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A importância da construção de autonomia nas ações sociais

Centro Educacional Jabuti, em Mogi das Cruzes (SP), desenvolve trabalho de convivência e cidadania


Diariamente, crianças e adolescentes atendidos se reúnem para trocar e garantir a integração e convivência. Foto: Centro Educacional Jabuti

Por Paula Salas, Rede Galápagos, São Paulo

O que nos torna cidadãos plenos? Essa pergunta não tem uma única resposta. Podemos citar o acesso a direitos e serviços básicos, além de exercício e participação política e social. Quando falamos de crianças e adolescentes, não podemos deixar de falar do desenvolvimento integral, de possibilitar que todos tenham contato com a cultura, a arte, o esporte, que tenham momentos de lazer e estejam em espaços seguros para conviver e se conectar com outros de sua idade. 

Essa premissa orienta o trabalho do Centro Educacional Jabuti, em Mogi das Cruzes (SP). “Desejamos que as crianças sejam cidadãos integrais. Propiciar vivências e experiências para que elas olhem para a vida delas  e percebam que existem formas de superar suas vulnerabilidades”, explica Marina Costa Machado, assistente social no Centro Educacional Jabuti. “Queremos que sejam protagonistas de sua história e que possam mudá-la”, afirma Denise Evangelista, psicóloga e coordenadora-geral da organização. 

A instituição nasceu como uma creche em 2006 na cidade paulista de Mogi das Cruzes. O atendimento de crianças e famílias em situação de vulnerabilidade social evidenciou a necessidade de ações ligadas à assistência social. Foi assim que surgiu o Prema, nome que em sânscrito significa amor. O projeto oferece diariamente um serviço de convivência e fortalecimento de vínculos no contraturno escolar de crianças e adolescentes de 6 a 17 anos em Jundiapeba, região periférica da cidade. “Trabalhamos a cidadania, refletimos sobre questões coletivas, fazemos passeios para mostrar outras realidades, temos aula de educação ambiental, musicalização, cultura popular, arte”, conta Denise. 

Diariamente, após a refeição que fazem ao chegar à instituição, as crianças e adolescentes atendidos participam de uma roda de conversa, que funciona como um momento de acolhimento e de troca. Posteriormente, seguem para as atividades direcionadas. “Não são aulas, não é algo tradicional”, explica Marina.

Centro promove atividades de cultura, arte e esporte como estratégia para a promoção da cidadania de quem é atendido. Foto: Centro Educacional Jabuti

Essas propostas consistem em oficinas de arte, dança, música, esporte, entre outros aspectos culturais. “Temos um plano de trabalho que construímos com um percurso para chegar ao objetivo final. Por exemplo, em maio, quando trabalhamos a identidade, as atividades podiam ser um desenho, assistir a um filme, fazer um retrato”, comenta Marina. Durante todo o período em que estão no Centro, um dos princípios é possibilitar que as crianças e adolescentes criem e fortaleçam vínculos, possam interagir. 

Nutrição e afeto
O Centro, mais especificamente o Prema, foi selecionado pelo Edital Fundos da Infância e da Adolescência (FIA). O edital faz parte do programa IR Cidadão, do Itaú Social, que estimula colaboradores da empresa a destinar parte do imposto de renda para os FIAs.

A atual crise socioeconômica no país, agravada pela pandemia da Covid-19, foi sentida por quem é atendido pela organização. “Durante a pandemia, acentuou-se a situação de vulnerabilidade, houve casos de exploração do trabalho infantil, famílias que ficaram em situação de rua, adolescentes que foram para o tráfico de drogas”, relata Denise. Sem a possibilidade de manter o atendimento presencial, o Centro se organizou para oferecer cestas básicas, realizar plantões para atender casos mais graves, enviar vídeos para não perder o vínculo e manter contato via WhatsApp com as famílias. Apesar dos esforços, hoje existe uma grande demanda por garantir um aspecto básico que deveria ser direito de todo cidadão: o acesso a uma alimentação de qualidade. É assim que surge o projeto Nutri(A)Ção e Afeto.

Entre as temáticas exploradas pela organização, está a conscientização do 18 de maio, dia nacional do combate ao abuso e exploração sexual de crianças e adolescentes. Foto: Centro Educacional Jabuti

“Quando estávamos planejando o projeto, pensamos em dar cestas básicas, mas a insegurança alimentar vai além do arroz e feijão, de garantir o básico”, observa Marina sobre o processo de criação. Dessa forma, decidiram propor a distribuição de cartões de alimentação que ampliassem as possibilidades dos beneficiados. “A ideia é dar autonomia para ter dignidade de escolher o que precisa. Isso aliado a uma conscientização dos gastos, apoio nutricional, como evitar desperdício e outras orientações”, complementa Denise.

No entanto, não será realizada apenas uma entrega desses recursos, mas as famílias atendidas também receberão apoio e orientação de nutricionistas e de assistentes sociais. “A insegurança alimentar é um fenômeno multifatorial. As famílias vão passar por uma avaliação inicial para identificar o nível de desnutrição, a rotina alimentar da família e como construir um plano alimentar a partir de cada realidade e necessidade”, afirma Marina. 

Em junho foi dada a largada às ações, que deverão continuar por doze meses. Por enquanto, já selecionaram 20 famílias, que já passaram pela avaliação nutricional. Esse primeiro grupo, que corresponde a um terço da meta de famílias impactadas pelo projeto, participou da primeira oficina sobre educação alimentar e financeira, em julho. A organização está a todo vapor com a triagem dos demais beneficiados e aguarda a chegada dos cartões que serão distribuídos em breve – quem for selecionado depois dessa primeira leva, receberá os créditos de forma retroativa para garantir que todos recebam o valor completo previsto na iniciativa. 

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