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Polo de desenvolvimento educacional

Uso da avaliação em estratégias organizacionais foi tema de Seminário

O seminário internacional Avaliação para o Investimento Social Privado: Estratégia Organizacional reuniu, no dia 6 de agosto, no Rio de Janeiro (RJ), mais de 300 gestores de projetos, investidores sociais privados e especialistas. O evento foi realizado pela Fundação Itaú Social e Fundação Roberto Marinho, em parceria com a Fundação Maria Cecília Souto Vidigal e a consultoria Move. Contou ainda com apoio da Fundação Santilliana, do Grupo de Fundações e Empresas (Gife) e da consultoria COMEA.

O evento teve como objetivo promover o debate e a troca de experiências sobre a importância de utilizar a avaliação em estratégias de organizações que realizam investimento social. Durante o seminário, os realizadores falaram sobre suas próprias experiências com o uso de avaliação nas instituições e debateram os desafios para disseminação da prática entre investidores sociais privados.

A superintendente da Fundação Itaú Social, Isabel Santana, relatou que a decisão estratégica assumida pela organização de efetuar avaliações de impacto e retorno econômico de todos os seus programas foi determinante para o estabelecimento dos rumos tomados em suas iniciativas. “Ninguém espera investir sem retorno, essa é a lógica de se fazer um investimento”, explicou. De acordo com ela, esse fato motivou alguns compromissos assumidos por todos, do presidente ao analista da instituição. Dentre eles destacam-se não engavetar resultados e sempre divulgá-los, trabalhar juntos nos desenhos das avaliações e usar os dados obtidos para tomar decisões. “Hoje, extrapolamos o compromisso institucional. Passamos a oferecer a metodologia para instituições parceiras e a contribuir com a capacidade avaliativa de outras organizações”, concluiu.

Segundo a gerente de desenvolvimento institucional da Fundação Roberto Marinho, Mônica Pinto, um dos grandes desafios é perceber o que de fato podemos aprender com a avaliação. “O exercício da avaliação pressupõe desapego, pois às vezes implica na mudança de estratégia. Portanto, requer transparência das equipes”, disse.

Para o gerente de avaliação da Fundação Maria Cecília Souto Vidigal, Eduardo Marino, quando se entra no debate sobre estudos randomizados, nos quais é preciso deixar um grupo sem acesso ao serviço e outro grupo com acesso, para compará-los, inicia uma discussão um tanto difícil no Brasil. “Neste evento ouvimos sobre alternativas, essa discussão de métodos quase experimentais por meio dos quais é possível, em alguma medida, fazer estudos quantitativos de impacto, levando em consideração esse desafio. Esse é um ponto muito importante”, afirmou.

Essas análises dialogaram com as atividades realizadas no período da manhã, quando foram oferecidas três oficinas conduzidas pelos especialistas convidados internacionais: Tessie Catsambas (presidente da EnCompass LLC, Washington, EUA), Patricia Rogers (professora da RMIT University, Melbourne, Austrália) e Thomas Cook (professor da Northwestern University, Chicago, EUA). Os participantes tiveram a oportunidade de realizar exercícios e debater o uso prático de estratégias avaliativas diversas.

Segundo Thomas Cook, avaliar é importante para demonstrar que os objetivos dos projetos foram alcançados. “Espera-se de investidores sociais que respeitem a lei, sejam transparentes e melhorem a vida das comunidades. A avaliação de impacto constitui, assim, a forma mais adequada de demonstrá-lo”, disse. Ele afirmou ainda que quando se trata de prestar contas para a sociedade, a principal justificativa para continuar uma ação são seus impactos, pois isso permite construir uma opinião.

O reconhecimento dos valores de cada organização é fundamental no momento de avaliar programas e projetos, segundo a professora Patrícia Rogers.  Ela afirmou que é a partir dessa postura que se torna possível identificar se está sendo feita a coisa certa, do modo correto.  Outro dado importante é o momento de começar: “mesmo que a avaliação seja planejada desde o início, torna-se inviável aproveitá-la devidamente se for feita somente após a conclusão do projeto. O processo avaliativo deve permear o desenvolvimento das ações, para possibilitar a coleta de evidências e o monitoramento, fatores essenciais para fazer análises e capturar de fato o que foi feito, o que constitui grande parte do trabalho”, disse.

De acordo com a especialista Tessie Catsambas, o alinhamento dos avaliadores com as funções da organização, a capacitação das equipes, a adequação de ferramentas e os limites das metodologias empregadas são fatores determinantes para que os resultados de uma avaliação de fato ajudem a melhorar as estratégias organizacionais. Ela destacou ainda a importância de utilizar métodos quantitativos e qualitativos para obter informações mais consistentes e completas. “É essencial, quando são utilizados métodos mistos, realizar a avaliação de forma participativa, para que diferentes atores, inclusive os beneficiários da ação, possam definir o que é importante para eles”, destacou.

Confira as apresentações realizadas pelos convidados internacionais:

Avaliação de Impacto para Prestação de Contas: Algumas opções de Métodos – Tom Cook – Northwestern University.

Avaliação para prestação de contas transparente: Uma questão importante que não pode continuar sendo evitada – Thomas D Cook – Northwestern University.

Apoiando-se em teorias da mudança para o planejamento, gestão e avaliação – Patricia Rogers – Royal Melbourne Institute of Technology.

Aprender a definir e melhorar estratégias organizacionais através da avaliação – Patricia Rogers – Royal Melbourne Institute of Technology.

Avaliando nosso caminho para tornar organizações mais inteligentes – Tessie Catsambas – EnCompass LLC.

Avaliação é Essencial –  Tessie Catsambas – EnCompass LLC.