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No contexto da pandemia, guias para uso dos Mapas de Foco nas redes de educação e nas escolas auxiliam gestores e professores a definir quais aprendizagens priorizar no currículo


Katia Smole, do Instituto Reúna, na transmissão de lançamento dos guias: “Todos precisam sentir que fazem parte de uma grande rede”. Imagem: YouTube/Itaú Social

Por Maria Ligia Pagenotto, Rede Galápagos, São Paulo

Gestores educacionais e professores ganharam duas importantes ferramentas para apoiá-los no percurso de formação e aprendizagem neste momento especialmente delicado para a educação brasileira. Para aprimorar o trabalho que vem sendo realizado desde o ano passado com os Mapas de Foco alinhados à Base Nacional Comum Curricular (BNCC), o Itaú Social lançou guias de uso dos Mapas de Foco em duas versões, uma voltada para as redes e outra para as escolas. Os novos produtos foram apresentados à comunidade de educadores em uma transmissão pelo YouTube que pode ser vista neste vídeo

O material foi elaborado pelo Instituto Reúna, o mesmo parceiro que se dedicou à produção dos Mapas de Foco da BNCC,  lançados em 2020. Os mapas trazem uma seleção de habilidades focais para cada ano do ensino fundamental, e seu principal objetivo é ajudar a orientar a flexibilização curricular e a escolha de conteúdos neste atual contexto. Tendo à frente a diretora do Reúna, a educadora Katia Smole, ex-secretária de Educação Básica do MEC, o trabalho soma-se aos esforços no conjunto de ações realizadas pelo Itaú Social e parceiros dentro do cenário de desigualdades e adversidades da educação — situações que se acirraram com a pandemia. “Os guias Mapas de Foco nas Redes de Educação e nas Escolas — Guia para 2021 e 2022 têm como proposta trabalhar de forma sistêmica questões que se apresentam nesse contexto”, diz Claudia Petri, coordenadora de implementação regional no Itaú Social.

De forma geral, o material apresenta uma série de orientações voltadas às atividades deste ano e do próximo, com um conjunto de sugestões que auxiliam no planejamento e implementação do processo de flexibilização curricular, que se tornou extremamente necessário neste momento. Katia Smole diz que os professores e gestores, em sua maioria, confiam muito no que propõe a BNCC. Mas, diante da conjuntura em que vivemos, com os alunos afastados de aulas presenciais há cerca de um ano, perguntam-se como dar conta do que a base oferece.

Versão para redes de ensino
“Os guias colaboram para fazer o recorte do conteúdo”, explica Claudia. Na versão voltada para as redes, o material procura dar às equipes técnicas das secretarias de Educação e gestores escolares algumas respostas a essa questão tão complexa que são as expectativas de aprendizagem da BNCC. A publicação considera o trabalho pedagógico das redes no contexto do continuum curricular 2021-2022. Nesse sentido, traz pontos importantes para os gestores desenvolverem com os professores, como orientações sobre a priorização de aprendizagens descritas no referencial do currículo da rede, por exemplo.  

A publicação também oferece diretrizes sobre o desenvolvimento de avaliações, funciona como apoio para formação e, ainda, opera como uma espécie de bússola na curadoria dos materiais didáticos a que os educadores têm acesso. Em suma, o guia traz sugestões de organização dos processos que envolvem a flexibilização curricular, no tocante a currículo, formação, avaliação e material didático. Katia enfatiza que a rede de gestores precisa não só levar ideias e informações aos professores, mas, fundamentalmente, tem de zelar por esse processo. “Tem de estar junto, pois todos precisam sentir que fazem parte de uma grande rede.” 

Versão para escolas
O guia das escolas é voltado para coordenadores pedagógicos estruturarem e realizarem encontros formativos com suas equipes de professores, ofertando trilhas compostas de um conjunto de pautas organizadas por etapa (anos iniciais e anos finais) e área componente. 

As formações foram planejadas para os vários momentos das aulas — híbridas, à distância ou presenciais, de acordo com Katia.

Claudia Petri: formações e insumos para que os gestores e educadores se apropriem dos conhecimentos de que precisam neste momento. Imagem: YouTube/Itaú Social

A ideia da construção desses mapas visa a formação dos professores, para que identifiquem como priorizar as aprendizagens, planejem as práticas de ensino e sejam capazes de elaborar as estratégias que usarão com seus alunos. As pautas, ressalta Katia, servem para promover reflexões sobre o trabalho que está sendo realizado, sob a ótica de alguns aspectos bem pontuais: planejamento de aula, práticas avaliativas, escolha de materiais didáticos e gestão da sala de aula. 

Muito além da aprovação
As novas ferramentas surgiram a partir do olhar da equipe do Instituto Reúna para a situação enfrentada pelos educadores. Os Mapas de Foco foram lançados no ano passado, numa situação ainda incerta sobre o que seria possível prever para a atividade escolar. O contexto das aulas remotas se estendeu, com muitas escolas trabalhando apenas nesse modelo desde março de 2020.

O Instituto Reúna, preocupado em otimizar o apoio, especialmente no processo do continuum curricular 2020-2021, se debruçou na elaboração dos guias. A ideia por trás do continuum curricular proposto pelo Conselho Nacional de Educação é evitar que os alunos sejam retidos. Trata-se de uma forma de organização de tempo e de aprendizagens pensada para diminuir as defasagens geradas pelo ano de 2020, e ainda garantir as habilidades necessárias para os alunos em 2021 e, provavelmente, 2022.

Diante desse desafio — e mantendo os objetivos de aprendizagem previstos pela BNCC —, o  conceito de flexibilização curricular ganhou força e merece especial atenção. “Como considerar, diante das competências propostas pela BNCC, as aprendizagens essenciais?”, questiona Claudia, enfatizando que os guias vêm justamente para apoiar os educadores a buscar essa resposta de uma maneira mais estruturada e sistêmica.

Pesquisas feitas pelo próprio Itaú Social e por parceiros, desde o início da pandemia, têm analisado em detalhe o cenário da educação nesse contexto marcado pelo aumento da desigualdade e por desafios para a aprendizagem. O grupo de estudantes que não estão evoluindo nos estudos, não estão motivados e manifestaram possibilidade de desistir da escola cresceu de 26%, no início da pandemia, para 40% neste ano. Esse dado é um dos destaques da sexta onda da pesquisa Educação Não Presencial na Perspectiva dos Estudantes e Suas Famílias, realizada pelo Datafolha e encomendada pelo Itaú Social, Fundação Lemann e Imaginable Futures. “Há questões sociais e familiares importantes envolvidas, além de situações de luto que colaboram para esse afastamento da escola”, observa Claudia. “Os dados mostram que não é possível desenvolver todas as habilidades previstas nos referenciais curriculares; por isso é imprescindível a flexibilização curricular bem planejada, orientada.”

Ilustração do vídeo de lançamento: soluções no site do Instituto Reúna. Imagem: YouTube/Itaú Social

O apoio das formações on-line
Este é, portanto, um momento em que educadores e gestores de educação precisam estar ainda mais preparados para exercer sua função. No Polo, o ambiente de formação do Itaú Social, há uma série de cursos relacionados aos Mapas de Foco da BNCC, incluindo os guias dos quais se está falando aqui. E é nesse mesmo ambiente que podem ser acessadas formações especialmente elaboradas para apoiar o educador neste momento, dentro do percurso Educação na Pandemia. São orientações autoformativas, organizadas por temas, que servem para sensibilizar sobre questões que depois podem ser mais aprofundadas.

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