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Em Anadia (AL), iniciativa busca atualizar informações estatísticas e promover ações integradas entre organizações do sistema de garantia de direitos de crianças e adolescentes


Instituto Girassol apresenta o planejamento do projeto Diálogos, em reunião com o Conselho Municipal dos Direitos da Criança e do Adolescente (CMDCA) de Anadia. Foto: Sandro Santos

Por Wallace Cardozo, Rede Galápagos, Salvador (BA)

Em Anadia (AL), mais de 71% das pessoas têm entre 0 e 39 anos. O recorte que compreende aquelas com idade de 0 a 19 anos corresponde a aproximadamente 40% dos 17 mil habitantes do município. Esses e outros dados ainda mais específicos sobre a cidade estão reunidos em um documento intitulado “Diagnóstico Situacional da Criança e Adolescente do Município de Anadia/AL – 2020”. Para a construção do levantamento, foram realizadas visitas a aproximadamente 600 residências, além de coletas de dados em escolas e organizações da sociedade civil.

A produção de um diagnóstico com foco em crianças e adolescentes foi ideia do Instituto Girassol de Desenvolvimento Social, que atua pelos direitos da infância e da juventude da região há 19 anos. Sua sede fica em Boca da Mata, município vizinho a Anadia. “O nosso foco principal está em ampliar a visão de mundo de crianças e jovens, para que entendam que podem sonhar alto”, afirma Sandro Santos, ex-educando e atual coordenador executivo da instituição. Em Boca da Mata, crianças com idade entre 7 e 12 anos são atendidas com reforço escolar. Ou melhor, atividades lúdicas. “Se chamamos de reforço escolar, elas não se interessam”, brinca Sandro, que também trabalha como analista de sistemas. Para quem está concluindo o ensino médio, a organização promove atividades para desenvolver habilidades socioemocionais, visando a inserção no mercado de trabalho. 

Entre crianças, adolescentes e jovens, o Instituto Girassol atende 90 pessoas. O número de pessoas impactadas é maior, entretanto. “Não acreditamos em um trabalho que não envolva as famílias. Realizamos oficinas de informática e reuniões para atrair e estreitar os laços com elas, por exemplo.” A proximidade cotidiana com esse público foi justamente o que evidenciou quanto a falta de dados oficiais sobre crianças e adolescentes era prejudicial. “A área da saúde tem muitos sistemas, porém as pessoas não sabiam usar essa informação”, lembra Sandro. De acordo com ele, o mesmo acontecia com quem trabalha na educação, na assistência social e em outras áreas que lidam com crianças e adolescentes em Anadia.

“O diagnóstico apontou problemas. O projeto Diálogos surgiu para iniciar a busca pelas soluções.” O coordenador executivo se refere à proposta apresentada pelo Instituto Girassol e selecionada para os Fundos da Infância e da Adolescência (Edital FIA), no ano de 2021. O edital é parte do programa IR Cidadão, do Itaú Social, que estimula os colaboradores do Itaú a destinar parte de seu imposto de renda devido aos Fundos da Infância e da Adolescência (FIAs). Já no preenchimento da declaração, qualquer contribuinte pode destinar até 3% de seu imposto de renda devido aos FIAs, ação que também é incentivada pelo Itaú Social.

“É preciso dialogar”
Por meio do projeto Diálogos, o Instituto Girassol pretende apoiar o poder público na resolução das demandas destacadas no diagnóstico. A primeira necessidade urgente a ser identificada foi a de uma atualização de dados da educação, pois a pandemia modificou o contexto vigente à época da coleta de dados. Além disso, será necessário rever estatísticas referentes à distorção idade-série e ao trabalho infantil, problema comum em Anadia, de acordo com Sandro. 

Uma segunda intervenção tem o objetivo de solucionar a subnotificação das informações relacionadas às crianças com deficiência. Para isso, uma nova rodada de pesquisas de campo está prestes a ter início, desta vez com foco nesse público. “Visitaremos cem casas. Com base nos dados disponíveis, essa é uma boa amostragem em relação à quantidade de pessoas com deficiência do município”, explica Sandro.

O terceiro objetivo do projeto é a elaboração de um cronograma de ações integradas entre as instituições que compõem a rede de garantia de direitos de crianças e adolescentes, como as escolas e o Conselho Tutelar. Daí vem o nome Diálogos. “É o ponto mais desafiador porque depende do interesse de várias instituições, inclusive do poder público.” Para o gestor, a aproximação dessas ações beneficia as crianças e adolescentes, mas também as próprias organizações. “Às vezes, todo mundo utiliza os recursos para fazer pequenas ações. Com uma gestão integrada, podemos realizar ações maiores”, argumenta.

Estão marcadas reuniões com representantes de todas as organizações do sistema de garantia de direitos para tratar da importância do compartilhamento de dados entre elas. A etapa seguinte prevê justamente uma nova coleta de dados junto a entidades públicas e não governamentais. O Instituto Girassol também pretende oferecer à rede formações em temas como captação de recursos, elaboração de projetos e avaliação de processos. A previsão é de que todo o cronograma do projeto Diálogos seja concluído até março de 2023, com a publicação dos resultados atualizados.

Sandro, contudo, deseja que o legado da iniciativa seja mais duradouro. “O cenário ideal seria aquele em que as entidades construíssem um planejamento de pelo menos dois anos para as ações integradas”, projeta. Ele entende que todos só têm a ganhar com a implantação de um núcleo de dados na prefeitura, com informações compartilhadas e utilizadas para o benefício das crianças e adolescentes de Anadia. Ele quer que infância e juventude tenham garantido o mesmo direito que ele teve: “a oportunidade de saber que há outros horizontes”.

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