Ir para o conteúdo Ir para o menu Ir para a Busca

AGÊNCIA DE

Notícias

Boas lições

Encontro marcado com o ensino

Iniciativas de colaboração intermunicipal de várias regiões do país discutem inclusão, equidade e qualidade de ensino em reuniões preparatórias para a Conferência Nacional de Educação deste ano


Fernanda Martins Rodrigues, assessora da CTE do Ciapra Baixo Sul, na Bahia (à direita, embaixo, de blusa verde), em uma das reuniões preparatórias: “Acreditamos que no coletivo seremos mais fortes e faremos a diferença em nosso território”. Foto: Arquivo pessoal

Por Afonso Capelas Jr., Rede Galápagos, Porto Seguro (BA)

A Conae 2022, Conferência Nacional de Educação, começa no dia 23 de novembro em Brasília, mas já está mobilizando instituições municipais de educação de várias regiões do país em torno do tema deste ano: “Inclusão, equidade e qualidade”. Na sua quarta edição, o evento foi idealizado para envolver democraticamente sociedade e poder público na discussão de ações para a evolução e o fortalecimento do Plano Nacional de Educação (PNE). Mesmo em meio às adversidades da pandemia, diversas redes de colaboração intermunicipal já viabilizaram reuniões preparatórias, presenciais ou on-line, com participação de representantes do setor. O Consórcio de Municípios do Baixo Sul (Ciapra), na Bahia, e o Colegiado de Gestão em Educação da Região da Foz do Rio Itajaí (CoGemfri), em Santa Catarina, por exemplo, produziram algumas dessas reuniões iniciais para a Conae desde 2021 com muito êxito. O Itaú Social apoia e incentiva a cooperação entre essas redes municipais, por meio da Rede de Colaboração Intermunicipal em Educação.

Na Bahia, o Ciapra Baixo Sul fez três conferências intermunicipais de educação preparatórias para a Conae 2022. A mais recente aconteceu em dezembro do ano passado na cidade de Gandu. Antes, em junho de 2018, havia sido oficialmente constituída a Câmara Técnica de Educação (CTE) do Ciapra Baixo Sul com a eleição de uma comissão executiva e uma comissão de ética. Com o tema “Em defesa da democracia, da diversidade e da educação pública com participação popular”, o encontro uniu em debates de ideias professores, diretores, famílias, alunos e da sociedade civil dos municípios participantes do consórcio no território do Baixo Sul baiano (veja na lista)


Diálogo e participação
Além das dificuldades impostas pela pandemia, o Ciapra precisou vencer as barreiras provocadas pelas condições climáticas para conseguir fazer os encontros. No ano passado, o sul da Bahia enfrentou longas tempestades com enchentes e outros transtornos. “A princípio as conferências foram presenciais, mas tivemos que concluí-las virtualmente. As chuvas fortes afetaram alguns dos municípios”, conta Fernanda Martins Rodrigues, assessora da CTE do Ciapra Baixo Sul. “A conclusão no formato virtual na plataforma Google Meet contou com mais de 70% dos participantes e conseguimos discutir os eixos temáticos disponibilizados nos cadernos de orientações da C

  • Aratuípe
  • Cairu
  • Camamu
  • Gandu
  • Ibirapitanga
  • Igrapiúna
  • Ituberá
  • Jaguaribe
  • Nilo Peçanha
  • Presidente Tancredo Neves
  • Taperoá
  • Teolândia
  • Valença
  • Wenceslau Guimarães
Fim da lista

Para organizar as conferências, o pessoal do Ciapra Baixo Sul manteve diálogo prévio com representantes dos municípios para que colocassem em pauta suas necessidades e o desejo de participar dos encontros. “Fizemos a primeira reunião territorial expondo os principais pontos do que seria de fato uma conferência intermunicipal, quais etapas a percorrer, os documentos que teríamos de organizar e quais agentes deveriam participar das comissões que se formariam, para então dar início ao processo”, explica Fernanda. 

A adesão foi quase total, com participação de 13 dos 14 municípios consorciados. E outros dois municípios solicitaram inclusão nas conferências. “Seus representantes entenderam que seria o melhor meio de organizar algo de tamanha importância para a nossa educação. Assim, aceitamos a vinda de mais duas cidades para a III Conferência Intermunicipal”, esclarece Fernanda. “A receptividade dos municípios nesse processo foi o melhor ingrediente para o sucesso da nossa conferência”.

