aprendizado em atividades extracurriculares como esportes, artes, idiomas, cinema, teatro – além de tempo de leitura com a família, no caso das crianças pequenas. No caso da leitura, pesquisas como a quinta edição do Retratos da leitura, dão pistas sobre alguns dos efeitos dessas lacunas: é maior a proporção dos brasileiros que dizem que nunca viam suas mães lendo entre não leitores (60%) do que entre leitores (40%). A pesquisa confirmou o maior percentual de leitores em famílias que têm hábito de ler.

As OSCs têm um papel fundamental em reduzir esse abismo que já existia antes da pandemia. E em momentos de crise, são elas que estão na linha de frente de ações nos diversos territórios de alta vulnerabilidade social. De acordo com o IPEA – Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada – mais de 42 mil organizações estão ligadas aos serviços de assistência social. 

Não só na parceria com as políticas públicas, mas como o próprio Investimento Social Privado (ISP), as OSCs estão no epicentro dos esforços de contenção da crise sanitária das comunidades onde atuam.

Porém, é no momento que mais precisam de recursos e infraestrutura para se manterem em atividade, que boa parte destas instituições está correndo riscos de fechar as portas. Em nota técnica, o IPEA considera que a crise financeira, consequência da Covid-19 em vários setores da economia, forçam as OSCs a repensarem e adaptarem seus recursos previstos. Podem ser previstos efeitos mais diretos, como cancelamento de eventos beneficentes e diminuição de movimento/fechamento de bazares, que são fontes importantes de receita para diversas OSCs do Brasil; ou indiretos, por exemplo, na redução da renda das famílias, fazendo com que estas priorizem outros gastos em detrimento da doação; e, no médio prazo, cancelamento de editais e redução orçamentária disponível para projetos de incentivos fiscais das empresas que tiveram significativa redução de vendas. Além de novas iniciativas de ajuda mútua, muitos grupos e organizações da sociedade civil reorientaram seu trabalho de projetos de longo prazo para ações emergenciais. Conheça mais sobre os desafios no campo das organizações da sociedade civil clicando aqui.


Segundo ato:
Arregaçando as mangas

O que as pesquisas mostram sobre os esforços das redes públicas de ensino e da sociedade civil frente à crise?

A suspensão das aulas presenciais trouxe imensos desafios para a educação básica brasileira. Em tempo recorde, toda comunidade escolar precisou se mobilizar para implementar estratégias de ensino remoto – o que há anos é um desafio no contexto educacional. Amplo acesso à tecnologia e à internet de qualidade, professores preparados para práticas de ensino não presenciais: esses são alguns dos elementos que precisam entrar na conta quando o assunto é manter as aulas com as escolas fechadas. Uma situação que ainda estamos longe de alcançar no Brasil. Mas é preciso se reconhecer a diversidade dos esforços de Estados e municípios na busca por respostas, assim como o protagonismo de colegiados como a União Nacional dos Dirigentes Nacionais (UNDIME), o Conselho Nacional de Secretários Estaduais de Educação (CONSED), e do Conselho Nacional de Educação. 

A quinta onda da pesquisa da União Nacional dos Dirigentes Municipais da Educação (UNDIME) – realizada entre junho e julho de 2021– mostra que as redes municipais centram esforços no suporte para diretores e a busca ativa de estudantes em risco de abandono escolar, frente considerada prioritária por cerca de 60% dos respondentes. Esse percentual estava abaixo dos 35% na primeira onda realizada no começo de 2021. Para 71,8%, a procura pelos alunos e alunas que não têm acompanhado as atividades educacionais desde o início da pandemia tem sido realizada pela plataforma Busca Ativa Escolar – projeto liderado pelo Unicef e pela UNDIME.

