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Reunidos pela Amvapa, municípios do sudoeste paulista fortalecem estratégias conjuntas em favor da educação durante a pandemia


Aluno João Vitor, Escola Municipal Dom Athanázio Merkle, em Itaporanga (SP), em videoaula sobre o Dia do Circo . Fotos: Amvapa/Divulgação
Anthony Samuel da Veiga Rocha, aluno do Centro de Educação Infantil Irene Lança Ribeiro, em Fartura (SP), em exercício de percepção auditiva: atividades remotas organizadas pelas redes municipais de ensino que atuam em conjunto durante a pandemia. Fotos: Amvapa/Divulgação

Por Afonso Capelas Jr., Rede Galápagos

No Dia do Circo, comemorado em 27 de março no Brasil, uma professora de língua portuguesa da Escola Municipal Dom Athanázio Merkle, em Itaporanga, no sudoeste do estado de São Paulo, decidiu abordar a arte circense em uma aula on-line com seus alunos, e a repercussão foi um sucesso. Em Fartura, na mesma região paulista, a turminha do berçário I e II do Centro de Educação Infantil Irena Lança Ribeiro teve aulas de coordenação motora e percepção auditiva explorando sons em panelas, tampas e latas dentro de suas casas. Em Piraju, dois professores de educação física do ensino fundamental desenvolveram um blog na internet com videoaulas nas quais ensinam e incentivam atividades lúdicas e jogos ao ar livre e de tabuleiro para seus educandos. Nestes tempos de pandemia da Covid-19, a Câmara Técnica de Educação do Consórcio Intermunicipal do Alto Vale do Paranapanema (Amvapa Educa) driblou as circunstâncias e reinventou-se para que os estudantes não ficassem sem aulas desde que a presença nas escolas municipais e estaduais foi interrompida. A Amvapa Educa foi criada em 2012 e reúne dirigentes educacionais de 18 municípios do sudoeste do estado de São Paulo para refletir, deliberar e propor iniciativas de apoio à educação. A organização é incentivada pelo programa Melhoria da Educação, do Itaú Social, que proporciona formação continuada para gestores educacionais. Essas formações abordam tanto o eixo da gestão pedagógica quanto o da gestão administrativo-financeira.

Criar uma sintonia fina entre os municípios diante das adaptações necessárias para o momento demandou bastante esforço e inúmeras reuniões virtuais com educadores, professores e secretários de Educação. “Meses antes estávamos tentando nos adequar aos novos secretários que chegaram com as últimas eleições para mostrar a eles a importância da Amvapa Educa na rede de ensino dos municípios. Quando chegou a pandemia, houve um desespero geral sobre o que fazer dali em diante”, conta a pedagoga Elenilda Barrado, secretária de Educação de Sarutaiá e coordenadora da Amvapa Educa. 

Reunião da Amvapa em Piraju: articulação para compra consorciada do kit de higiene para as escolas. Foto: Amvapa/Divulgação

A entidade conseguiu fortalecer os colegas para a união no sentido de tomar decisões coletivas que levassem um consenso à região. A situação naquele momento: muitas cidades decretaram a suspensão das aulas nas escolas municipais, enquanto a rede estadual estava autorizada a funcionar normalmente.

Foi necessário manter um diálogo com a diretoria regional, que faz a gestão das escolas estaduais. Era preciso que os prefeitos tivessem poder de deliberação sobre alguns aspectos de funcionamento das escolas do estado, customizando orientações que vinham da Secretaria Estadual de Educação, que naquele momento tomava decisões que por vezes não comungavam com as necessidades municipais. “Ficávamos limitados. Não é oferecida merenda aos alunos da rede municipal porque eles estão em casa, enquanto os alunos da rede estadual têm direito de receber a merenda na escola”, exemplifica Elenilda. 

Vínculo com as famílias
Piraju, com quase 30 mil habitantes, foi uma das cidades que precisaram recriar-se para a nova realidade. As atividades presenciais foram interrompidas e aulas remotas foram colocadas em prática. Para isso, a Secretaria de Educação de Piraju optou por priorizar o vínculo com as famílias dos estudantes. “Criamos um comitê pedagógico com a participação dos pais para direcionar com mais eficiência o trabalho nas escolas e utilizamos todos os meios disponíveis para chegar até os alunos”, diz a secretária de Educação da cidade, Sirlene Garrote, que desde 2015 trabalha com a Amvapa Educa, quando era secretária de Educação de Sarapuí. Dois anos mais tarde ela assumiu a pasta da Educação em Piraju. “As parcerias são importantes neste momento tão delicado. As ações colaborativas da Amvapa Educa e do Itaú Social nos ajudam na busca de soluções para alcançarmos os objetivos e nos fortalecermos.” 

Em Taguaí, as aulas presenciais também continuam interrompidas e a Amvapa Educa é peça fundamental na cidade, de acordo com a secretária de Educação, Lenita Romano Bérgamo. “Minha secretaria tem atendido os alunos com atividades remotas e buscado ativamente aqueles que não participam das atividades. A Amvapa tem contribuído muito para esse trabalho. Trocamos experiências e práticas e sofremos juntos.” Lenita está no mandato pela segunda vez com a reeleição do prefeito Jair Camiato. Em maio deste ano ele foi uma das vítimas da Covid-19 e faleceu por complicações da doença. O vice-prefeito assumiu e manteve a mesma equipe. “Agora estamos em um processo de transição e não pudemos ainda retomar as aulas presenciais”, explica a secretária de Educação.

Equipamentos de proteção individual (EPIs) para as escolas: compra conjunta resultou em economia de 43%, segundo a Amvapa. Foto: Amvapa/Divulgação

Mudança de foco
Todos estão conectados em torno dessas metas. Um grupo de WhatsApp foi criado e ali dúvidas frequentes são lançadas. Os kits serão adquiridos por meio de licitação conjunta de compra consorciada, junto com os EPIs para proteção de professores, funcionários e alunos. “Era inviável a compra individual porque os preços aumentaram muito. Um levantamento mostrou que na compra consorciada chegamos a economizar cerca de 43%”, relata a coordenadora da Amvapa Educa. Uma cartilha, que foi elaborada conjuntamente com os municípios, será entregue para mostrar exemplos de professores que se destacaram em boas práticas durante a pandemia. 

Como os equilibristas de pratos, os membros da Amvapa Educa vão conseguindo superar as dificuldades impostas e seguir adiante em nome do ensino de qualidade explorando os potenciais de criatividade dos professores e também dos alunos. Da mesma forma que a professora Jussara de Matos Chagas, que manteve a atenção dos seus alunos com aulas on-line sobre as atividades circenses. Jussara ficou muito feliz com os resultados, quando lançou à turma o desafio de que seriam os artistas naquele dia. Principalmente João Vitor, um aluno com deficiência intelectual. “Recebi uma apresentação de tamanha perfeição que me fez ver que neste momento tenho que inovar, buscar meios para atingir meus educandos e chegar a todos, independentemente de conteúdos.”

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