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Edital de Jornalismo de Educação divulga TCCs premiados

Itaú Social e Jeduca incentivam, por meio de edital, a produção jornalística sobre temas relevantes para a educação básica


O 2º Edital de Jornalismo de Educação divulgou os projetos selecionados na categoria Estudante. A iniciativa é uma parceria do Itaú Social com a Jeduca (Associação de Jornalistas de Educação), que incentiva a produção jornalística de qualidade sobre temas relevantes para a educação básica.

Cotas raciais no ensino superior, a experiência de famílias e estudantes de uma região periférica de São Paulo com o ensino remoto e um projeto de educomunicação com alunos da rede pública de São Sebastião (SP) foram os temas dos TCCs (Trabalhos de Conclusão de Curso) premiados.

O projeto concede prêmios em dinheiro para TCCs e monografias sobre educação. Ao todo, foram 105 inscritos de 21 estados – não houve inscrições apenas do Acre, Amazonas, Mato Grosso, Pernambuco, Piauí e Tocantins. 

O Edital também possui a Categoria Jornalista, que concedeu bolsas de R$ 8 mil para oito propostas de reportagem em sua segunda edição. Leia mais aqui.

Os premiados foram:

  • Cotas no ensino superior:

O primeiro colocado na Categoria Estudante é Lucas Venceslau Krupacz Leal, autor do documentário “Revolução Silenciosa: 10 anos de cotas raciais na UFSC?”, apresentado na UFSC (Universidade Federal de Santa Catarina) em 2018. Ele receberá um prêmio de R$ 3 mil. O vídeo faz um balanço dos resultados e desafios das ações afirmativas para negros na universidade catarinense.

Lucas Venceslau Krupacz Leal autor do documentário “Revolução Silenciosa: 10 anos de cotas raciais na UFSC?”

Leal conta que o projeto está ligado ao momento atual do Brasil. “Entre 2014 e 2018, quando fiz a graduação, acompanhei um processo forte de sucateamento da universidade. Além disso, vivemos um momento de perda de direitos sociais. Essas foram as motivações, o ponto de partida para o projeto”.

Para produzir o documentário, ele cursou disciplinas de ciências sociais, com o objetivo de ter uma base teórica para as discussões. “Estudei muito para fazer o projeto, que me fez descobrir e entender, enquanto cidadão e sujeito da sociedade, como a formação universitária pode despertar a consciência das pessoas e servir de ponto de partida para um debate sobre questões relevantes”, analisa Leal, que atualmente trabalha como apresentador e repórter numa emissora de tevê em Florianópolis.

A notícia do prêmio foi uma surpresa. “Me senti feliz e surpreso. Dá um estímulo ver que esse tema está sendo visto, tratado como uma prioridade, e que meu trabalho vai ter uma repercussão para além da UFSC, onde foi produzido. É um reconhecimento e um estímulo. Dá um gás para seguir trabalhando nessa área”, conclui.

Confira o documentário aqui.

  • Educação na pandemia:

O segundo lugar ficou com a reportagem multimídia “Educação isolada – Os desafios de famílias em São Mateus para seguir com os estudos durante a pandemia”, de Júlia Pereira Vasconcelos e Luiza Eltz, apresentada como trabalho de conclusão de curso na Faculdade Cásper Líbero, de São Paulo (SP), em 2020. As autoras receberão R$ 2 mil como prêmio.

Júlia Pereira Vasconcelos coautora da reportagem “Educação isolada – Os desafios de famílias em São Mateus para seguir com os estudos durante a pandemia”

Júlia e Luiza formaram uma dupla de trabalho durante toda a graduação, unidas por um interesse comum: as pautas sociais. “Por causa desse interesse, foi meio natural escolher um TCC sobre educação”, conta Júlia. Na reportagem, elas contam como cinco famílias lidaram com o ensino remoto ao longo de 2020.

Luiza Eltz coautora da reportagem “Educação isolada – Os desafios de famílias em São Mateus para seguir com os estudos durante a pandemia”

O projeto inicial era acompanhar o processo de alfabetização de uma turma de primeiro ano numa escola municipal na região de São Mateus (zona Leste de São Paulo). Porém, a pandemia forçou as estudantes a mudarem o rumo do projeto. “Foi um exercício de jornalismo mesmo, pois muitas vezes a pauta muda quando começa a apuração”, relata Luiza.

Para ambas, concretizar a pauta foi um desafio jornalístico. Julia destaca o aprendizado de realizar uma grande reportagem, ao longo de quase um ano, a distância. Luiza chama a atenção para a necessidade de ganhar a confiança das famílias, a fim de aprofundar as histórias que integram a reportagem.

As duas destacam que a experiência reforçou a intenção de trabalhar com temas sociais, em especial a educação. “A reportagem reafirmou aquilo que eu já sabia: a existência das desigualdades, o que pode trazer um impacto duradouro para as crianças, talvez para toda uma geração. Isso reforçou meu interesse por esses temas”, diz Júlia que está trabalhando numa entidade ligada ao direito urbanístico e de moradia.

“Quero continuar na área social, o TCC deixou isso claro para mim”, afirma Luiza, que trabalha com produção de vídeos no UOL. “Trabalho com hardnews e toda vez que é algo ligado à educação, o coração bate mais rápido”, admite.

Confira a reportagem aqui.

  • Educomunicação

O terceiro colocado é o podcast Cynthiacast, desenvolvido por Larissa Moreira Duarte com estudantes do ensino fundamental 2 da Escola Municipal Professora Cynthia Cliquet Luciano, de São Sebastião, cidade do litoral paulista. Larissa fez jornalismo no Centro Universitário Módulo e concluiu o curso em 2020. Como prêmio, ela receberá R$ 1.000,00.

Larissa Moreira Duarte autora do podcast Cynthiacast

Larissa conta que a ideia do projeto surgiu de sua própria trajetória de vida. Ela foi aluna da escola Cynthia Cliquet Luciano e aos 13 anos participou de um projeto de educomunicação da faculdade onde estudou. “Eu sempre quis fazer jornalismo, era uma paixão grande. Quando entrei na faculdade, no primeiro semestre, consegui um estágio na secretaria de educação, o que aumentou minha ligação com a área da educação”, diz ela.

Na hora de definir o TCC, ela diz que sabia que seria relacionado à educomunicação. A primeira ideia foi fazer um jornal com estudantes, mas conversando com o orientador surgiu a ideia do podcast. Apesar da pandemia, que impedia a realização de encontros presenciais com os estudantes, Larissa manteve o projeto, adaptando-o para ferramentas on-line.

“Foi bem difícil, caia a conexão da internet, precisava repetir, adaptar método de gravação, faltava equipamento, não tínhamos espaço adequado, mas saiu esse projeto lindo, por causa da força de vontade dos estudantes. Foi muito desafiador, mas foi incrível desenvolver esse projeto”, descreve Larissa.

Sua intenção é continuar trabalhando com educomunicação. “Esse projeto me trouxe uma luz do que eu quero fazer profissionalmente: quero contribuir com o que sei para que outras pessoas se tornem cidadãs ativas e tenham um meio e um espaço para se expressar”, conclui.

Escute o podcast aqui.