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“Trabalhar com criatividade é puro estímulo à sensibilidade, percepção e cognição”

Diretora de escola municipal em Alagoas, Rita de Cássia fala sobre a importância da multidisciplinaridade na educação e conta como foi sua recente experiência de fazer um curso no Polo


A pedagoga Rita de Cássia Nunes, que fez o curso Mapas de Foco da BNCC para Verificação da Aprendizagem, no Polo: “A plataforma dá subsídios de conhecimento para que possamos melhorar a abordagem, adequando à nossa realidade”. Foto: Franklin Nunes

Por Ana Roberta Amorim, Rede Galápagos, Recife (PE)
Depoimento de Rita de Cássia Nunes, engenheira agrônoma e pedagoga, diretora da Escola Municipal de Educação Básica Vereador João Rogério dos Santos em Campo Alegre (AL). Pós-graduanda em psicologia em altas habilidades e superdotação pela Universidade de Araraquara (Uniara) e no curso “A moderna educação: metodologias, tendências e foco no aluno” (pela PUCRS) — e cursista do Polo.

Meu primeiro contato com o ensino básico aconteceu em 1997, após um convite do prefeito de Campo Alegre, minha cidade natal, em Alagoas. Na época, havia um déficit de professores, e ele viu em mim, engenheira-agrônoma e secretária municipal de Agricultura, uma opção para ajudar os alunos do ensino público. 

Foi encantamento à primeira vista. Inicialmente, trabalhei com as disciplinas de exatas, biologia e química para o ensino médio. Depois, comecei a trabalhar com crianças menores, entre 2002 e 2003.

Em meio a tudo isso, eu também atuava como bailarina e trabalhava em um grupo voluntário para meninas em situação de vulnerabilidade, atividade que exerci até o ano de 2007. E foi essa experiência que fez de mim a professora que sou hoje, na busca por unir o acadêmico ao artístico com os meus alunos. 

Em 2003, saí de Campo Alegre e fui para Arapiraca, também em Alagoas. A mudança aconteceu a convite da Escola Alternativa, centro de ensino particular. O meu trabalho tinha como objetivo trazer a dança, tão conhecida minha, para a educação das crianças e adolescentes. Primeiro, trabalhei com o ensino médio, indo para o ensino fundamental logo depois. 

Com meus alunos, a dança não era vista como um curso opcional do colégio, em que se aprende o básico. Ela era integrada ao ensino como forma de estímulo cognitivo, na fase da alfabetização, por exemplo. Foi nesse momento que comecei a me aproximar da parte pedagógica e onde permaneci por cinco anos, até 2009. 

Em 2010, retornei a Campo Alegre, iniciando um novo trabalho dois anos depois, também numa escola particular, a Novo Tempo. No entanto, após três anos, em 2015, recebi o convite da prefeita Pauline Pereira para municipalizar a escola. Foi um gesto do qual me orgulho e tenho imensa gratidão. A nossa escola é uma referência na região. 

A antiga Novo Tempo e atual Escola Municipal de Educação Básica Vereador João Rogério dos Santos (nome dado em homenagem da Câmara de Vereadores ao meu pai, que tinha envolvimento com a questão educacional) chegava a mais pessoas, oferecendo a elas oportunidades de aprendizagem. Para se ter uma ideia, em apenas dois anos, nossa escola passou de 6,6 na pontuação do Ideb, em 2017, para 7,3, em 2019. As matrículas, que antes registravam 100 alunos, passaram a ter 400 estudantes. Estou como diretora há cinco anos, com mais quatro anos de trabalho pela frente.

Mas foi durante a pandemia da Covid-19, no ano passado, que precisei reinventar minha maneira de ensinar. Para me ajudar nesse processo, fiz neste ano o curso Mapas de Foco da BNCC para Verificação da Aprendizagem, no Polo, ambiente de formação do Itaú Social.

A possibilidade de iniciar esse curso veio por meio de um consórcio organizado entre alguns municípios de Alagoas, que têm trabalhos de pesquisa sobre a situação da educação nas cidades, as necessidades dos professores, dentre outros assuntos, com apoio do Itaú Social. 

Fazer esse curso me ajudou a ter um entendimento ainda maior de como funciona a dinâmica dos mapas focais, que é um trabalho que está sendo feito pela rede municipal de ensino de Campo Alegre. Conheci os mapas focais em novembro do ano passado, mas apenas neste ano pude colocá-los em prática de forma efetiva com meus alunos. 

Em resumo, esses mapas ajudam a nós, professores, a fazermos um intercâmbio entre disciplinas com os alunos em um trabalho realizado sobre as habilidades descritas na Base Nacional Comum Curricular (BNCC) para os diversos anos de ensino. A intenção é tentar concentrar as habilidades essenciais em um ano de curso, ou seja, usamos os mapas para, como diz o nome, focar nas principais, aquelas que as crianças precisam desenvolver. 

Minha experiência com o curso Mapas de Foco na verificação das aprendizagens para dirigentes municipais e equipe foi muito boa. É bem ilustrativo, fácil de aprender e com uma boa dinâmica. A plataforma dá subsídios de conhecimento para que possamos melhorar a abordagem, adequando à nossa realidade. A própria dinâmica do mapa focal foi fácil de localizar. Estamos utilizando há mais de trinta dias e tem dado muito certo. 

Atualmente, na escola, estou trabalhando com três modalidades diferentes, presencial, híbrida e totalmente remota. O uso do mapa focal, que é recomendado pela Secretaria Municipal de Educação como uma ferramenta de planejamento das escolas, tem me ajudado bastante a conseguir reverter o tempo de paralisação, por causa da pandemia, nessa volta às aulas. 

Além do trabalho com mapas focais, uma área que tem chamado minha atenção, em especial nos últimos dois anos, é a identificação de crianças e adolescentes que apresentam comportamentos de altas habilidades e superdotação. Na escola onde sou diretora, estávamos começando a trabalhar com esse público, conseguindo inclusive um decreto municipal para formação de um núcleo municipal para atendimento especializado. Em razão da pandemia, no entanto, precisamos parar com a ampliação das atividades. Ainda assim, é possível fazer alguns acompanhamentos, que estão dentro da nossa proposta de educação inclusiva e são necessários para trabalhar as principais habilidades dos alunos. 

Tornou-se tão grande o meu interesse pelo assunto que resolvi me aprofundar por meio de uma pós-graduação em psicologia em altas habilidades e superdotação, pela Universidade de Araraquara (Uniara). Além disso, o contato com o tema fez com que eu mesma fosse identificada com essas habilidades, motivo pelo qual também comecei a fazer um acompanhamento psicológico. Esse diagnóstico acabou me levando a perceber que os meus diferentes e aparentemente conflitantes interesses (educação, engenharia, dança) têm um porquê. Afinal, o trabalho com criatividade é puro estímulo à sensibilidade, percepção e cognição, não somente para quem aprende, mas também para quem ensina.

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