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“Só faz sentido o que é sentido”

A Argilando promove o voluntariado por meio do diálogo com pessoas, empresas e organizações do terceiro setor


Voluntária da Argilando durante entrega das cestas básicas: ação apoiada pelo programa Comunidade, Presente! Foto: Arquivo Argilando

Por Wallace Cardozo, Rede Galápagos, Lauro de Freitas (BA)

Quando o assunto é trabalho voluntário, é possível se envolver com a causa ambiental, fazer doação de roupas e alimentos, resgatar animais abandonados ou ajudar estudantes de baixa renda, por exemplo. A variedade de opções para o voluntariado é tão grande que muita gente até tem vontade de praticar, mas não sabe por onde começar. A partir dessa inquietação, um grupo de colegas fundou a organização Argilando, no Rio de Janeiro. Seu objetivo é criar oportunidades para que pessoas, empresas e organizações trabalhem em busca de soluções para questões sociais.

No início da pandemia da Covid-19, a Argilando elaborou um plano emergencial para atender pessoas beneficiadas por alguns dos projetos que mantém. A instituição foi apoiada pelo programa Comunidade, Presente!, do Itaú Social, que beneficiou milhares de famílias com a distribuição de cestas básicas, kits com produtos de higiene e gás de cozinha. A ação foi realizada por intermédio das organizações da sociedade civil (OSCs), que já possuíam atuação em seus respectivos municípios.

O carro-chefe da Argilando é o projeto 365 Dias de Agir, um calendário global que divulga diariamente ações de voluntariado. Outras iniciativas de destaque são a Mini Gentilezas, voltada à população em situação de rua, além da Levantando a Bola e a Semente, que buscam oferecer esporte e aulas de reforço escolar, respectivamente, a crianças e adolescentes de comunidades periféricas. Ao todo, há 13 projetos e quatro campanhas à disposição de quem quiser iniciar uma jornada de voluntariado.

Apoio de organizações parceiras
“Esses projetos nascem porque a demanda das pessoas é maior do que o que já temos a oferecer”, conta Pedro Marcondes, diretor executivo e presidente da Argilando e um de seus fundadores. Ele explica que a organização funciona como um ecossistema de projetos sociais e que o nome é uma metáfora. “Nossa proposta não é ajudar alguém, mas fazer junto. O uso do gerúndio remete à continuidade da transformação.” Hoje, a maior parte da atuação direta da Argilando está concentrada na capital do Rio de Janeiro e em sua região metropolitana. Entretanto, alguns dos projetos são globais. O 365 Dias de Agir já realizou ações em 31 países.

Quando a pandemia chegou, o foco do plano de atendimento emergencial esteve nas famílias de crianças e adolescentes atendidas pelos projetos da Argilando e nos públicos mais vulneráveis das instituições com as quais a organização atua. Contemplada pelo programa Comunidade, Presente! nos anos de 2020 e 2021, a Argilando forneceu, mensalmente, 104 cestas básicas na primeira edição e 408 na segunda. Em ambos os casos a ação durou quatro meses. “Temos consciência de que os alimentos não atendiam integralmente às demandas do mês, mas complementavam e garantiam a segurança alimentar”, diz Pedro.

A Argilando ficou responsável pela aquisição e pela logística das cestas, enquanto 12 instituições parceiras realizavam as entregas e resolviam todo o processo burocrático de documentação, como registros e recibos. Para o presidente da Argilando, as parcerias são fundamentais para a execução de projetos no terceiro setor. “Um procedimento tão simples como uma entrega de cestas básicas envolve várias etapas até que os produtos cheguem à família.” “O apoio das instituições parceiras e dos voluntários é fundamental”, conclui.

Foco no coletivo
O planejamento precisou levar em conta alguns fatores específicos. Por exemplo, a cesta básica não podia ser muito grande ou pesada porque houve momentos em que ela foi resgatada por uma pessoa idosa ou uma criança. Além disso, foi preciso ter atenção com as medidas sanitárias por causa da pandemia. “Toda a logística muda. Não era mais possível chamar todo mundo e organizar uma fila.” Os espaços precisavam receber as pessoas em pequenos grupos. Em alguns casos, as entregas foram feitas nas residências.

A ideia de fazer junto sempre é reforçada com os voluntários, assim como o respeito às pessoas beneficiadas pelos projetos. “Não estou fazendo um favor. É um direito daquela pessoa, e eu sou apenas uma ponte”, enfatiza Pedro Marcondes, que também é professor de um MBA (sigla para mestrado em administração de empresas, em inglês) na área do voluntariado. Para ele, a experiência mostra que essa postura gera um conforto maior em quem está recebendo algum benefício. “As vulnerabilidades existem, mas elas não pertencem às pessoas, e sim à sociedade. Temos a responsabilidade de tratá-las, coletivamente.” Nos dois anos, as cestas básicas chegaram a 13 comunidades do Rio de Janeiro e da região metropolitana.

Formado em direito, o capixaba Pedro Marcondes se encontrou mesmo no terceiro setor: “Saí do mercado de trabalho formal e fui transformar um projeto de amigos numa associação”. Foto: Arquivo pessoal

Confiança tece a rede
Além do desenvolvimento de tecnologias sociais, a Argilando presta consultoria em responsabilidade social e voluntariado empresarial. A proposta é ajudar empresas a construir, manter ou aprimorar programas voltados para a área social. Para organizações de caráter comunitário ou beneficente, o suporte é gratuito.

Em atuação desde 2004, a Argilando funciona como uma porta de entrada para quem quer conhecer o universo do trabalho voluntário. “A base do terceiro setor são a confiança e a credibilidade. As pessoas querem fazer, mas precisam confiar e saber por onde começar”, destaca Pedro. A organização mobiliza entre 2 mil e 3,5 mil voluntários por ano. Sozinho, o 365 Dias de Agir envolve em média 500 pessoas por edição. “Os projetos não aconteceriam sem a rede de voluntários, pois nossa equipe tem apenas quatro pessoas.”

O lema da Argilando é “Só faz sentido o que é sentido”. A organização defende que todas as pessoas têm uma motivação particular para trabalhar em prol de alguma causa, baseadas em suas respectivas histórias de vida. A quem deseja experimentar, o conselho de Pedro é começar fazendo uma doação. “Dê uma oportunidade para si, para quem está em volta e para aquelas pessoas que ainda não conhece. É uma chance de vivenciar ações que geram prazer e propósito. Para desejar participar de algo, é preciso conhecer”, conclui.

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