A conectividade é um dos principais pontos de atenção para que estratégias qualificadas de ensino remoto possam ser ofertadas. Mas há dificuldades de acesso a equipamentos que também precisam ser considerados. A pesquisa da UNDIME mostra que o uso de materiais impressos e orientações por WhatsApp são as principais formas de acesso aos conteúdos – 98,2% e 97,5%, respectivamente – o que compromete o alcance e qualidade das aulas. Mesmo num cenário de reabertura das escolas, este fator é problemático, já que durante a retomada das atividades presenciais é necessário considerar o ensino híbrido e diagnósticos precisos para planejamento das atividades de recuperação e aceleração das aprendizagens.

As avaliações diagnósticas também seguem como uma frente importante no contexto pós pandemia, sem as quais os planejamentos de redes e escolas ficarão por demais limitados. Enquanto a grande maioria das redes estaduais possui contratos com empresas para avaliações diagnósticas, essa área é apontada pelos dirigentes municipais como a principal dificuldade para a retomada, depois de conectividade e infraestrutura física. . Neste sentido, a UNDIME e CONSED  – com o apoio do Itaú Social e outros parceiros – lançaram a plataforma de Apoio a Aprendizagem, com uma seção dedicada à avaliação da aprendizagem dos alunos no contexto da pandemia.

As disparidades entre escolas municipais e escolas estaduais reforçam a necessidade de apoio aos esforços das secretarias de educação dos municípios mais pobres. Estudo conduzido pelo INEP – a partir de questionários para escolas, como parte do Censo Escolar 2020 – mostra essa lacuna, na medida em que redes estaduais demonstram ter em geral melhores condições de oferta de ensino remoto e híbrido quando comparadas com as municipais. Por exemplo, quando se trata de aulas ao vivo, 72,8% das escolas estaduais realizam esta estratégia, contra apenas 31,9% das municipais. Em 2142 cidades, nenhuma das escolas municipais adotou essa medida. Por outro lado, em 592 cidades, todas as escolas da rede municipal fizeram o uso de aulas ao vivo. Ainda, de acordo com o estudo, 59,6% das escolas públicas ofereceram formação aos professores para metodologias e materiais específicos usados no ensino remoto. Nas redes estaduais o percentual foi mais alto (79,9%) que nas municipais (53,7%).

Papel da sociedade civil

Um outro exemplo de mobilização se deu no campo da filantropia.  Fundações, empresas, famílias e indivíduos com grandes fortunas fizeram doações sem precedentes históricos, em termos de volume e agilidade, para dar resposta à crise humanitária instalada. No início da crise, o país viveu um boom de doações, capitaneado por campanhas de arrecadação, lives beneficentes de artistas e iniciativas de grupos empresariais. Em dois meses, foram arrecadados mais de R$ 5 bilhões para fundos e instituições. O ineditismo da mobilização da filantropia no contexto da pandemia destoa da trajetória histórica do setor: até 2019, o Brasil sempre aparecia na metade mais baixa dos rankings que analisam a força das doações em cada país. Em 2017, o Brasil teve o pior desempenho já registrado no World Giving Index, o ranking global de solidariedade, saindo da posição de número 75 e ficando na de 122 no ranking geral, que apresenta 146 países.

As OSCs de base comunitária – bem como movimentos, grupos e agentes dos territórios – também foram uma fonte de liderança e inovação social.  O estudo do Grupo de Institutos, Fundações e Empresas (GIFE), registrou a pluralidade de estratégias com potencial de replicabilidade no contexto de enfrentamento à pandemia. São casos que conjugam tecnologias e práticas sociais desenvolvidas, pensadas e multiplicadas por quem está nas comunidades.

Em uma ação emergencial do Comunidade Presente, além do Itaú Social repassar recursos para OSCs selecionadas, também realizou um levantamento sobre a pandemia na ótica das OSC, considerando uma base de mais de 2 mil instituições respondentes. Já no início da crise sanitária, 60% das organizações mantinham o envio de sugestões de atividades pedagógicas para crianças e famílias. Como exemplo, a organização Bem TV – participante do Missão em Foco – empreendeu estratégias para enfrentamento da crise em Niterói e São Gonçalo (RJ). Aliando a expertise da OSC – formação audiovisual – e a necessidade de ampliar narrativas da pandemia a partir do olhar de quem reside nas periferias, a Bem TV desenvolveu formações não presenciais, com a concessão de bolsas, para jovens produzirem conteúdos de prevenção a Covid-19 e registro das ações da comunidade.

