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Dia Nacional da Língua Portuguesa: Escritores e jornalistas compartilham suas experiências com estudantes e professores de todo o país

Olimpíada de Língua Portuguesa promove encontros com os semifinalistas da 7ª edição, quando a diversidade e a riqueza do idioma são enaltecidas


A Língua Portuguesa é celebrada nacionalmente em 5 de novembro. É neste mês também que a 7ª edição da Olimpíada de Língua Portuguesa realiza sua fase semifinal. Nesta etapa, cerca de 6.500 professoras, professores e suas turmas de estudantes estão participando de encontros com escritores e jornalistas para discutir toda a diversidade e a riqueza do idioma.  7ª Olimpíada de Língua Portuguesa recebe mais de 18 mil Relatos de práticas 

O encontro do gênero Crônica contou com a participação do jornalista e escritor Bruno de Castro, autor do livro finalista do Prêmio Jabuti de Literatura “E, no princípio, ela veio: crônicas de memória e amor” (Moinhos, 2020). Ele destacou que histórias escritas e protagonizadas por pessoas negras permitem que mais crianças, adolescentes e jovens acessem o universo da literatura, e por consequência, escrevam mais sobre suas vivências.

“O mundo nos diz o tempo inteiro que não podemos ser alguém de sucesso e passamos muito tempo para desconstruir isso e perceber que podemos ser um bom professor, jornalista, escritor. E premiado, por que não?”, diz Castro.

Em palestra para os estudantes semifinalistas do gênero Artigo de Opinião, os jornalistas Vagner de Alencar e Cintia Gomes, cofundadores da Agência Mural de Jornalistas das Periferias, também mostraram a importância de dar visibilidade a outros bairros e cidades. “Queremos contar as histórias que ninguém conta. Sou do Jardim Ângela, Zona Sul da cidade de São Paulo, e só encontrava notícias sobre violência na minha região. Queremos trazer nossas vivências e um outro olhar para as pessoas sobre nosso terriório”, explica Cíntia.

Preservando o passado
Palestrante do encontro do gênero Memórias Literárias, o escritor indígena Kaká Werá Jecupé reivindica por meio da literatura o reconhecimento dos povos indígenas no Brasil. “Na escola não aprendemos nada sobre os indígenas e falamos deles sempre no passado. O Brasil não conhece nossa visão de mundo, nossa memória, crenças e valores”.

Em suas obras, o escritor indígena mantém viva as histórias, tradições e costumes milenares dos povos originários brasileiros. “Somos resultado das memórias ancestrais, do que eles vivenciaram. Quanto mais você sabe sobre essas experiências, mais irão te ajudar no caminho a seguir”.

Quem também falou sobre preservar a memória foi a escritora Giovana Madalosso, responsável pelo projeto “Inumeráveis”, que conta a história de vítimas da Covid-19. A autora reforça a ideia de que olhar o passado é uma forma de orientar o futuro. “A memória é um farol virado para trás, que nos ajuda a seguir em frente para não cometermos os mesmos erros”.

“O Brasil perdeu muitos dos seus registros sobre a ditadura, não temos grandes museus sobre esse período como no Chile. Talvez se tivéssemos preservado essa memória, hoje não houvesse tantas pessoas defendendo a ditadura aqui”, destaca Madalosso.

Escritores participantes
Além dos escritores já mencionados, participaram dos encontros os escritores Carol Bensimon, autora de romances como “O Clube dos Jardineiros de Fumaça” (Cia da Letras, 2017), vencedor do Prêmio Jabuti; João Wanderley Geraldi, autor de obras na área de ensino de Língua Portuguesa como O texto na sala de aula: leitura e produção” (ASSOESTE, 1984); e a escritora homenageada por esta edição da Olimpíada de Língua Portuguesa, Geni Guimarães.

Nesta semana encerra o encontro do gênero Documentário, com a presença dos produtores audiovisuais Yasmin Tainá, cineasta, pesquisadora, fundadora da Afroflix e curadora da Flup (Festa Literária das Periferias); Victor Luiz, produtor e diretor audiovisual, e um dos diretores da série “Diz Aí – Extermínio e Enfrentamento da Juventude Negra”; e Tammy Weiss, produtora de projetos audiovisuais e gestora de negócios audiovisuais. Na semana seguinte, ocorrerá o último encontro com os docentes e estudantes semifinalistas, desta vez com o gênero Poema.

Próximas etapas
Todos os finalistas da Olimpíada de Língua Portuguesa serão anunciados até o dia 16 de novembro, data que encerra a semifinal do concurso. No dia 30 de novembro será formada uma comissão julgadora que selecionará os projetos vencedores. A celebração dos docentes e das turmas vencedoras ocorrerá no dia 10 de dezembro.

O concurso integra o Programa Escrevendo o Futuro, desenvolvido pelo Itaú Social com a coordenação técnica do CENPEC. Conta com a parceria do MEC (Ministério da Educação), da Undime (União Nacional dos Dirigentes Municipais de Educação), do Consed (Conselho Nacional de Secretários de Educação), da Fundação Roberto Marinho e do Canal Futura.