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Por amor ao próximo

Em João Pessoa (PB), grupo de funcionários do banco Itaú completa seis anos de ações sociais realizadas de forma voluntária


Alecsandra: “A recompensa do trabalho voluntário é ver um sorriso no rosto de quem precisa daquela ajuda”. Foto: Arquivo pessoal

Por Wallace Cardozo, Rede Galápagos, Salvador
Depoimento de Alecsandra Soares, funcionária do banco Itaú e voluntária no Comitê Mobiliza João Pessoa

Era fim de expediente numa terça-feira comum, em 2019. Como de costume, saí da agência onde trabalho rumo a um merecido descanso em casa. Ao passar por um local conhecido como Praça dos Três Poderes, no centro da cidade, vi um ônibus estacionado, com algumas pessoas à sua volta. Fiquei intrigada, mas segui o meu caminho. Na semana seguinte, outra terça-feira comum, mesmo horário, mesmo local e mais pessoas ao redor do mesmo ônibus. Fui até ele.

Quando cheguei mais perto, entendi do que se tratava. Era um ônibus equipado com um banheiro para que pessoas em situação de rua pudessem tomar banho. Ali também acontecia distribuição de alimentação, roupas e cobertores. A terça-feira era o dia fora do comum para aquelas pessoas. Entre elas, havia algumas famílias com crianças. Achei a ação muito bonita e logo busquei saber como eu poderia contribuir.

Faço parte do Comitê Mobiliza João Pessoa, um grupo de funcionários do banco Itaú que realiza ações sociais no município, de forma voluntária. Trabalhamos com diversos públicos, mas temos maior participação em escolas e organizações da sociedade civil que atendem crianças e adolescentes. Para as mães, oferecemos oficinas de educação financeira, com foco no uso consciente do dinheiro.

Descobri que a ação do ônibus era realizada por fiéis de uma igreja e conversei com o líder religioso. Escutei suas demandas e coloquei o comitê à disposição para dedicar atenção às crianças e aos adolescentes da praça. Além disso, soube que havia uma empresa que doava os alimentos, porém as doações de roupas e materiais de higiene estavam com os dias contados. 

Alguns dias depois — e pelos três meses seguintes —, passamos a fazer rodas de brincadeiras com as crianças e adolescentes, organizando-os em grupos. Pular corda era a atividade campeã de preferência e engajamento, mas também brincávamos de pique-esconde e amarelinha. Era comum que eles inventassem as próprias brincadeiras e ensinassem a nós, do comitê. Chegávamos lá após o expediente, por volta das 19 horas, e ficávamos até as 22.

Tivemos sucesso na campanha para arrecadar roupas e materiais de higiene, como escova e creme dentais, sabonete e absorvente. Algumas colegas do banco haviam dado à luz havia pouco tempo e doaram roupinhas e outros itens de bebê, o que deixou muito feliz uma jovem gestante que já tinha relatado preocupação quanto ao enxoval básico do neném. Eram cerca de 10 crianças quando chegamos, e no segundo mês esse número já se aproximava de 50. Compramos mais duas cordas para dar conta das longas filas que se formavam.

Com o tempo, tivemos alguma dificuldade para conseguir voluntários que se engajassem a ir regularmente à praça. Ter mais crianças significava ter mais trabalho para cuidar e evitar que elas se dispersassem. Alguns familiares de voluntários do comitê e as pessoas da igreja pegaram o jeito e demos conta, de outubro a dezembro. Organizamos uma grande festa de Natal, com farta ceia, consultas médicas, corte de cabelo e distribuição dos kits de higiene arrecadados. Foi uma noite de muitas lágrimas de alegria, de todas as partes.

Essa é uma das histórias de que mais gosto na minha trajetória de voluntária. Ter um tempo dedicado a ajudar o próximo é enriquecedor. Às vezes, um abraço pode mudar completamente o dia de uma pessoa. Gosto de levar momentos de felicidade para as pessoas desde pequena, quando já participava de ações sociais na igreja que frequentava. Se hoje vivo confortavelmente, não posso ser feliz olhando apenas para o meu mundo. Voluntariar-se é um ato de amor.

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