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Parceiros na educação

Juntos por mais valor à vida

Em Rolim de Moura (RO), iniciativa conjunta de associações proporcionou o ensino de música, esportes, culinária e artesanato a 300 crianças e adolescentes de bairros periféricos


Aula de musicalização na PreparArte. Foto: Leandro Luzini da Cunha

Por Wallace Cardozo, Rede Galápagos, Salvador (BA)

Amós de Barros Eler é apaixonado por música. Aprendeu a tocar violão e outros instrumentos em casa, onde treinava com o pai e os irmãos. Há mais de 20 anos, mora em Rolim de Moura, no estado de Rondônia. Foi lá que o seu sonho passou a ser compartilhado com centenas de jovens, quando idealizou e fundou o projeto de musicalização PreparArte, em 2006. “Eu queria repassar os meus conhecimentos musicais e comecei a convidar pessoas para ensinar”, conta, ao lembrar que, no início, dava aulas de violão sozinho para dezenas de alunos.

O sonho era enorme, mas a realidade ainda era simples. O espaço utilizado era uma sala cedida pela igreja que frequentava. No fim do ano, 38 pessoas participaram do recital, uma espécie de cerimônia de formatura para celebrar a conclusão do ciclo de aulas. O sucesso foi tanto que a demanda de pessoas inscritas para as aulas quase triplicou. Amós precisou convocar alguns dos formados na primeira turma para atuar como monitores dos mais de 120 novos alunos. Não adiantou. A sala era pequena e a ajuda dos voluntários não estava sendo suficiente. Naquele momento, foi preciso recuar, e no fim do ano apenas um terço dos alunos conseguiu concluir o curso. 

O professor de música percebeu que havia procura para fazer muito mais, mas esbarrava na falta de recursos. “O projeto acabava não sendo totalmente social porque dávamos aulas gratuitas, mas apenas para quem já tinha os instrumentos”, lembra. Eram oferecidas aulas de violão, teclado e guitarra. Em 2008, apareceu uma oportunidade que mudaria os horizontes de Amós. Foi anunciado o primeiro curso superior em música do estado de Rondônia, para o qual ele foi aprovado no vestibular. O polo ficava em Ariquemes, a cerca de 280 quilômetros de Rolim de Moura. Como o curso era semipresencial, constantemente era preciso estar fora da cidade. “Nesse período, demos aulas para menos alunos, mas já aplicando os conhecimentos que eu estava adquirindo no curso e treinando instrutores”, conta.

Com a conclusão do curso, em 2012, Amós retornou para a rotina anterior, dessa vez com muito mais conhecimento acumulado e vontade de ampliar o alcance da PreparArte. Para isso, reduziu o tempo do curso de um ano para seis meses. “Trabalhamos com musicalização e disciplina e temos certeza do resultado. Todos saem daqui tocando muito bem”, garante. Com o dobro de alunos por ano, a criação de duas orquestras e a aquisição de outros instrumentos musicais, a necessidade de formalização da instituição ficava cada vez mais evidente. Com um Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica (CNPJ), a PreparArte passou a dialogar mais com outras associações e a concorrer em editais.

O projeto “Protegendo a Menor Idade, Garantindo o Futuro e a Igualdade”, escrito por Amós em parceria com o Conselho Municipal dos Direitos da Criança e do Adolescente (CMDCA) de Rolim de Moura, esteve na lista dos aprovados no Edital Fundos da Infância e da Adolescência (Edital FIA), no ano de 2021.

O edital é parte do programa IR Cidadão, do Itaú Social, que estimula os colaboradores do Itaú a destinar parte de seu imposto de renda devido aos Fundos da Infância e da Adolescência (FIAs). Já no preenchimento da declaração do imposto de renda, qualquer contribuinte pode destinar até 3% de seu imposto de renda devido aos FIAs, ação que também é incentivada pelo Itaú Social.

Violão foi o primeiro instrumento a ser ensinado na PreparArte. Foto: Leandro Luzini da Cunha

Hoje pós-graduado em ensino musical e especialista em gestão de projetos, Amós viu no edital uma oportunidade de envolver outras instituições do terceiro setor que atuavam no município. Dessa forma, a PreparArte e outras oito associações compõem a gestão da iniciativa, que oferece a crianças e adolescentes de Rolim de Moura uma série de atividades. O idealizador da proposta explica que a ideia era criar uma rede de oportunidades nas localidades mais periféricas. “Os alunos são os mesmos que frequentam as escolas desses bairros, e essas associações os atendem em suas próprias comunidades.”

Cerca de 300 crianças e adolescentes participaram de pelo menos uma das ações promovidas pela organização. Alguns exemplos são laboratório de informática, projeto de leitura, curso de culinária, oficina de artesanato, escolinha de futebol e atividades que visavam promover a melhoria da escrita.

Por meio do Edital FIA, cerca de R$ 11 milhões foram repassados a 42 municípios de 16 estados para a execução de projetos como o que aconteceu em Rolim de Moura. Amós considera que iniciativas como a do Itaú Social incentivam instituições do terceiro setor a continuar atuantes. “Quando comecei, em 2006, eu já podia visualizar o que acontece agora. Hoje estou ainda mais empolgado”, afirma. Seu projeto mais ambicioso já está em execução: uma sede própria da PreparArte, com várias salas, auditório, museu, estúdios e sala de luthier. “Quando vejo as famílias sendo gratas, entendo que tudo isso é sobre agregar valor à vida”, conclui.

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