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“Sou um livro ambulante”

Maria Iranildes de Oliveira, educadora de Itabi, em Sergipe, fala sobre a sua experiência de fazer cursos do Polo, que a ajudam a interagir melhor com os alunos e com a comunidade


A professora Maria Iranildes e os bonecos criados por ela para auxiliar na contação de histórias: metodologias diversas para a sala de aula. Foto: Arquivo pessoal

Por Luana Gurgel, Rede Galápagos, Fortaleza (CE)
Depoimento de Maria Iranildes de Oliveira, pedagoga, pós-graduada em gestão escolar e coordenação pedagógica e em neuropsicopedagogia clínica e institucional, Itabi (SE) — e cursista do Polo

Tenho 21 anos como educadora. Já desempenhei várias funções dentro de escolas e hoje minha paixão é o ensino infantil. Quando a pandemia começou, o município de Itabi, em Sergipe, onde atuo, disponibilizou uma vasta possibilidade de cursos de capacitação. Foi assim que descobri o Polo, ambiente de formação do Itaú Social. Escolhi estudar “Conhecendo as mentalidades matemáticas”. 

Eu vinha em uma busca há alguns anos. Estive à frente de todas as séries do ensino fundamental, fui diretora por 13 anos, mas o trabalho com as crianças do oitavo ano me chamou a atenção. Percebi que muitos não sabiam ler. Comecei a buscar onde estava essa lacuna que interferia em todas as demais disciplinas. Passei então para o quinto ano. Lá também notei a mesma deficiência. Entendi naquele momento que queria dar aulas na educação infantil para, quem sabe, compreender o que vinha acontecendo. As crianças menores têm uma vontade imensa de aprender; são ainda mais curiosas, argumentativas, e eu me apaixonei.  

O curso do Polo veio ao encontro dessa minha busca, pois acredito que o letramento tanto em língua portuguesa quanto em matemática são domínios de códigos de acesso para conhecimentos em outras áreas e para o exercício pleno da cidadania. Conheci diversas formas de trabalhar com esse conteúdo. Fui percebendo que na sala de aula, virtual ou presencial, há vários recursos que podem ser explorados. Percebi, na prática, que quando a própria criança constrói uma imagem ela tem mais interesse na atividade porque foi ela quem criou. 

Usamos a chamada, por exemplo, para trabalhar diversos aspectos em uma única atividade. Durante a aula virtual numeramos os meninos e as meninas que estavam ali, depois trabalhamos o projeto de identidade. Quantos têm cabelo loirinho, quantos são de cabelo escuro? Utilizei recortes de livros em que eles pesquisaram sobre as diferentes cores para entender identidade. Tudo isso pelo que a chamadinha trouxe. A aula, mesmo sendo on-line, fica muito mais interessante porque eles também participam da construção do conteúdo.

Maria Iranildes acompanha dois alunos selecionados para atividade presencial: aula sobre os fenômenos da natureza presentes no dia a dia. Foto: Arquivo pessoal

Fiz um lanche com alguns alunos antes da pandemia. Nós combinamos como montar um sanduíche natural na escola, com o que estava disponível na cozinha. Já com o curso “Conhecendo as mentalidades matemáticas” eu descobri que através desse lanche é possível trabalhar o conteúdo verificando o valor que gastaríamos em dinheiro. Assim, quando pudermos voltar a fazer esses lanches, usaremos como objeto de estudo os valores, as somas e o troco. Com o que sobrar será possível comprar outros ingredientes? Essa atividade já está guardada para a volta às aulas presenciais.

Outro curso que fiz no Polo foi o “Projeto político-pedagógico para OSCs (organizações da sociedade civil)”. É nesse contexto que a gente trabalha a realidade da escola, da comunidade, como ela se mantém, de onde vem a renda, tudo isso para que se possa compreender nosso aluno. Muitos chegam à sala de aula com diversas necessidades.

Compreender que esse ser está inserido em um contexto facilita o trabalho escolar. Quando recebemos um aluno, não chega só uma criança. Recebemos uma família, que precisamos compreender. Se meu aluno chegar com fome à escola, eu vou perceber, já que tenho o histórico da família dele. Meu projeto político-pedagógico deve conter a história econômica e social daquela comunidade. Eu também venho da comunidade. Passei 12 anos em uma associação comunitária. Também vim da zona rural, morava a seis quilômetros da cidade. Tinha que ir e voltar a pé. Naquele tempo não havia transporte escolar.

Os cursos do Polo vieram junto com outras iniciativas de formação para mim. Entendi que este é um momento de aprendizagem, hora de buscar uma pós-graduação. Concluí neuropsicopedagogia clínica e institucional e hoje busco tudo que fale sobre neurociência. Eu me considero um livro ambulante; sempre estou buscando estudar e me aprimorar para aquilo que amo fazer. Diante do que tenho aprendido, recomendo o mesmo para as minhas colegas. Uma amiga ia para a escola comigo e fez também o primeiro curso sobre letramento matemático. Ela ficou encantada. E nós fizemos o nosso projeto juntas.

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