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Pesquisa mostra que a maioria das escolas do Brasil retornou às aulas presenciais

A busca ativa é o método mais usado pelas secretarias municipais de educação para encontrar estudantes que não retornaram à sala de aula ou que correm risco de evasão


Após quase dois anos de escolas fechadas devido à pandemia da Covid-19, mais de 80% das redes municipais de Educação estão com aulas totalmente presenciais e nove a cada dez oferecem atividades presenciais  cinco vezes por semana. Este é o resultado da sétima onda da pesquisa realizada pela Undime (União Nacional dos Dirigentes Municipais de Educação) com apoio do Itaú Social e do UNICEF (Fundo das Nações Unidas para a Infância).

O estudo ouviu 3.372 secretarias municipais de educação entre 22 de fevereiro e 8 de março deste ano. A proposta é identificar quem não voltou para a escola e investir esforços para recompor e recuperar as aprendizagens das crianças e adolescentes. A pesquisa contempla respostas de 61% do total de municípios brasileiros, o que representa mais de 22,8 milhões de matrículas.

Também foram mostrados que 78% das redes estão utilizando a Busca Ativa Escolar para combater a evasão de estudantes e a maioria das secretarias está adotando medidas para a recomposição e recuperação da aprendizagem. 

Em relação à vacinação de crianças e adolescentes contra a Covid-19, as secretarias ouvidas pelo estudo disseram que incentivam a imunização, porém a ausência do cartão de vacinação não impede a frequência escolar.

Outro resultado apontado pela pesquisa mostra que a organização do transporte escolar é o principal desafio no planejamento da oferta de ensino em 2022. Na sequência aparecem:

  • Adequação de infraestrutura das escolas públicas municipais para atendimento ao protocolo sanitário;
  • Acesso de professores à internet;
  • Formação dos profissionais e trabalhadores em educação; e
  • Planejamento pedagógico e (re)organização do calendário letivo de 2022.

Principais destaques

Recuperação das aprendizagens
A pesquisa revela a preocupação das secretarias municipais de educação com a recuperação das aprendizagens. Ao todo, 77% dos municípios estão elaborando propostas para as escolas da cidade. Questionadas sobre como será o plano, 69% disseram que realizam, ou vão realizar, atividades dentro do turno escolar; e 54% têm, ou terão, atividades presenciais no contraturno. 

Conheça o percurso Recuperação das aprendizagens

“A recuperação das aprendizagens exige um olhar sistêmico, com o propósito de reduzir as desigualdades ainda mais aprofundadas durante a pandemia. A educação é uma tarefa de toda a sociedade e é importante que outras secretarias dos municípios, como a saúde e assistência social, se unam no propósito de não deixar nenhum estudante para trás. Além disso, atividades de contraturno, por exemplo, podem ser articuladas junto às organizações da sociedade civil dos territórios. O desenvolvimento integral das crianças e adolescentes só tem a ganhar com a articulação intersetorial”, considera a superintendente do Itaú Social, Angela Dannemann. 

Para as secretarias ouvidas pela pesquisa, as principais dificuldades de implementação de estratégias de recomposição e recuperação da aprendizagem estão relacionadas ao contraturno escolar, incluindo acesso à internet para estudantes e professores, transporte e alimentação.

“É muito importante que, tanto no processo de recomposição quanto no de recuperação, nós tenhamos consciência que se trata de intensificar e fortalecer as aprendizagens. Aquilo que durante o período mais crítico nós tivemos de fazer da forma como foi possível, mas com a certeza de que ficaram lacunas. Que seja uma intensificação e fortalecimento do processo ensino-aprendizagem nas escolas”, explica o presidente da Undime, Luíz Miguel Martins Garcia.


Busca Ativa
A Busca Ativa Escolar é apontada por 78% das secretarias como principal método para encontrar estudantes que não têm acompanhado as atividades escolares remotas ou não retornaram para as atividades presenciais em 2022, ou que estão em risco de evadir.

Entre as estratégias realizadas para monitorar a aprendizagem dos estudantes em 2022, se destacam como principais: conversas regulares com diretores e coordenadores pedagógicos, e apoio às escolas para análises e diagnósticos a partir de avaliações internas.

“Mesmo antes da pandemia, milhões de crianças e adolescentes mais vulneráveis estavam sendo deixadas para trás. Neste momento em que o país está retomando as aulas presenciais, não podemos apenas voltar ao ‘normal’.  Precisamos de um novo normal: com cada criança e adolescente na sala de aula, com diagnósticos precisos das aprendizagens de cada um e apoio intensivo para superar barreiras e retomar a aprendizagem. Para isso, é essencial que educadores e escolas recebam cada criança e adolescente com uma atenção especial para facilitar a sua retomada da aprendizagem, e que professores tenham o suporte que precisam para isso, com formação e recursos”, defende o representante do UNICEF no Brasil, Florence Bauer.


Vacinação
Quase todos os municípios que responderam a pesquisa iniciaram ou preveem iniciar a vacinação de crianças contra a Covid-19 no primeiro semestre de 2022. Deste grupo, 40% afirmaram que o processo de vacinação já foi iniciado e 53% disseram que está previsto para o primeiro semestre deste ano. 

Em relação à família dos estudantes, a maioria dos pais e responsáveis (63%) tem boa aceitação da vacinação infantil, enquanto 20% afirmaram que há certa resistência e baixa procura pela imunização.

Questionados sobre a possibilidade de exigir um passaporte da vacina nas escolas, 37% dos entrevistados (1.248 municípios), responderam que vão exigir a apresentação do documento, mas não impedirão a frequência do estudante na escola, no entanto, para 47% das secretárias, o Conselho Tutelar será comunicado.