Espírito cooperativo
Muitas reuniões virtuais e algumas presenciais foram realizadas para planejar a logística do evento. Várias questões foram discutidas, entre elas quantos seriam os participantes, como elaborar o material gráfico e o esquema adequado de deslocamentos. Tudo foi feito em comum acordo. Um dos pontos cruciais para a participação na conferência intermunicipal: cada município deveria organizar suas pré-conferências para discutir e afinar os temas abordados. Daí então eles poderiam escolher os seus participantes para o encontro intermunicipal. “A organização de todos os envolvidos foi o elemento-chave para que tudo ocorresse de acordo com o planejado”, relata a assessora da CTE do Ciapra Baixo Sul. 

A temática discutida na conferência intermunicipal teve como referências os documentos do Conselho Estadual de Educação da Bahia (Ceed) e da própria Conae, somando seis eixos de pauta, debatidos em salas específicas. Para Fernanda Rodrigues, o empenho e a união dos municípios foram notáveis em todas as etapas das reuniões e mesmo depois delas: “O espírito colaborativo é algo que visivelmente estamos presenciando. A cada momento nos vemos juntos discutindo o que é bom para o todo, e não apenas para cada município de forma individualizada. Acreditamos que no coletivo seremos mais fortes e faremos a diferença em nosso território, que a cada dia vem crescendo justamente por lutarmos sempre juntos”.

Registro feito durante visita técnica dos representantes do CoGemfri aos órgãos de educação e administração pública em Brasília, em 2021. Foto: Arquivo pessoal

Plenárias intermunicipais
Assim como no sul da Bahia, as conferências intermunicipais de educação no Sul do país, especificamente em municípios do estado de Santa Catarina, tiveram grande participação. Lá, o Colegiado de Gestão em Educação da Região da Foz do Rio Itajaí (CoGemfri) conseguiu a total adesão dos 11 municípios-membros (veja na lista).

Entre os integrantes da Rede de Colaboração Intermunicipal de Educação apoiada pelo Itaú Social, este foi o segundo território a promover encontros com representantes das cidades da região. A etapa intermunicipal aconteceu em outubro de 2021 com 300 participantes. “Fomos extremamente organizados. Fizemos duas reuniões semanais, uma com cada comissão. Depois, estruturamos e publicamos todos os documentos nos sites da Associação de Municípios e das prefeituras envolvidas”, descreve Gilmara da Silva, coordenadora do CoGemfri. 

  • lneário Camboriú
  • Balneário Piçarras
  • Bombinhas
  • Camboriú
  • Ilhota
  • Itajaí
  • Itapema
  • Luiz Alves
  • Navegantes
  • Penha
  • Porto Belo
Fim da lista

O CoGemfri recebeu o apoio necessário para reunir os coordenadores de plenárias no dia da etapa intermunicipal regional em um espaço com salas separadas por eixos temáticos no Centro Universitário Avantis (Uniavan), no Balneário Camboriú. “Muitos estudos e alinhamentos aconteceram nessas reuniões e todas as deliberações passaram pelo colegiado de secretarias de Educação”, explica Gilmara. Depois desses encontros preparatórios, a etapa estadual da Conae 2022 na região do CoGemfri aconteceu de forma virtual entre 26 e 28 de abril deste ano, com todos os representantes municipais da área de educação. “O interesse foi tão grande que tivemos de fazer um sorteio. Não havia vagas em todos os segmentos da educação ou da sociedade civil estipulados para nossa regional”, explica a coordenadora do CoGemfri. 

Espaço de democratização
Bem preparados, os territórios catarinense e baiano agora depositam grandes esperanças para a educação na conferência nacional prevista para novembro, em Brasília. “Esperamos que o resultado das nossas discussões e de todas as outras regiões do país apareça de forma crítica e consistente no evento nacional”, enfatiza Gilmara da Silva. Ela acredita que o documento final do encontro deve servir como uma referência, a base para o próximo Plano de Educação, que vigorará no decênio subsequente. “Só assim avançamos nacionalmente: com dados reais e considerando todas as diversidades do país, do ponto vista econômico, social, cultural e educacional, propondo metas e estratégias exequíveis e que atendam aos preceitos da igualdade, da equidade e da inclusão”, conclui. 

No sul da Bahia, os integrantes do Ciapra Baixo Sul também estão ansiosos por bons resultados depois dos esforços de união dos representantes municipais pela educação. “Que a Conae 2022 seja um espaço de democratização das propostas construídas a partir das bases municipais e estaduais, representadas por diferentes sujeitos da sociedade, que seja uma conferência mediada pela equidade para a promoção de uma educação pública de qualidade”, deseja Ilizete da Hora de Jesus, professora na cidade baiana de Ituberá. 

Saiba mais 

Leia mais 

Assine nossa newsletter

Com ela você fica por dentro de oportunidades como cursos, eventos e conhece histórias inspiradoras sobre profissionais da educação, famílias e organizações da sociedade civil.