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Formações para docentes e participação de estudantes em decisões contribuem para melhorar convivência na escola, diz pesquisa

Estudo sobre anos finais do ensino fundamental, apoiado pelo Itaú Social, investiga ações para coibir episódios de violência dentro e fora das escolas


Para além do processo de ensino-aprendizagem, a escola é um espaço que promove a convivência e a troca. Por vezes, o primeiro momento de socialização de crianças. Nela, os estudantes experimentam situações positivas, mas também estão sujeitos a testemunhar episódios de bullying e outras formas de violência.

A pesquisa “A Convivência como Valor nas Escolas Públicas: implantação de um Sistema de Apoio entre Iguais” busca investigar esses desafios e apresentar metodologias para tornar estes  momentos mais saudáveis. O estudo foi um dos 14 contemplados pelo edital “Anos finais do ensino fundamental: adolescências, qualidade e equidade na escola pública”, do Itaú Social em parceria com a Fundação Carlos Chagas. 

Confira o sumário executivo da pesquisa

Com a coordenação da pedagoga Luciene Regina Paulino Tognetta, sob a supervisão da também pedagoga Maria de Fátima Barbosa Abdalla, a pesquisa promoveu formações com docentes e gestores escolares, elaborou materiais de apoio, investigou e escutou os estudantes sobre problemas dentro e fora da escola. Confira as ações:

  1. Atuação formativa

Os pesquisadores realizaram formações com docentes e gestores escolares abordando temas como a formação de personalidades éticas; o incentivo à participação de estudantes em processos de decisões coletivas; o fomento de câmaras de mediação que podem intervir em episódios que envolvem problemas de convivência escolar; e o incentivo ao protagonismo juvenil.

  1. Organização de materiais de apoio

Por conta do fechamento das escolas durante a pandemia de Covid-19, houve uma alteração no projeto. Com o distanciamento, foram desenvolvidos diversos materiais de apoio aos professores que reuniam vídeos, livros e atividades curriculares para estudantes. 

Nesta fase foi elaborado o “Sistema de Apoio entre Iguais”, que contou com a contribuição de  estudantes de escolas particulares da rede de Equipes de Ajuda do Brasil, que se organizaram para produzir material de apoio, oferecer escuta, acolher e incentivar os mais de 27.500 estudantes das escolas públicas das duas diretorias de ensino do estado de São Paulo.

  1. Diagnóstico e avaliações

Ao longo da implementação do projeto, os pesquisadores realizaram avaliações para analisar o impacto da iniciativa dentro e fora da escola. A primeira fase da investigação contabilizou dados de 945.481 estudantes, 16.648 membros de equipes gestoras das escolas e 64.984 docentes dos anos finais do Ensino Fundamental do estado de São Paulo antes do início da pandemia.

As avaliações seguintes ocorreram após o fechamento das salas de aula. Essa mudança na dinâmica provocou alterações nos objetivos das avaliações, que passou a realizar escuta de crianças e adolescentes sobre os possíveis problemas de sofrimento emocional vivenciados durante o período de afastamento social, e de adolescentes sobre questões de cyberconvivência.

Resultados
Um dos resultados que mais chamou a atenção no estudo foi o sofrimento emocional vivenciado entre os alunos, provocando sentimentos de medo, tristeza e nostalgia, expressos em sintomas de depressão, ansiedade, automutilações e ideações suicidas. Estudantes pretos e pardos são mais expostos a violência quando comparados aos de cor branca.

A pesquisa mostra que os gestores escolares apresentam menor grau de percepção dos problemas desta e de outras relações interpessoais nas escolas quando comparado aos estudantes e professores. 

“Ao compararmos as respostas dos participantes nas diferentes escalas, encontramos uma discrepância já esperada em função da estrutura do trabalho, que impossibilita a dinâmica de construção do conhecimento pelo professor, visto a ausência de encontros institucionalizados de formação docente, de forma a garantir continuidade e intencionalidade para um tema de estudo. Aos professores, todas as dinâmicas e estudos trabalhados com gestores eram reduzidos ao tempo de uma ATPC (aulas de Trabalho Pedagógico Coletivo), competindo, nesse curto período, com outras temáticas introduzidas pela secretaria de Educação”, comenta a pesquisa.

Recomendações
Ao fim do estudo, foram mencionadas possíveis recomendações que podem ser adotadas para gestores escolares e para o poder público, entre elas a reorganização do currículo escolar, o aprimoramento do acolhimento em sala de aula, o incentivo da participação de estudantes nas decisões escolares, entre outros. Confira todas as propostas no fim do sumário executivo.

Edital Anos Finais
O edital de pesquisa “Anos finais do ensino fundamental: adolescências, qualidade e equidade na escola pública” tem por objetivo fomentar, apoiar e disseminar pesquisas que apontem recomendações para a construção de soluções e superação dos desafios no período escolar do 6º ao 9º ano, promovendo a interação entre a academia e a realidade escolar. Ao todo, o edital investiu R$ 3,68 milhões no financiamento das iniciativas de pesquisa. 

Veja também o resultado das pesquisas: