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Alento no sertão

Escola parceira do Comunidade, Presente!, no interior do Ceará, destina cestas de alimentos e produtos de higiene a 165 famílias durante período de dificuldade


Nágila Alves e família receberam as cestas com 33 itens distribuídas pela Escola de Ensino Fundamental Dau Alberto, em Madalena (CE): “Foi muito bom ter a garantia dessa ajuda durante três meses”. Fotos: Arquivo pessoal/EEF Dau Alberto

Por Luana Gurgel, Rede Galápagos, Fortaleza (CE)

Nágila Alves é agente de administração na Escola de Ensino Fundamental Dau Alberto, na cidade de Madalena, sertão cearense, a 180 quilômetros da capital, Fortaleza. Seu marido, Antônio dos Santos Sousa, é agricultor. O casal tem três filhos: Jhonata, 17, Ian, 12, e Iane, 9. O período de chuvas não foi bom para a produção na roça e João também não conseguiu receber auxílio emergencial. Assim, a possibilidade de trazer o sustento para os cinco fica com Nágila, que se divide entre a casa e o trabalho, na mesma escola em que estudam os filhos. Foi com alegria que ela recebeu a notícia que traria alívio para família: durante três meses a escola destinou cestas com alimentos e produtos de higiene. Um respiro para quem vive com um salário mínimo. “Foi muito bom ter a garantia dessa ajuda durante três meses”, diz Nágila. 

O apoio veio por meio da edição emergencial do programa Comunidade, Presente!, do Itaú Social. Há 15 anos o programa apoia organizações da sociedade civil em todo o Brasil. Em 2020, teve o seu formato reformulado para apoiar nos enfrentamentos causados pela pandemia e, desde então, beneficiou milhares de famílias com a distribuição de kits com itens essenciais de consumo, como alimentos, produtos de higiene e gás de cozinha. A ação foi realizada em 17 estados brasileiros. A ação foi realizada por intermédio de organizações parceiras, como a escola Dau Alberto. Eliza Dedê, a coordenadora pedagógica da escola, acredita que o que pesou muito para a escolha foi que a escola atende especialmente uma comunidade de baixa renda. “Quase todas são famílias vinculadas ao bolsa família, com muita dificuldade financeira”, explica.

A escola já havia  participado do programa Leia para uma criança, iniciativa do Itaú Social. Por causa desse contato anterior, os gestores receberam atualizações sobre novas possibilidades de parcerias. Uma organização social civil do município auxiliou a coordenação da escola com a inscrição no edital. “Inscrevemos todas as 165 famílias, pois todas são carentes”, explica Eliza.

Atividade em 2019 na escola Dau Alberto em Madalena (CE): Natureza da Paisagem água e energia: recursos da vida foi um projeto vencedor de concurso de companhia de energia do estado

Logística para montagem e entrega das cestas
Eliza conta que o município é carente até para fazer uma pesquisa de preços mais ampla. “São poucos os estabelecimentos que dispõem dos produtos necessários; ainda mais na quantidade necessária”. Após algumas tentativas a escola conseguiu os produtos para a montagem das cestas. Foram ao todo 33 itens. A escola então planejou um calendário com horários determinados para a entrega do material recebido. E redobrou os cuidados para evitar aglomerações. Nem todos em Madalena têm acesso ao celular para que a escola informasse a todas as famílias contempladas sobre a disponibilização das doações. Mesmo assim, por meio do boca a boca, todas ficaram sabendo e foram buscar as cestas. 

“A gente tem feito de tudo para não deixar essas crianças mais distantes fora desse processo” reforça Eliza sobre o esforço para garantir educação a todas as crianças assistidas pela escola. A coordenadora conta que atende a diferentes públicos como aqueles que moram mais próximos à escola, que geralmente têm acesso ao celular. Além daquelas crianças e jovens de localidades mais distantes, famílias que vivem em casas de taipa, muitas sem acesso sequer à energia elétrica.

Eliza Dedê com o cartaz de comemoração do título escola nota 10: reconhecimento a partir da avaliação do Sistema Permanente de Avaliação da Educação Básica do Ceará. Foto: Arquivo pessoal

A escola traçou estratégias para os diferentes perfis de alunos. Crianças com acesso ao celular acompanham as atividades por meio de uma plataforma utilizada por educadores e alunos. Já aqueles que precisam dividir o uso do aparelho entre irmãos recebem complemento com atividades impressas entregues na instituição. Quem não tem nenhum acesso aos meios digitais precisa da colaboração dos pais que a cada 15 dias devem pegar atividades impressas na escola e devolver o que já foi respondido. Aquelas famílias que não levam de volta as atividades são buscadas pelos educadores para um acompanhamento mais de perto.

“A realidade encontrada é muito triste, a defasagem das crianças está muito grande”, relata Eliza. O problema fica maior quando envolve crianças com dificuldades de aprendizado. “Algumas crianças tiveram seus déficits acentuados”, explica. “Os estudantes não tem aulas presenciais há 15 meses”. Com a aplicação dos questionários de diagnóstico entre os alunos, a instituição percebeu que muitos deles sequer se consideram ligados à escola. Há um longo caminho para recompor e reforçar os vínculos. “O desejo é a gente poder retornar, poder estar em contato com as pessoas que a gente gosta, que nesse período ficou mais difícil”, diz Nágila. “É preciso acreditar que vai melhorar”. 

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