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Projeto mapeou mais de 80 instituições de Niterói (RJ) para propor ao poder público municipal políticas educacionais e de combate à evasão escolar


Por Wallace Cardozo, Rede Galápagos, Lauro de Freitas (BA)

Em Niterói, Rio de Janeiro, sete organizações da sociedade civil (OSCs) do município se reuniram para pensar estratégias de enfrentamento da evasão escolar. Algumas das instituições já são reconhecidas na cidade pelos seus 15 ou 20 anos de atuação. Outras existem há menos tempo, mas realizam trabalhos inovadores e relevantes, como a Rede Quimera, coletivo que atua com jovens e adolescentes em territórios periféricos. Maria Pimentel faz parte do grupo, ela integra uma das OSCs desenvolvedoras do projeto Construindo Niterói Como Cidade Educadora. “Entendemos que o que temos de mais valioso é o capital humano e de expertise para colocar em favor do projeto.”

Ao longo dos anos 2020 e 2021, todas as cidades brasileiras precisaram tomar decisões rápidas para tentar conter o avanço do coronavírus. Assim como o sistema de saúde, as escolas não estavam preparadas para lidar com as adaptações à nova realidade, como a adoção forçada do ensino remoto. Fatores como desigualdade e desemprego são somados a essa equação e ajudam a explicar por que a evasão escolar de crianças e adolescentes aumentou 171,1%, no segundo trimestre de 2021, em relação ao mesmo período de 2019. O relatório da organização Todos pela Educação revela, ainda, que 244 mil é o número de crianças e adolescentes com idade entre 6 e 14 anos que estavam fora da escola.

O projeto Experiências em Rede: Práticas educativas e colaborativas entre as OSCs na pandemia incentivou o trabalho coletivo entre organizações da sociedade civil, buscando soluções para enfrentar o agravamento da evasão e do abandono escolar, além de possibilitar o desenvolvimento de ações que promovam o aprendizado de crianças e adolescentes no contexto da pandemia. Instituições de 41 municípios brasileiros enviaram propostas de atuação coletiva e puderam contar com auxílio financeiro e orientação do Itaú Social para apoiar a execução. “A proposta é experimentar ações que contribuam para a aprendizagem das crianças e dos adolescentes nesse contexto desafiador. Juntos, conseguiremos resultados melhores e sairemos desta fortalecidos”, avalia Luciana André, gestora de projetos sociais do Itaú Social.

Como o nome sugere, o Experiências em Rede propõe que OSCs executem um projeto em rede tendo como foco o combate à evasão escolar. Considerando que a desistência da escola é uma questão permanente, as sete instituições de Niterói decidiram não realizar uma ação pontual. Em vez disso, resolveram fazer um grande mapeamento das instituições niteroienses do terceiro setor que oferecem atividades para crianças e adolescentes no contraturno escolar. A ideia da cartografia social é ouvir essas organizações e aproveitar as experiências que elas já estão tendo. “O mapa é uma ferramenta que pode mobilizar essas outras organizações a formar uma grande frente, com assento na Secretaria de Educação e na prefeitura, a fim de contribuir para as políticas públicas municipais de educação”, explica Maria.

A construção do projeto levou dois meses. Com reuniões semanais, as instituições debateram as ideias levantadas a partir de formação e reflexões propostas pelo Itaú Social, que monitorou e apoiou todo o desenvolvimento do processo. Finalizada a fase de planejamento, o grupo de trabalho do mapeamento entrou em ação. Duas grandes bases de dados serviram de ponto de partida para a identificação das instituições que integrariam o mapa das OSCs: uma da Associação Brasileira de ONGs (Abong) e outra do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea). O primeiro momento, portanto, foi dedicado a identificar as organizações que seriam possíveis parceiras nas discussões sobre a educação de Niterói.

Nesse momento, o planejamento precisou ser alterado. Notou-se que o tempo investido no contato com as instituições poderia ser otimizado com a disponibilização de um canal por meio do qual elas pudessem, ativamente, demonstrar interesse em fazer parte do projeto. Assim, além das organizações previamente identificadas, outras passaram a fazer parte da frente por meio dos perfis criados nas redes sociais e do formulário disponibilizado para inscrição. Maria Pimentel, da Rede Quimera, conta que a decisão foi acertada e ampliou as possibilidades para o mapa. “Com os novos canais, tivemos retornos de OSCs que não são juridicamente constituídas mas também têm um trabalho importante nos seus territórios em relação à educação.”

O objetivo do projeto Construindo Niterói Como Cidade Educadora está bem definido: “oficializar com a prefeitura uma frente composta de iniciativas da sociedade civil que trabalham com educação no contraturno e que estão pensando estratégias para mitigar a evasão escolar”. A organização do projeto e a prefeitura já conversaram em pelo menos três momentos para alinhar a parceria. A prefeitura de Niterói, inclusive, já desenvolve uma iniciativa com nome e objetivos parecidos, o Programa Cidade Educadora. O interesse prévio no tema por parte do poder público faz com que as perspectivas sejam promissoras. “Pleiteamos uma vaga permanente no Fórum Municipal de Educação.”

Trabalho em equipe
“No começo, foi um desafio”, resume Maria Pimentel, da Rede Quimera. Ela se refere à metodologia de trabalho colaborativo proposta pelo Itaú Social durante o programa Experiências em Rede. “Sete instituições diferentes e que nunca haviam trabalhado juntas. A dinâmica foi enriquecedora porque nos conhecemos e trocamos experiências.” Assim como a própria construção da proposta, o produto final incentivará organizações da sociedade civil a unir forças em prol da educação.

Mapa interativo – Construindo Niterói Como Cidade Educadora

  • Legenda: Azul claro: instituições que trabalham com educação. Roxo: instituições que não trabalham com educação. Azul escuro: coordenação do projeto/Trabalha com educação. Laranja: escola municipal. Vinho: escola estadual. Amarelo: escola federal.

Mais de 80 instituições foram mapeadas no projeto Construindo Niterói Como Cidade Educadora. No mapa interativo, publicado no dia 9 de dezembro, elas foram divididas em duas categorias: as que trabalham com educação, as que não trabalham. Uma terceira categoria identifica as sete instituições que fazem parte da organização do mapeamento. Ao clicar sobre cada uma, o usuário tem acesso a uma ficha com informações como endereço, área de atuação e meios de entrar em contato. O mapa também lista as escolas municipais, estaduais e federais do município.

Para Maria, o grande mérito da iniciativa foi perceber a quantidade de pessoas que já estão atuando para evitar a evasão escolar. Envolver tanta gente em um mesmo objetivo pareceu desafiador no início, mas a diversidade de opiniões se mostrou um ponto positivo durante o desenvolvimento do projeto. Com a atividade em fase final, a sensação é de missão cumprida. Ou pelo menos parte da missão. Os próximos passos da grande frente formada pelas instituições mapeadas visam acompanhar de perto o trabalho da gestão pública.

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