A trajetória artística e ativista da cantora Elza Soares e da escritora Maria Carolina de Jesus serviram de inspiração para o livro “O sonho de Ayo”. A publicação foi produzida por estudantes do Centro Municipal de Educação Infantil Doutor Djalma Ramos, de Lauro de Freitas (BA), e está disponível gratuitamente no acervo digital Anansi – Observatório da Equidade Racial na Educação Básica.
Esse é o segundo conteúdo criado a partir da pesquisa “Por uma infância escrevivente: práticas de uma educação antirracista”, ocorrida entre os anos de 2020 e 2022. Seu antecessor foi um manual com sugestões de oficinas orientadas à cultura de equidade entre os estudantes.
O livro conta a história de Ayo, menino negro morador de Lauro de Freitas que, em seu sonho, conhece e interage com Carolina Maria de Jesus e Elza Soares. Na história, a personagem apresenta a cultura de seu território, de origem africana, para as artistas e ao leitor, como relatos sobre pratos típicos e celebrações da cultura local.
“Na trama, as crianças puderam ‘escreviver’ seus saberes, sentimentos, experiências e expressar, de maneira criativa e delicada. As marcas das territorialidades inscritas em seus corpos, de meninas e meninos, pretas e pretos, em contextos periféricos. As crianças, de seus lugares de infância, registraram os tempos e espaços que ocupam, o que pode ser percebido na representação de alguns pratos da gastronomia de diáspora, como a comida de azeite, o mocotó, assim como nos seus desejos em forma de presente”, conta a pesquisadora Ladjane Alves Sousa.
Escrevivência
O termo “Escrevivência” foi criado pela escritora Conceição Evaristo há quase 30 anos. Sua origem vem das palavras “escrever” e “viver”, “se ver” e tem como proposta dar visibilidade às narrativas de grupos sociais historicamente marginalizados, utilizando como base as suas vivências .
ℹ️ Confira a entrevista com a escritora Conceição Evaristo
Sobre o Edital
A pesquisa foi uma das selecionadas pelo Edital Equidade Racial na Educação Básica, uma iniciativa do Itaú Social, realizada pelo Ceert (Centro de Estudos das Relações de Trabalho e Desigualdades), em parceria com o Instituto Unibanco, Fundação Tide Setubal e o Unicef (Fundo das Nações Unidas para a Infância).
O Edital também selecionou nove autores para escreverem artigos científicos com diversos temas sobre relação racial, como práticas pedagógicas antirracistas, feminismo negro e representatividade na literatura infantil. Os textos receberam apoio técnico e financeiro e podem ser acessados gratuitamente no site do programa.
Acervo Digital
Ao longo do ano, a biblioteca da Anansi receberá mais de 50 produções, entre livros, teses acadêmicas, artigos, e-books, jogos didáticos e vídeos. Parte dos futuros materiais serão os resultados das pesquisas aplicadas, apoiadas pelo edital de Equidade Racial na Educação Básica.