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Polo de desenvolvimento educacional

Tutores de projeto-piloto recebem consultoria externa

Pela segunda vez no Brasil, a nova iorquina Jackquelyn Young, especialista em desenvolvimento profissional de lideranças escolares, revisitou dez escolas da Zona Leste de São Paulo, que integram um projeto-piloto, realizado pela Fundação Itaú Social, em parceria com a Secretaria de Educação do Estado de São Paulo e com o apoio técnico do Instituto Fernand Braudel. Um dos eixos de ação do projeto, que foi inspirado na reforma educacional de Nova York, é o acompanhamento e apoio ao professor em sala de aula, por meio de tutoria.

Com o objetivo de observar o trabalho desenvolvido pelos tutores do projeto, Jackquelyn, que atuou como vice-CEO de 256 EmpowermentSchools – escolasque integram o Programa de Autonomia Escolar, um dos eixos da reforma de Nova York –, acompanhou a atuação deles junto aos professores em sala de aula, no planejamento das aulas e nas atividades realizadas no contraturno escolar. A especialista também participou das reuniões de HTPC (Horas de Trabalho Pedagógico Coletivo), além de ter conversado com alunos, diretores e demais integrantes das equipes escolares.

Entre a sua primeira visita ao projeto, em 2009, e agora, ela observou avanços. A especialista diz que os tutores se mostraram muito habilidosos em conquistar a confiança dos professores. “Não é fácil lidar com o fato de que alguém vai entrar em sua sala de aula para observar o seu desempenho frente aos estudantes. Para que o trabalho da tutoria flua é preciso que os professores compreendam que se trata de uma oportunidade para melhorar a prática em sala de aula. Isso está funcionando muito bem no projeto porque se estabeleceu uma relação de parceria entre tutores e professores”, afirma.

Um dos exemplos dessa parceria pôde ser vivenciado por Jackquelyn na escolaJardim Wilma Flor, onde aconteceu o chá literário, evento organizado pela professora de PortuguêsRegilene Paulina da Cunha,com apoio da tutora Márcia Giupatto. Numa tarde de sexta-feira, alunos do 1º ano do ensino fundamental apresentaram suas produções poéticaspara uma plateia formada por docentes e pais. Ao término do evento, os convidados receberam uma publicaçãocom o registrodos poemas produzidos pelos alunos. “A Márcia tem me ajudado bastante com novas ideias para trabalhar os conteúdos, como a confecção de oficinas literárias, por exemplo. Além disso, poder observar os alunos nos momentos em que a tutora assume a sala de aula me fez notar habilidades deles que eu não havia percebido”, diz.

A especialista elogiou a iniciativa do chá literário e reforçou que “atividades como essa são importantes para o empoderamento dos estudantes a partir do reconhecimento de seus talentos”. Nas conversas com os professores, como no caso de Regilene, ela pôde observar que os tutores estão contribuindo de fato para a reflexão da prática pedagógica ao buscar e apresentar diferentes estratégias e materiais de apoio.

Outro avanço identificado por Jackquelyn foi a contratação de mais tutores, o que abriu a possibilidade de trabalhar de forma mais individualizada com os professores. O projeto, que começou com dois tutores de Português e dois tutores de Matemática, agora conta com três tutores para cada disciplina, além de mais dois tutores que atuam com os professores coordenadores das escolas e um tutor sênior.

Desafios

Entre os desafios apontados pela especialista está a organização das reuniões pedagógicas. Para Jackquelyn, elas precisam ser mais focadas nos assuntos pertinentes aos conteúdos das disciplinas e na prática pedagógica em detrimento ao tempo reservado para questões administrativas e para os problemas relatados pelos professores. “O ideal é dividir a agenda das reuniões de forma que a busca por soluções e por estratégias sejam prioridade. O tempo para que eles possam falar sobre os problemas enfrentados em sala de aula é importante, mas deve ser restrito e ser conduzido de forma que os professoressejam sucintos e bem específicos”, afirma.

Para lidar com problemas específicos como indisciplina, um dos mais relatados pelos professores, Jackquelyn apresentou táticas, algumas delas são sugestões simples que impactam diretamente a qualidade do clima da sala de aula, como o “noise meter”, um medidor de ruído. A estratégia consiste em desenhar na lousauma espécie de semáforo, no qual as cores verde, amarelo e vermelho representam o volume do som produzido pelos alunos. A ideia é estabelecer um acordo sobre o nível de som adequado para o andamento das aulas. A cada vez que os alunos ultrapassarem o limite aceitável, o professor deve apontar para o desenho na lousa, chamando a atenção da turma.

Outra questão levantada por ela foi a ambientação das salas de aulas. Na opinião da especialista, as salas precisam estar recheadas de referências que remetam ao conteúdo das disciplinas, como por exemplo, os trabalhos que os alunos confeccionam durante as aulas. “O ideal mesmo seria separar as salas de aulas de acordo com cada disciplina ou, ao menos, agrupar disciplinas correlatas em um mesmo espaço. Esta forma de organização do espaço facilita a aprendizagem e faz com que professores e alunos se sintam responsáveis por aquele espaço, estabelecendo dessa forma outra relação com a sala de aula”, finaliza.