Situações emergenciais reforçam a importância da modalidade investimento por rubricas flexíveis – modelo do Missão em Foco – que viabiliza a rápida capacidade de resposta das organizações sociais a partir das demandas prementes. Contribuir para o desenvolvimento institucional das OSCs é nutrir instituições-chave, capazes de fazer frente aos desafios contemporâneos, ao mesmo tempo que promovem transformações sociais ancoradas nos saberes locais. Saiba mais na série OSC e investidores: aprendizados a partir de mudanças de referenciais.


Terceiro ato:
O que esperar do futuro?

Quais as tendências e experiências que podem servir de inspiração para escolhermos as formas de enfrentarmos os desafios dos próximos anos?

Tendências internacionais e experiências brasileiras podem servir de inspiração para enfrentarmos os desafios educacionais dos próximos anos. O observatório de políticas educacionais da Organização de Cooperação para o Desenvolvimento Econômico (OCDE), a partir da análise comparativa de 37 países, mapeou a evolução de políticas nacionais e subnacionais, incluindo esforços relacionados a pandemia. O estudo considerou o panorama específico do Brasil, bem como experiências internacionais de referência.

Algumas dimensões do relatório dialogam diretamente com a missão e pilares de atuação do Itaú Social. Por exemplo, no campo das recomendações relativas à Equidade e Qualidade, o estudo aponta para a necessidade de se melhorar a qualidade e acesso à educação infantil. Isso porque esta etapa educacional tem efeito equitativo no desenvolvimento integral de crianças e adolescentes. Se considerarmos que no Brasil a faixa etária mais desprovida de atendimento pela educação pública durante a pandemia foi a da primeira infância, essa prioridade ganha ainda mais peso nos esforços de equidade do pós-pandemia. 

Outro desafio apontado pelo relatório da OCDE é a necessidade de políticas e programas endereçarem a interseccionalidade das desigualdades. Um exemplo internacional de abordagem territorial é do governo de Portugal, com o programa Territórios Educativos de Intervenção Prioritária (TEIP). A iniciativa conseguiu reduzir a evasão escolar e melhorar os resultados para os estudantes em situação de maior vulnerabilidade – considerando localização geográfica, renda familiar, gênero, raça, país de origem e escolaridade dos pais. 

No Brasil, as abordagens territoriais podem ser úteis para tratar as desigualdades interseccionais, porque respondem de forma mais flexível às necessidades locais e reúnem na comunidade diferentes serviços de apoio. Uma pesquisa recente da Fundação Tide Setubal evidenciou como as desigualdades ocorrem dentro de uma mesma rede, e entre escolas e territórios de um mesmo município. Na cidade de São Paulo, professores das escolas mais periféricas recebem em média salários significativamente mais baixos, com diferenças que chegam até mil Reais. Nos extremos da cidade estão justamente as escolas com maior taxa de alunos negros e indígenas. Além disso, para cada ponto de aumento no Índice Paulista de Vulnerabilidade Social, o valor médio da hora paga cai em quatro reais. 

O desafio da interseccionalidade das desigualdades também é retratado na pesquisa A educação de meninas negras em tempos de pandemia: O aprofundamento das desigualdades, realizada pelo Geledés – Instituto da Mulher Negra, no município de São Paulo, conjugando raça e gênero. O estudo apresenta os impactos do isolamento social e do afastamento da escola na vida de meninas negras da Educação Infantil, Ensino Fundamental e Médio, e os problemas relacionados ao acesso, permanência e a realização dos seus percursos educativos.

