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Polo de desenvolvimento educacional

Tempos, Espaços e Conteúdos

Para Maria do Carmo Brant, consultora do Centro de Estudos em Educação, Cultura e Ação Comunitária (Cenpec), que esteve presente no segundo dia do Seminário Internacional de Educação Integral, realizado entre 29 e 30 de março em São Paulo pela Fundação Itaú Social e Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef), algumas questões devem ser consideradas quando se pensa em uma proposta de metodologia de educação integral, mas alerta que não há receita de bolo e que é preciso levar em conta o contexto em que ela será aplicada. “Questionar qual é a concepção de desenvolvimento integral, definir os valores, identificar as potencialidades, os saberes e as vulnerabilidade das crianças, adolescentes e jovens e de suas comunidades são questões pertinentes e que devem nortear qualquer proposta”, afirma.

Segundo a especialista, é preciso rever a noção de tempo. Ela diz que embora a escola continue sendo essencial, o processo de aprendizagem precisa ser composto com outros espaços, como parques, bibliotecas, clubes etc. Outra questão levantada por Maria do Carmo é a importância de se contextualizar o conhecimento e de avaliar a relevância social e cultural dos conteúdos a serem trabalhados. “A educação integral trata o conhecimento de forma multidimensional. O grande desafio é superar a fragmentação em disciplinas, o arranjo terá que ser outro. Há que se retotalizar conhecimentos e experiências”, pontua.

A especialista também chama a atenção para a organização do currículo escolar. Para ela, concentrar todas as atividades culturais, artísticas e esportivas no turno oposto ao horário regular de aulas contribui ainda mais para estancar o conhecimento. “Não é mais possível falar em turno e contraturno, uma vez que tudo deve estar integrado, em um conjunto orgânico, seguindo os princípios que foram usados na elaboração da proposta curricular”, finaliza.