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Seminário discute o papel dos investidores sociais no fortalecimento das organizações

Evento reuniu mais de 350 investidores, empresários e representantes de organizações da sociedade civil. Assista aos vídeos


Como investidores sociais podem contribuir para o fortalecimento das organizações da sociedade civil para que elas promovam verdadeiras transformações no território onde atuam? A pergunta foi uma das norteadoras do seminário realizado pelo Itaú Social, Instituto Unibanco, Laudes Foundation, Synergos, com apoio do Gife (Grupo de Institutos Fundações e Empresas), entre os dias 6 e 7 de outubro. O evento contou com a participação de mais de 350 investidores, empresários e representantes de organizações da sociedade civil. 

Assista aos vídeos de todas as discussões do evento 

De acordo com a superintendente do Itaú Social, Angela Dannemann, a pandemia foi um momento-chave na demonstração de competências das organizações da sociedade civil, já que elas reforçam sua capilaridade, credibilidade e legitimidade junto à população atendida. “Ao lado do investimento social privado, o número de recursos utilizados foi recorde, demonstrando também a capacidade de formação de alianças potentes, quando mais de R$ 7 bilhões foram mobilizados em ações de combate aos efeitos da pandemia, segundo a pesquisa Emergência Covid-19, realizada pelo Gife”, explicou.

Porém, ela destacou que estes recursos não foram destinados para os desafios institucionais, fundamentais para a manutenção destas organizações que estão na linha de frente. Angela citou como exemplos os custos com a logística de distribuição dos kits de alimentação e limpeza e com o levantamento de dados das famílias para priorizar entregas. “Estes são custos institucionais que não foram pensados no momento de socorro aos impactados pela crise”. 

Confira o especial “OSCs e investidores: aprendizados e desafios a partir de mudanças de referenciais”

Para o diretor da Fundação Ford no Brasil, Atila Roque, o investimento social privado precisa migrar de uma perspectiva “meramente caritativa” para uma que incorpora a defesa dos direitos fundamentais. “O investimento social privado, implica, antes de mais nada, em uma tomada de decisão clara em favor da democracia. No reconhecimento do papel central da cidadania ativa, buscando formas do cidadão, das organizações da sociedade civil, de levar em frente um projeto de afirmação que tenha em seu cerne uma política radical na luta contra as desigualdades, sobretudo decorrente de raça e gênero”, disse. 

Relacionamento
A mudança da perspectiva pode gerar um novo relacionamento entre investidores e organizações. O diretor de Editais da The Peter Cundill Foundation, John Rendel, que já esteve também do outro lado, quando trabalhou por 12 anos em escolas de Uganda e Zâmbia, revelou que sentia dificuldades nas relações com os investidores. “Essa relação é muito assimétrica. Enquanto uma parte tem muito dinheiro, a outra não tem quase nada. Uma parte tem muito poder e isso afeta a relação”, explica. 

Segundo ele, em uma pesquisa informal que fez na internet, organizações disseram preferir receber pouco dinheiro sem restrições impostas por fundos, do que receber uma grande quantidade com restrições. “Entendo que há boas razões para isso. Doadores querem ter um reconhecimento mais tangível na sua participação no projeto. Porém, há uma regra de ouro:  se você não confia na organização, não confie no projeto. Por outro lado, se você confia na organização, forneça os fundos de forma irrestrita”, sugeriu o diretor. 

A relação com as organizações da sociedade civil pode ser pautada sob uma perspectiva de escuta do que é emergente nos territórios, de diálogo, de pactuações e de relações de confiança, que possam facilitar e viabilizar parcerias mais efetivas. “Como investidores, precisamos revisar nossa linguagem, nossas práticas e nossos valores. O controle deverá dar lugar a autonomia e confiança, assim como as trocas significativas, pois todos nós temos contribuições a fazer”, explicou a superintendente do Itaú Social. 

No evento, destacou-se que é preciso considerar o ambiente das organizações, formado por valores culturais e laços afetivos. Para o consultor de desenvolvimento institucional de OSCs, Domingos Armani, uma mudança sistêmica no território depende de investimentos de longo prazo e de uma rede de instituições de diversos tipos para que se sustente um processo de mudança. “É importante valorizar a inteligência coletiva, pensar em rede, em conexões e em ecossistemas.”

Nova perspectiva
A experiência do Itaú Social, de 28 anos de atuação junto às organizações da sociedade civil, foi compartilhada pela gerente de Fomento do Itaú Social, Camila Feldberg. Para ela, é fundamental que as duas partes – financiador e instituição apoiada – estabeleçam uma relação de confiança. 

“Nós, investidores, também temos de estar abertos para ouvir sobre as nossas próprias fragilidades. Quando nós nos dispusemos a olhar para os nossos programas, a partir dos diálogos com as OSCs, descobrimos que muitas faziam outras ações estratégicas, às vezes até mais relevantes do que o projeto que apoiávamos”, contou. 

Camila citou algumas situações em que a organização, mesmo com recursos aprovados para um projeto, informou que poderia fechar as portas porque não tinha dinheiro para pagar o aluguel ou salário das equipes. “Começamos a pensar como poderia fazer uma contribuição mais efetiva, um apoio real, para que elas conseguissem melhorar ou se preparar para outros desafios”, recordou.

Um dos projetos de desenvolvimento institucional do Itaú Social é o Missão em Foco, que acompanha as organizações em ciclos de cinco anos. As selecionadas recebem apoio técnico e recursos financeiros flexíveis que podem ser aplicados conforme suas necessidades, como estrutura, recursos humanos, comunicação, planejamento, inovação, monitoramento de resultados e sustentabilidade econômica. 

Confira as organizações selecionadas em 2021 para o Missão em Foco

Participaram também das mesas os especialistas: Scott Dupree (Regis University – EUA); Vanessa Lucena, representando Amalia Fischer (Fundo Elas); Fabio Almeida (Laudes Foundation); Athayde Motta (Abong); Gustavo Bernardino (Gife); Tiago Borba (Instituto Unibanco); Erika Sanchez Saez (Instituto ACP); Gracia Goya (Hispanics in Philanthropy); Fabio Almeida (Laudes Foundation); Camila Feldberg (Itaú Social) e Silvia Morais (Synergos).