Nesta semana, foi realizado o “Seminário Internacional – Ensino e aprendizagem de matemática na Educação Básica”, no IEE-USP (Instituto de Energia e Ambiente da Universidade de São Paulo). A iniciativa reuniu especialistas de quatro países para compartilhar experiências bem-sucedidas e pesquisas aplicadas voltadas ao fortalecimento do ensino da matemática.
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Entre os convidados estava Charlie Stripp, diretor do National Centre for Excellence in the Teaching of Mathematics (NCETM), da Inglaterra. O especialista apresentou como a organização promove boas práticas de ensino de matemática no país por meio de polos, chamados de Hubs.
Atualmente, a iniciativa conta com 40 polos distribuídos por diferentes localidades do país. Eles são estruturados em rede, permitindo que os participantes compartilhem estratégias com outros profissionais. A proposta é disseminar práticas de maior impacto na aprendizagem dos estudantes, adaptando sua aplicação às características e necessidades de cada território.
O projeto também investe na formação de lideranças locais, responsáveis por compartilhar com outros profissionais os debates, as pesquisas e as boas práticas desenvolvidas nos polos.
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Outra experiência bem-sucedida apresentada no evento foi a desenvolvida no Chile, detalhada por Paula Louzano, decana da Faculdade de Educação da Universidad Diego Portales, e Paulina Araya, acadêmica da mesma instituição e pesquisadora do Centro de Modelamiento Matemático da Universidad de Chile.
A melhora do desempenho dos estudantes em matemática no país começa com a reestruturação da formação inicial dos professores. O curso de pedagogia tem duração de cinco anos, sendo necessário conquistar uma boa nota no vestibular nacional para o ingresso.
Além do processo de seleção mais rigoroso, universidades públicas e privadas precisam seguir um currículo comum. Entre as medidas adotadas estava a inclusão de diferentes disciplinas de matemática ao longo da formação pedagógica, garantindo que professores da Educação Infantil e do Ensino Fundamental desenvolvessem conhecimentos sobre a área, mesmo sem serem especialistas.
O Chile também desenvolveu os Estándares, um conjunto de padrões pedagógicos que orientam as competências que os futuros professores precisam ter para atuar em sala de aula. Eles são divididos em quatro domínios: preparação do processo de ensino e aprendizagem, criação de um ambiente propício, ensino para a aprendizagem de todos os estudantes e responsabilidades profissionais.
Especialistas brasileiros também compartilharam suas experiências no evento. A rede de ensino de Teresina (PI), por exemplo, investiu na formação continuada de professores. A iniciativa levou o município a alcançar, empatado com Curitiba (PR), a maior nota entre as capitais brasileiras no Ideb (Índice de Desenvolvimento da Educação Básica), considerando apenas os estudantes dos Anos Iniciais do Ensino Fundamental (1º ao 5º ano).
Outro exemplo de ação nacional é o “Rio, Capital da Matemática”, promovido pela rede municipal do Rio de Janeiro e que alcançou mais de 25 mil professores. O projeto é baseado no Compromisso Nacional Toda Matemática, do MEC (Ministério da Educação), e prevê a realização de um plano estratégico em torno da disciplina, incluindo a realização de diagnóstico, mudanças no currículo escolar e formação continuada de docentes.
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Já o doutor Tad Watanabe, professor da Kennesaw State University, dos Estados Unidos, apresentou a metodologia Lesson Study. A abordagem foi desenvolvida inicialmente no Japão e é utilizada como estratégia de formação entre professores, que se reúnem para planejar, observar e refletir sobre suas aulas.
O especialista também mostrou o método Teaching Through Problem-Solving, que geralmente trabalha a aprendizagem dos estudantes a partir de problemas. Em vez do educador apresentar uma forma de resolução, é oferecido espaço para os alunos explorarem diferentes estratégias para, depois, compartilharem suas soluções com a turma.
Sobre o Seminário
O evento é promovido pelo CDEB-Mat (Centro de Desenvolvimento para Educação Básica em Matemática), criado pela Fundação Itaú e pelo Instituto de Matemática, Estatística e Ciências da Computação (IME) da USP. Além do seminário, a parceria ainda prevê realização de pesquisas, formações com professores e desenvolver recursos educacionais de matemática para as redes públicas.