Além de abordagens territoriais e interseccionais, tendências internacionais de políticas e programas também tem se voltado à melhoria das condições da escola. Pode parecer uma obviedade tratar deste tema, mas há um histórico de iniciativas que, mesmo cheias de boas intenções, ignoram a realidade das equipes escolares e\ou as sobrecarregam com demandas que acabam por desviá-las do foco na aprendizagem dos estudantes. Não surpreende, portanto, que 81% dos diretores brasileiros gostariam de receber mais apoio das secretarias de educação – em comparação com 66% na média geral da OCDE (2021). Em 2018 a pesquisa Profissão Professor também mostrou porcentagens similares ao escutar professores do país inteiro. Nesse sentido, recomendações da OCDE para o Brasil incluem aumentar e melhorar a seleção e formação de gestores escolares, além de aprimorar a formação inicial e continuada para os docentes e, principalmente, as condições de trabalho do professor. Segundo o estudo, esta melhoria das condições do trabalho passa, necessariamente, pelo maior engajamento dos professores na formulação e implementação de políticas, na visão dos próprios docentes. Ainda nesse quesito, dados da TALIS (2018) já mostravam que menos da metade dos professores dos anos finais do Fundamental no Brasil tinham dedicação integral a uma mesma escola

Ainda no campo da melhoria das condições da escola, a dimensão da qualidade das relações (ou do clima escolar), assim como o âmbito das crenças e atitudes, tem ganhado mais força em estudos nacionais e internacionais. A pesquisa liderada por Roberta Azzi em escolas estaduais das regiões Norte e Sudeste (apoiada pelo Edital de Pesquisa dos Anos Finais do Ensino Fundamental) trata da importância da percepção de auto-eficácia dos alunos e seus efeitos na escolarização. Em que medida as crenças e atitudes de educadores fortalecem (ou prejudicam) as crenças positivas dos alunos sobre o processo de aprendizagem? De que forma essas crenças afetam o clima escolar? Essa é uma das provocações do estudo de Azzi e também em outros estudos, incluindo análises dos questionários do PISA. Quando comparamos os estudantes brasileiros com seus pares em outros países, os alunos brasileiros relataram baixo senso de pertencimento à escola e baixo clima disciplinar, que pode reduzir o engajamento e inibir a atividade pedagógica. A exposição ao bullying foi relatada pelos alunos com frequência maior do que a média geral do PISA.

Outro ponto relevante para a retomada com equidade é o currículo – e o Brasil tem uma conquista nesse sentido, com a Base Nacional Curricular Comum e a implementação dos currículos estaduais e municipais. A forma como se dará essa implementação, considerando o engajamento dos educadores, ganha ainda mais centralidade no atual contexto.  Por exemplo,  no âmbito do Edital Anos Finais da Educação Básica, a pesquisa na Secretaria Municipal de Canoas mostrou que a rede conseguiu fortalecer o trabalho colaborativo e o protagonismo dos educadores na formação continuada em serviço, a partir da aprendizagem entre pares. A ação versa sobre a implementação do currículo de forma a valorizar e compreender este envolvimento como parte do papel do educador e não uma ação desvinculada da sua prática. Assim, os próximos passos de implementação da BNCC podem partir desse e de outros aprendizados.

A experiência da Alemanha: hora de revisitarmos os erros e acertos do Mais Educação?

Outra tendência internacional de sucesso tem sido a criação de climas positivos de aprendizagem em todos os espaços da vida dos estudantes – dentro e fora da escola. Essa abordagem tornou-se, portanto, uma recomendação das políticas relativas à resiliência dos sistemas educacionais. A Alemanha tem se destacado nessa agenda, dialogando com experiências brasileiras mais antigas – e já descontinuadas – como o Educação Integrada de Belo Horizonte e o próprio Mais Educação, em seu desenho original. O programa Bündisse für Bildung (Alianças Educacionais), criado em 2013, proporciona aos estudantes de menor renda atividades extracurriculares dirigidas por alianças educacionais locais. Atores dos setores cultural, esportivo, educacional, assim como jovens, e pais\responsáveis são envolvidos na oferta de atividades educativas. 

