No dia 10 de setembro, terça-feira, será realizado o “Seminário Internacional Construindo uma Escola para as Adolescências”, evento dedicado à discussão das políticas educacionais relacionadas aos alunos. O encontro, que acontecerá em Brasília (DF), reunirá especialistas do Brasil, Reino Unido e Espanha para apresentar experiências pedagógicas aplicadas a estudantes de 11 a 15 anos, faixa correspondente do 6º ao 9º ano do Ensino Fundamental no Brasil.
O Seminário será realizado pelo Itaú Social, MEC (Ministério da Educação), Instituto Reúna e da OCDE (Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico), com parceria institucional da Undime (União Nacional dos Dirigentes Municipais de Educação), do Consed (Conselho Nacional de Secretários de Educação), do Unicef (Fundo das Nações Unidas para a Infância) e apoio da Fundação Roberto Marinho.
O objetivo evento é possibilitar que as redes de ensino brasileiras conheçam iniciativas bem-sucedidas promovidas em outros países, permitindo ampliar seus repertórios para adaptar as propostas pedagógicas nos territórios.
Uma das experiências ocorreu nos países do Reino Unido, onde o poder público se concentrou na redução do volume de trabalho em sala para ampliar a dedicação do planejamento das aulas. O Conselheiro de Políticas do Departamento de Educação do Reino Unido, Dominic Siwoku, estará em Brasília para explicar como ocorreu o processo.
A quantidade excessiva de trabalho tem adoecido professores no Brasil, como revela o relatório “Volume de trabalho dos professores dos anos finais do ensino fundamental”, apresentado por Itaú Social, Associação D3e (Dados para um Debate Democrático na Educação) e Fundação Carlos Chagas. O levantamento mostrou que quase 20% trabalham com mais de 400 crianças e adolescentes.
Outro tema que será debatido é o da transição dos Anos Iniciais para Finais do Ensino Fundamental, do 5º para o 6º ano. A experiência será apresentada pelo Eladio Sánchez Martínez, representante do Ministério da Educação, Formação Profissional e Desporto da Espanha, que abordará o funcionamento do PROA+ (Programa de Orientação Educacional, Avanço e Aperfeiçoamento) e das UAO (Unidades de Serviço de Apoio e Orientação), implementadas na Espanha.
Ambas as iniciativas oferecem apoio aos estudantes para combater a evasão escolar, especialmente em escolas localizadas nas áreas rurais ou isoladas. No Brasil, essa etapa de transição também é um dos momentos mais delicados da trajetória do estudante, registrando picos de abandono.
Contexto
Os Anos Finais do Ensino Fundamental registra altos índices de repetência, evasão e abandono escolar. A pesquisa “A permanência escolar importa: Indicador de Trajetórias Educacionais”, da Fundação Itaú, revelou que apenas cerca de metade dos estudantes nascidos entre 2000 e 2005 conseguiu concluir essa etapa na idade certa.
O desafio da permanência do estudante e a estagnação da aprendizagem fizeram com que esse ciclo fosse o único da educação básica a oscilar negativamente no Ideb (Índice de Desenvolvimento da Educação Básica) de 2023, caindo de 5.1 em 2021 para 5.0 em 2023. A meta estabelecida para essa fase era de 5.5.
O Itaú Social tem ampliado suas ações para fomentar a melhoria da educação nessa etapa, inclusive ao apoiar o MEC na concepção do Programa Escola das Adolescências, que oferece suporte às redes de ensino interessadas em criar estratégias para reduzir as desigualdades educacionais.