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Polo de desenvolvimento educacional

Unicef reúne empresas, sociedade civil e gestores públicos para discutir os desafios da educação

“A agenda global de desenvolvimento é marcada pela Agenda 2030 e pelos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS). Para alcançar os ODS, é fundamental investir em educação. E precisando unir esforços entre os diferentes setores da sociedade para isso”. Com essa fala, Florence Bauer, representante do Unicef no Brasil, abriu o Café com Unicef. Realizado em São Paulo em 13/6, o evento reuniu 60 convidados da iniciativa privada, da sociedade civil e da gestão pública para um amplo debate sobre os avanços e desafios da educação brasileira.

Dividido em dois painéis de debate, o evento foi marcado pela sinergia entre os diferentes setores, em prol do direito de aprender de cada menino e cada menina, sem exceção.

Para começar, Ângela Dannemann, superintendente da Fundação Itaú Social, Beatriz Azeredo, diretora de responsabilidade social da TV Globo, e Frederico da Costa Amâncio, secretário de educação do Estado de Pernambuco, trouxeram aos presentes um panorama da educação pública brasileira.

Sob a moderação do jornalista Fábio Takahashi, da Folha de S. Paulo, os participantes começaram mostrando que houve avanços no País, mas ainda há muito por fazer. “O Brasil fez uma opção pela universalização da escola pública. Foi uma escolha acertada. A questão central é a velocidade com que essa universalização acontece. Na velocidade em que estamos, não chegaremos lá. Para alcançar uma educação de qualidade para todos, temos que fortalecer as políticas públicas e engajar a sociedade”, disse Beatriz Azeredo.

A diretora de responsabilidade social da TV Globo enfatizou a importância de mudar a narrativa nacional sobre a educação pública. “Precisamos sair dos extremos. Nem ficar no discurso de que está tudo ruim na escola, nem enfatizar a ideia do professor herói. Precisamos mostrar os desafios reais, mostrar o que é, de verdade, valorização do professor e ajudar a mudar percepções. Estamos falando de uma mudança de cultura. E isso não é trivial”, disse ela, destacando o papel da comunicação no processo de valorização da escola pública.

Outro ponto forte da mesa foi a importância de coordenar melhor os investimentos em educação, garantindo que empresas, sociedade civil e gestão pública trabalhem de forma articulada. “É preciso entender que a educação é complexa, precisa ser pensada em conjunto, sem focar apenas em soluções pontuais. Temos que unir todos os setores, respeitando o papel de cada um, mas buscando coerência e continuidade naquilo que está funcionando”, defendeu Ângela Dannemann.

Nesse contexto, a importância de um olhar local, focado nas especificidades de cada escola e aluno, também foi colocada como essencial. “Temos que unir esforços e, ao mesmo tempo, ter um olhar para as especificidades locais. Não podemos falar em uma única educação integral, por exemplo. Precisamos de mais de um modelo, em linha com os diferentes contextos do País”, complementou a superintendente da Fundação Itaú Social.

Para fechar o painel, o investimento entrou em pauta, com ênfase na importância de se priorizar a educação básica, base para as demais etapas da vida escolar. “Avançamos no acesso escolar. Avançamos na ampliação dos anos de escolaridade da população. Mas a qualidade não tem avançado como gostaríamos. E temos um altíssimo abandono escolar no ensino fundamental, que se estende pelo ensino médio. Temos que investir nessas etapas de ensino. Para mudar o cenário atual, financiamento e gestão são pontos fundamentais”, defendeu Frederico da Costa Amâncio.

Um olhar para crianças e adolescentes em situação de exclusão e vulnerabilidade 
Terminado o primeiro painel, chegou o momento de entrar mais a fundo nos principais públicos impactados pelas desigualdades que marcam a educação brasileira. Coordenado pela jornalista Cinthia Rodrigues, co-fundadora do Quero na Escola, o segundo painel contou com Thaiane de Santos, estudante do município do Rio de Janeiro, Liliane Garcez, gerente de projetos do Instituto Rodrigo Mendes, Isabel Costa, gerente de cidadania corporativa da Samsung, e Ítalo Dutra, chefe de educação do Unicef Brasil.