O programa alemão visa promover o sucesso dos estudantes na educação, participação social e aprendizagem ao longo da vida. Os fornecedores desses serviços passam por uma capacitação e são incentivados a colaborar e compartilhar conhecimentos com outras alianças do país. Muitos conseguiram prosseguir em suas atividades com segurança durante a pandemia da COVID-19, proporcionando um apoio muito importante aos estudantes menos favorecidos economicamente no momento em que eles mais precisaram

Por meio da mobilização de atores locais, a Alemanha ampliou as oportunidades educacionais para os mais vulneráveis sem sobrecarregar os educadores. Os esforços de formação e os mecanismos destinados ao compartilhamento de boas práticas ajudam a promover atividades de qualidade, na perspectiva da equidade. A própria OCDE (2012) conclui em seus relatórios que reunir uma gama mais ampla de atores para fazer avançar o trabalho das instituições poderia ser uma maneira eficaz de o Brasil mobilizar recursos e aumentar a capacidade de resposta aos contextos locais. E reconhece o potencial de um programa nacional, que foi descontinuado, o Mais Educação. Vale lembrarmos que ao apoiarmos o Ministério da Educação numa avaliação de impacto do programa em 2015, apesar de não se encontrarem resultados em língua portuguesa e matemática, nossos estudos qualitativos e relatório final já apontavam que  o programa tinha obtido “enorme sucesso como política indutora da educação integral no Brasil, com velocidade de ampliação da cobertura que possibilitou o país estar mais próximo do alcance da meta 6 do Plano Nacional de Educação”. Os estudos de caso em municípios mostraram que havia significativa heterogeneidade na implementação. Ao mesmo tempo, as boas práticas mapeadas indicaram que o apoio técnico das Secretarias para as escolas participantes, em áreas como seleção e formação de monitores, planejamento e acompanhamento pedagógico das atividades, integração curricular, infraestrutura e mobilização das famílias faziam muita diferença na qualidade da oferta das ações do programa e em seus resultados.

Uso da tecnologia

Outra tendência que cresce, inclusive frente ao cenário do pós-pandemia, é a das políticas de uso da tecnologia na educação.  A pandemia expôs as dificuldades e a ausência de políticas estruturadas nesse campo. Ao mesmo tempo, com a Covid-19 os recursos tecnológicos passaram a ser vistos como ainda mais fundamentais para a modernização dos processos administrativos e pedagógicos. 

Análises e estudos como o relatório Boas Práticas do Educação Conectada (CEIPE\FGV 2021) e o Tecnologia e Conectividade da OCDE (2021), apontaram para o fato de que a tecnologia precisa ser aliada na recuperação e aceleração das aprendizagens no pós-pandemia.  Laptops, celulares, livros digitais, videoaulas, oficinas de robótica, jogos educativos e laboratórios de inovação compõem hoje um novo ecossistema de oportunidades para ensinar e aprender. Mas essa multiplicidade requer políticas mais sofisticadas, e em quatro eixos estratégicos: a) infraestrutura adequada; b) pessoas formadas, engajadas e apoiadas; c) um olhar cuidadoso para os dados educacionais e; 3) uma estratégia nacional consistente e bem coordenada

Igualmente importante é o diagnóstico adequado sobre as condições de implementação de dispositivos tecnológicos e as necessidades de formação por parte das secretarias e escolas. A análise do início do programa Educação Conectada revelou, por exemplo, que uma parcela considerável dos integrantes das Secretarias de Educação envolvidas na ação não dominava a seleção, aquisição e o uso de recursos educacionais digitais. Muitos desconheciam o próprio conceito de Recurso Educacional Digital (RED). Os próprios instrumentos de auto diagnóstico sobre a  infraestrutura  já existente nas escolas precisaram ser revistos. A implementação mostrou uma fragilidade logística, incluindo a qualidade da conexão – que se revelou num nivel muito mais abaixo do que inicialmente mapeado.

O monitoramento de experiências concluídas e em andamento também tem mostrado que não é suficiente oferecer capacitação técnica e infraestrutura. O engajamento de atores-chave em diferentes instâncias de decisão é essencial para aproximar os órgãos centrais das Secretarias das comunidades escolares– gestores, professores e alunos. Neste sentido, uma estratégia que tem se mostrado eficaz é a instituição de pontos focais por escolas.

