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Internet e infraestrutura são as maiores dificuldades enfrentadas em 2020, apontam redes municipais de educação

Pesquisa da Undime, com o apoio do Itaú Social e Unicef, entrevistou duas em cada três redes municipais de educação do país e mostrou expectativas para 2021


O acesso à internet e a falta de infraestrutura foram os principais desafios das redes municipais de educação em 2020, de acordo com pesquisa da Undime (União Nacional dos Dirigentes Municipais de Educação), que teve o apoio do Itaú Social e Unicef (Fundo das Nações Unidas para a Infância).

O estudo ouviu 3.672 municípios, o que representa duas em cada três redes municipais do país, para compreender o ano letivo desde o início da pandemia e quais foram as estratégias adotadas para a implementação do ensino remoto. As respostas foram coletadas entre os dias 29 de janeiro a 21 de fevereiro de 2021.

Para 2021, o levantamento aborda a preparação e planejamento para o ano letivo, como foram e como estão sendo feitas as estratégias de formação de profissionais e de protocolos de segurança, bem como as principais dificuldades enfrentadas pelas secretarias municipais de educação neste momento.

“Sabemos que este ano e nos seguintes, a educação básica pública enfrentará muitos desafios. Os municípios necessitarão de várias ações, como implementação de protocolos sanitários e de segurança; elaboração e aplicação de protocolos pedagógicos; investimentos em infraestrutura; capacitação dos profissionais da educação com atividades pedagógicas locais e em regime de colaboração”, elenca o presidente da Undime e dirigente Municipal de Educação de Sud Mennucci (SP), Luiz Miguel Martins Garcia.

Educação em 2020

Cerca de 70% das redes municipais de educação declararam ter concluído o ano letivo de 2020 até dezembro. O índice é predominantemente maior nos municípios com população acima de 100 mil habitantes. Entre as redes que cumpriram o calendário 2020, a maioria o fez apenas com atividades educacionais não presenciais e quase a totalidade declarou ter monitorado essas atividades pedagógicas.

Com relação às dificuldades enfrentadas no ano que passou, 78,6% das secretarias afirmam que o maior desafio foi com o acesso dos estudantes à internet. Também foram apontados problemas como adequação da infraestrutura das escolas públicas municipais; planejamento pedagógico; acesso dos professores à internet; formação dos profissionais e trabalhadores em educação; e, por fim, a reorganização do calendário letivo 2020 e 2021.

“Tantos meses de afastamento do ambiente escolar intensificaram problemas antigos, como a distorção idade-série, o abandono e a evasão, especialmente entre a população mais vulnerável. A realização de diagnósticos é o caminho mais adequado para propostas pedagógicas que ajudem na motivação dos estudantes e na recuperação das perdas de aprendizagem”, explica a gerente de Desenvolvimento e Pesquisa do Itaú Social, Patricia Mota Guedes.

Dos municípios respondentes, 95,3% declararam que as atividades não presenciais de 2020 foram concentradas em materiais impressos e orientações por WhatsApp. Na pesquisa realizada em maio de 2020, com uma pergunta semelhante, foi apurado que 43% das redes municipais apontavam os materiais impressos como parte da estratégia.

Planejamento para 2021

Para 2021, 63,3% das redes planejaram começar o ano letivo de forma remota; 26,3% pretendem iniciar de forma híbrida; 3,8% de forma presencial e 6,6% ainda não definiu.

Com relação aos protocolos de segurança sanitária, 33,9% das redes já os concluíram, 59,6% estão em processo de discussão e 6,5% ainda não iniciaram esse processo. Os protocolos pedagógicos para a volta às aulas presenciais estão sendo discutidos por 70,4% das redes, já foram concluídos em 22,7% delas e não foram iniciados em 6,9%.

“Mesmo que não seja possível aulas presenciais por conta do agravamento da pandemia, a escola aberta é um espaço de acolhimento em que estudantes e famílias podem buscar atividades e manter a aprendizagem. Além disso, é preciso investir para ampliar o acesso à internet e ir atrás de cada criança e adolescente que não conseguiu seguir aprendendo”, considera o chefe de Educação do Unicef no Brasil, Ítalo Dutra.

A formação dos profissionais em temas relacionados à Covid-19 foi realidade em mais de metade das redes. Tal prática tem focado em temas diversos, em especial a segurança sanitária e as tecnologias para ensino não presencial. Dentre as principais estão protocolos de segurança sanitária nas escolas; tecnologias para ensino remoto e acolhimento e competências socioemocionais.