Para começar a conversa, Thaiane, jovem negra, que estudou a vida toda em escola pública e hoje cursa biologia em uma universidade federal, falou sobre os desafios enfrentados por meninos e meninas que, como ela, cresceram em um contexto de vulnerabilidade social.

“Eu ia para a escola andando, com um grupo de amigos. A cada ano, o grupo ficava menor. Essa realidade é muito triste. Eu cheguei à universidade, mas a maioria dos meus amigos não. E não é uma questão de esforço. Essa ideia de que a juventude não quer nada não é verdade, a gente quer um futuro. Também não é questão do professor. Eles fazem o que podem. A escola faz o que pode. Mas ela sozinha não muda a realidade. É preciso pensar nas condições socioeconômicas em que esse aluno está inserido. Já temos escola pública, gratuita, só falta ser de qualidade”, disse a jovem, emocionando a plateia.

A fala foi o gancho para que Liliane Garcez trouxesse ao público outra parcela dos meninos e das meninas que hoje estão excluídos no País: as pessoas com deficiência. “Quando a escola olha para uma criança com deficiência, vê primeiro a deficiência. Esse é um entrave cultural que precisa ser quebrado. Para falar em direitos humanos, precisamos inverter a centralidade, saindo da deficiência e olhando para a pessoa”, destacou ela. E complementou: “Quem sempre foi excluído tem pressa”.

Reverter esse quadro pressupõe um investimento de diferentes setores da sociedade, com foco na garantia dos direitos de cada criança e cada adolescente, sem exceção. E os caminhos para isso são diversos. “A tecnologia pode ser um meio para motivar os alunos e ter uma maior integração no ambiente escolar”, defendeu Isabel Costa, gerente de cidadania corporativa da Samsung. Para ela, a tecnologia pode ajudar a encurtar caminhos e levar oportunidades para meninos e meninas nos mais longínquos pontos do País.

Aproveitando o tema, Ítalo Dutra fez um apanhado geral dos desafios da educação e colocou luz sobre o currículo escolar, entendido de forma ampla e inclusiva. “Não tem como pensar em estratégias de educação disseminadas a partir de uma visão central, deslocadas da realidade escolar. Professor tem que ser autor, estudante tem que ser autor, todos precisam ter voz. É fundamental abrir espaço para a autoria, para escutar quem está todo dia, com mais de 48 milhões de alunos, dentro da escola. A escola sozinha não dá conta dos desafios. Mas a mudança não acontece sem ouvir quem está, diariamente, na escola”, defendeu o chefe de educação do Unicef no Brasil.

Para fechar, Ítalo Dutra lembrou que todas as crianças e todos os adolescentes têm os mesmos direitos. “Quando a gente fala no direito à educação, a gente também tem de estar empenhado, de verdade, em reduzir desigualdades. Porque cada menino, cada menina tem os mesmos direitos. E isso precisa ser garantido integralmente”.

Um convite à participação 
Para fechar o evento, Florence Bauer fez um convite a todos os participantes, para que se engajem e se unam ao Unicef e seus parceiros para mudar para melhor a realidade brasileira. “Hoje tivemos duas mesas com representantes de diversos setores e vimos a grande conexão entre eles. Trabalhar junto é essencial para mudar para melhor a educação brasileira”, disse ela.

“Setor privado, vocês têm um papel fundamental na garantia dos direitos de crianças e adolescentes. E podem ajudar em várias áreas: advocacy, geração de conhecimento, inovação, busca por soluções. Esse é nosso convite: sejam porta-vozes dessa agenda e se juntem a nós por todo menino e toda menina, sem exceção”.

Assim que a fala terminou, o estudante Eduardo Salgado, de Gravatá (PE), cadeirante, fez uma apresentação de dança com seu professor e mostrou que a deficiência não é uma barreira, mas uma porta para a arte e a inclusão.

Sobre o Unicef: O Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef) trabalha em alguns dos lugares mais difíceis do planeta, para alcançar as crianças mais desfavorecidas do mundo. Em 190 países e territórios, o UNICEF trabalha para cada criança, em todos os lugares, para construir um mundo melhor para todos.

Fonte: Unicef Brasil