Por fim, também é preciso focar na necessidade de modernização da gestão das próprias secretarias. Embora a transformação digital seja um imperativo mundial, a inexistência de sistemas de gestão escolar, a ineficiência dos processos de licitação\compra e a baixa experiência com ferramentas digitais ainda fazem parte da realidade de muitas secretarias de educação e escolas brasileiras.


Bagagem de mão:
O que levamos como aprendizados de 2021?

2021 foi marcado pelo uso do modelo de prospecção do Itaú Social, com o qual foram identificados 128 municípios prioritários, a partir de um conjunto de indicadores definidos com as equipes. Ao final do primeiro semestre, quase todos os municípios estavam inseridos em alguma ação ou apoio, em pelo menos um dos pilares de atuação da instituição.

Os indicadores estratégicos do primeiro semestre de 2021 revela alguns destaques que podem servir de insumos sobre oportunidades e desafios para 2022:

Embora a atuação geográfica do Itaú Social ainda esteja concentrada no Sudeste, em comparação a 2020 alguns programas institucionais aumentaram a diversidade regional dos participantes e instituições apoiadas, em especial nas regiões Norte e Centro-Oeste. Por exemplo, no programa Melhoria mantemos presença significativa no Nordeste (em especial através do Regional – Bahia), e aumentamos a participação em todas as outras regiões, quando comparamos com 2020.No Letras e Números, embora estejamos concentrados no Sudeste, ampliamos nosso alcance de participantes  no Centro-oeste (3,7 p.p), Norte (2,4 p.p) e Nordeste (2,3 p.p). O Investimento na Sociedade Civil teve aumento de instituições apoiadas no Norte e Centro Oeste, com uma queda na Região Nordeste. No âmbito dos pilares estratégicos, a distribuição regional de participantes seguiu a mesma tendência do ano passado, com leve aumento do Sudeste (Profissionais da Educação) e Nordeste (Fortalecimento da Sociedade Civil).

Apesar do desgaste que um segundo ano de pandemia impôs aos públicos prioritários, o alcance das ações, em termos de número de participantes, instituições apoiadas e crianças\adolescentes beneficiados, deve superar o desempenho do ano anterior, se comparado ao primeiro semestre de 2020. 

Cabe destacar também que as estratégias de disseminação tiveram um destaque no alcance de participantes. Como exemplo, as ações voluntárias, que sofreram impacto no início da pandemia no ano passado, tiveram um leve aumento nesse primeiro semestre, o que pode indicar uma gradual retomada até o final do ano. No Polo, o número de usuários dobrou em relação ao primeiro semestre de 2020 – em comparação com o acumulado de 2020, 46% do total já foi atingido.

Começamos o texto com a imagem da possibilidade de uma renovação na educação – não de volta a como era antes, mas de um começo com aprendizados que a própria pandemia trouxe. Nesse sentido, que espécie de Renascença na Educação podemos imaginar? Se voltarmos ao exemplo do Renascimento na Europa, mencionado no início do texto, podemos pensar o quanto aquela Renascença foi marcada pela volta à cultura grega, a um paradigma não só pautado no antropocentrismo, ao atribur ao ser humano uma posição de centralidade em relação a todo o universo, mas excludente no próprio contorno de quem  seria reconhecido como ser humano.  Hoje pensadores como Ailton Krenak nos convidam a imaginar um novo começo, a partir de um reconhecimento da prática e ciência dos povos originários, do ser humano não mais como centro, mas parte integrante do planeta, do cosmos. Como o próprio Krenak disse em uma live em agosto desse ano, para um grupo de estudantes:

“Eu tenho observado o fato de que os humanos estão convencidos de um ‘especismo’, é de entender que nós somos o problema e a solução. Parece que foi Einstein que teria dito que pensar a solução de um problema a partir do seu próprio paradigma é um equívoco. Então se o humano é o paradigma da questão do conflito com o planeta , com a complexidade biológica, com o organismo da terra, não vai ser o humano que vai resolver isso, vai ser extra-humano. É por isso que eu, sem alarde, sem exagero, acredito que o “especismo humano” cega a nossa capacidade de resolução. Quando a gente começar a ouvir outros seres não humanos, escutar a própria natureza, a floresta a montanha…”

“A gente não pode ter um encontro com jovens para dizer que o mundo acabou… O mundo não acabou. Nós estamos diante de muitas complexidades e isso só pode nos fazer pensar, refletir e buscar saídas. A cada tempo a gente tem um desafio. E a cada tempo a gente resolve isso. O que nós não podemos é ficar convencidos de que os humanos são ao mesmo tempo a origem do problema e a solução do problema. Isso seria egoísmo demais, pretensão demais. Vamos invocar as águas, as florestas, os rios, as chuvas, vamos invocar inclusive os tsunamis, pra eles nos ensinarem a respeitar a orla marinha. A gente tem muito o que aprender com aquilo que chamam natureza. Na verdade não existe natureza, nós somos também natureza.”

No que diz respeito a 2022, propomos as seguintes reflexões para aquecimento nas discussões em grupo:

  • Considerando nossa missão, quais são os desafios e oportunidades que temos frente aos aprendizados e possibilidades para a educação nesse novo mundo pós-pandemia?
  • Em que medida a formação remota e\ou híbrida se manterá como parte das nossas estratégias de formação? Quais as consequências desta decisão na implementação das ações em 2022?
  • Em que medida nossas ações planejadas endereçam a necessidade de redução das desigualdades interseccionais e de abordagens territoriais, ao mesmo tempo em que precisamos ter abrangência nacional?
  • Como imaginamos riscos e oportunidades para nossa atuação em um ano de eleições e grande probabilidade de agravamento da crise econômica e política? 
  • Que outras questões essa leitura nos provoca?  

Referências:

Todas as referências citadas durante o texto também podem ser encontradas abaixo

Pesquisas e artigos

Building an Education Renaissance during the COVID-19 Pandemic

Panorama Education Policy Outlook Brasil

Education Policy Outlook 2021 – Políticas Internacionais

Educação não presencial na perspectiva dos estudantes e suas famílias – Onda 5

Educação não presencial na perspectiva dos estudantes e suas famílias – Onda 6

Primeiríssima Infância – Interações na Pandemia: Comportamentos de pais e cuidadores de crianças de 0 a 3 anos em tempos de covid-19

Educação Escolar em Tempos de Pandemia

A situação dos professores no Brasil durante a pandemia 

Sentimento e percepção dos professores brasileiros nos diferentes estágios do Coronavírus no Brasil

Os impactos da pandemia de Covid-19 nas organizações da sociedade civil: conjuntura, desafios e perspectiva

Pesquisa Undime educação na pandemia – Onda 5

Censo Escolar 2020

O papel e o protagonismo da sociedade civil no enfrentamento da pandemia da Covid-19 no Brasil

Professores e territórios – Diferenças salariais e as desigualdades na educação

Índice Paulista de Vulnerabilidade Social

Profissão Professor

Sucesso escolar: em busca de estratégias para o fortalecimento de crenças de eficácia

Resultados Edital de Pesquisa Anos Finais do Ensino Fundamental

Boas Práticas do Educação Conectada

Tecnologia e Conectividade

Mais Educação

Comunidade, Presente! – Perfil das organizações da sociedade civil inscritas no primeiro edital de 2021

Consolidado de Indicadores Estratégicos 2021 – Itaú Social

Retratos da leitura – 5º Edição

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Juventudes e a Pandemia do Coronavírus (Covid-19)

Educação Escolar em Tempos de Pandemia

Investimento a longo prazo e mais autonomia para as OSCs

Como o novo coronavírus impacta as ONGs e os seus atendidos?

SÉRIE: OSCs e investidores: aprendizados e desafios a partir de mudanças de referenciais

A Educação de Meninas Negras em Tempos de Pandemia: O aprofundamento das desigualdades

Implementação da BNCC

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