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Educar para transformar

Pedagoga acredita no valor social da educação e fala sobre a importância da formação continuada


Rose, como prefere ser chamada, é pedagoga e geógrafa. Ela fala do que aprendeu nos cursos que recomenda aos colegas. Foto: Arquivo pessoal

Por Wallace Cardozo, Rede Galápagos, Salvador (BA)
Depoimento de Rosenelia Marques Palmeira, teixeirense, professora, coordenadora pedagógica voluntária da Paspas (Profissionais da Área de Saúde Promovendo Ações Sociais) — e cursista do Polo

Sou teixeirense com orgulho, daquelas que têm a história da cidade na ponta da língua e o mapa na palma da mão. Teixeirense é o adjetivo gentílico para quem nasceu em Teixeira de Freitas, na Bahia, assim como eu e a Paspas (Profissionais da Área de Saúde Promovendo Ações Sociais), organização da sociedade civil (OSC) da qual faço parte como voluntária. O trabalho da instituição já foi tema de uma matéria publicada aqui.

Não há como falar de mim sem falar da Paspas. Costumo dizer que a organização fica no meu quintal, pois cresci no mesmo bairro em que hoje fica a sua sede. Tenho uma ligação muito forte com o espaço e nele atuo há sete anos, como coordenadora pedagógica. Entre 2014 e 2016, coordenei um projeto de reforço escolar, uma das várias atividades em que pude perceber quanto posso fazer a diferença na vida de outras pessoas por meio da educação.

Ser educadora não era o meu grande sonho, mas a pedagogia se apresentou a mim. Por sorte ou destino, eu me apaixonei pela área. Quanto mais eu estudava, mais crescia a certeza de que esse era o meu caminho. Na minha primeira experiência profissional, trabalhei numa escola em que tive muitos alunos em situação de vulnerabilidade e atentei ainda mais para o valor social da educação.

Cursei uma segunda graduação, em geografia. O meu trabalho está mais relacionado aos meus conhecimentos em pedagogia, mas as duas áreas se complementam, pois a geografia está presente em tudo. Quando falo do território teixeirense, do seu contexto histórico e dos problemas sociais, estou falando de geografia. Assim como quando analiso as recentes mudanças da sociedade e a forma como lido com elas e as levo para a sala de aula. Geografia.

Atualmente, trabalho com a educação infantil em duas escolas, como coordenadora e professora. Considero esse o melhor momento da educação porque as crianças ainda estão na fase da inocência e conseguem ver o mundo com encantamento. Assim como eu, professores e pais estão ansiosos para a retomada das aulas presenciais, o que ainda não ocorreu em todas as escolas do município.

Geralmente, as minhas noites são ocupadas com atividades da Paspas. Tenho atuado principalmente na inscrição em editais, principal fonte de renda da organização. Também coordeno alguns projetos, mesmo que hoje não tenha a mesma disponibilidade de tempo que tinha antes. Faço questão de me manter em colaboração com a instituição sempre que posso, sobretudo neste momento em que algumas das demandas estão aumentando, como a de atendimento psicológico.

Conheci o Polo por meio das parcerias estabelecidas entre a Paspas e o Itaú Social. Dentre as diversas possibilidades, me chamou a atenção a formação em avaliação sistêmica porque esse é um curso que eu já queria fazer havia algum tempo, mas ainda não tinha surgido a oportunidade. A avaliação sistêmica permite que eu direcione o meu trabalho para a pesquisa, análise e tratamento de dados, essenciais para argumentar e para pleitear políticas públicas.

O curso teve impacto imediato no meu trabalho na Paspas. Antes, os formulários de inscrição que aplicávamos aos nossos beneficiários solicitavam apenas informações básicas, como nome e data de nascimento. Com isso, era comum que tivéssemos dificuldade para traçar um perfil ou para entender melhor o público assistido. Isso acabava comprometendo a inscrição da Paspas em alguns editais, quando era solicitado algum dado que não tínhamos. Com o curso, estamos alterando os modelos dos documentos para que recolham uma maior quantidade de informações qualitativas.

Como já trabalho com o terceiro setor há bastante tempo, alguns dos temas abordados no curso não foram novidade para mim. Ainda assim, é sempre bom se atualizar e aprender novos conceitos, como o de avaliabilidade, do qual eu nunca tinha ouvido falar, mas é fundamental para quem lida com políticas públicas. Entendi também a importância de ouvir todos os públicos. Todo feedback é muito importante, inclusive o das crianças. Elas têm muito a dizer.

Prefiro a modalidade presencial, mas todo o contexto dos últimos anos tem feito com que eu me adapte cada vez mais ao on-line. Os vídeos e apostilas compõem um material muito bom, rico em detalhes e com uma linguagem acessível.

Com os aprendizados, pude contribuir na montagem de um plano de sustentabilidade da Paspas, em que incluí a avaliação sistêmica para a coleta de dados.

Recomendei o Polo aos professores e professoras da escola em que sou coordenadora. Além disso, imprimi e compartilhei parte do material disponível com eles e elas. Recomendo outros cursos que fiz na plataforma, voltados à educação infantil, como Experiência e Protagonismo: a BNCC na Educação Infantil e Acolhimento e Clima Escolar. Para mim, o Polo se tornou um ambiente de pesquisa. Até participei de algumas formações das quais não peguei o certificado porque no momento estava apenas querendo adquirir algum conhecimento específico que elas proporcionavam.

Sou muito feliz por trabalhar com educação. Em dobro, por trabalhar com a educação escolar e com a não escolar. Não gosto de classificar a educação como formal ou informal porque entendo que isso passa uma ideia de hierarquia. Todas as formas de educação são válidas e precisam se apoiar entre si. Mais do que estudantes que tiram boas notas, quero formar grandes seres humanos teixeirenses.

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