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Polo de desenvolvimento educacional

Seminário debate relevância da avaliação para o investimento social privado

A Fundação Itaú Social e a Fundação Roberto Marinho realizaram no dia 4 de julho, em São Paulo, o seminário internacional A relevância da avaliação para o investimento social privado, em parceria com a Move – Avaliação e Estratégia em Desenvolvimento Social e a Fundação Santillana. A abertura do evento foi realizada pela gerente de Desenvolvimento Institucional do Canal Futura, Monica Pinto, e pela diretora da Fundação Itaú Social, Valéria Riccomini, que falaram sobre o desafio de construir práticas e conhecimento na área de avaliação de impacto social por ser uma prática recente no Brasil. “Esperamos que ao término das apresentações vocês saiam inspirados e possam aprimorar cada mais vez as práticas das suas organizações, fortalecendo a cultura de avaliação”, disse Valéria.

A primeira apresentação do dia foi realizada pela doutora em psicologia organizacional com ênfase em Avaliação pela Claremont Graduate University e vencedora do prêmio American Evaluation Association (edição 2005), Jane Davidson, que falou sobre como construir uma avaliação relevante e que auxilie as organizações na tomada de decisões. “Ao elaborar uma avaliação é preciso fazer uma reflexão sobre o porquê de se avaliar determinado projeto e como adequar os esforços e recursos investidos para que, no final do processo avaliativo, seja possível identificar se houve ou não uma mudança significativa na vida das pessoas beneficiadas pelo projeto”, afirmou.

Na opinião de Jane, outra característica de uma avaliação relevante é fato de as evidências encontradas ao longo da avaliação serem disponibilizadas para os públicos interno e externo de forma clara e objetiva. “Um relatório sucinto é fundamental, pois reduz as chances de leigos se perderem nos detalhes técnicos e podem com mais segurança redefinir os rumos daquele projeto”.

Ao término da apresentação de Jane, foram expostos simultaneamente quatro casos reais de avaliação de projetos sociais do Instituto Sou da Paz, da WWF Brasil, da Fundação Maria Cecília Souto Vidigal e da Fundação Itaú Social. Reunidos em grupos menores, os participantes puderam conhecer que medida as avaliações realizadas foram úteis e relevantes para os projetos e organizações. Esse momento do Seminário buscou apresentar os processos avaliativos e promover um espaço de discussão entre os participantes, considerando a diversidade de áreas temáticas. Um resumo dos casos expostos pode ser visualizado na seção abaixo Casos práticos de avaliação de projetos sociais no Brasil.

Na segunda parte do evento, a Phd em Desenvolvimento Psicológico e Social pela Universidade de Otago na Nova Zelândia, Fiona Cram, apresentou o caminho traçado pelas agências governamentais daquele país para utilizar a avaliação como uma ferramenta para contribuir com a redução da disparidade entre os Maori, povo nativo, e o restante da população neozelandesa. Segundo a especialista, este trabalho e a aproximação com os Maori só foi possível porque as agências optaram por integrar conhecimentos locais e globais na construção das políticas, assim como, no processo avaliativo. “O envolvimento da comunidade foi fundamental para que as perguntas avaliativas não fossem baseadas em hipóteses falsas. Isso também nos ajudou a entender melhor os avanços e retrocessos de cada programa e a importância de cada iniciativa para a população local”.

Avaliação de projetos sociais no Brasil

Para dar um panorama sobre área avaliação de projetos sociais no Brasil, foram expostos os resultados de três pesquisas realizadas pela Fundação Itaú Social e pelo Instituto Fonte, duas delas em parceria com o Instituto Paulo Montenegro e o IBOPE Inteligência. Os estudos revelam a percepção dos investidores sociais, das ONGs e de avaliadores sobre a importância da avaliação.

A primeira pesquisa apresentada, Avaliação de Investimentos Sociais no Setor Privado, foi realizada em 2008 e avaliou 211 empresas de grande, médio e pequeno porte em todo o Brasil. O objetivo era conhecer a prática das corporações em relação à avaliação dos investimentos sociais que realizam. “Após entrevistas com os investidores verificou-se que 75% das companhias realizam avaliação de seus programas. No entanto, há baixa formalização dos processos de avaliação”, explica o responsável pelo Programa de Avaliação Econômica de Projetos Sociais da Fundação Itaú Social, Antonio Bara Bresolin.

Outro dado importante para compreender o cenário brasileiro foi apresentado no estudo Avaliação de Programas e Projetos Sociais de ONGs no Brasil. Realizado dois anos após primeira pesquisa, o estudo mapeou como as ONGs brasileiras avaliam seus projetos e programas sociais e identificou que das 363 organizações participantes da pesquisa, 91% delas avalia os seus projetos e 33% delas utiliza a análise para atrair investidores. “Embora os resultados sejam promissores ainda temos como desafio potencializar as utilidades da avaliação, tornando-a uma ferramenta de auxilio na tomada de decisões”, disse Bresolin.

O último estudo apresentado Práticas e Abordagens e Avaliação no Brasil ainda está em andamento. Segundo Ana Lúcia Lima, do Instituto Montenegro, dados preliminares apontam que os avaliadores têm alto nível de escolaridade, 65% possui algum tipo de especialização (mestrado ou doutorado) e as formações são em diversas áreas: Pedagogia, Sociologia, Psicologia, Serviço Social39%, economia e administração 16% e comunicação e jornalismo 9%. Além disso, há uma alta concentração de profissionais na região sudeste 81%.

“Apesar de os resultados demonstrarem que ao longo dos anos a avaliação ganhou espaçodentro de organizações e empresas, ainda é preciso promover ações de formação para os profissionais dessa área, contribuindo para o aprimoramento dos processos de avaliação. Também é preciso melhorar a interlocução entre gestores de projetos e avaliadores, favorecendo a construção de uma avaliação mais relevante”, disse a pesquisadorae avaliadora do Instituto Fonte, Martina Rillo Otero.

Casos práticos de avaliação de projetos sociais no Brasil

Confira, abaixo, os casos nacionais de avaliação de projetos sociais apresentados durante o seminário.

Programa Água e Clima – WWF Brasil

O HSBC ClimatePartnership (HCP) foi uma parceria global entre HSBC, WWF e outras organizações conservacionistas com foco nos impactos das mudanças climáticas em bacias hidrográficas de quatro países: Inglaterra, Índia, China e Brasil. O HCP teve início em 2007 e conclusão em 2011. Durante esse período foram conduzidas duas avaliações: a de meio termo em 2009, com ênfase em processos e a final, em 2011/2012 com ênfase nos impactos gerados. Por ser um programa global, as avaliações foram conduzidas seguindo os mesmos critérios para todos os países, o que permitiu comparação e troca de experiências. O processo de avaliação final resultou num conjunto de achados e reflexões que subsidiaram uma série de propostas de gestão que estão em implementação pelo Programa de Água Doce e pela organização como um todo, num momento propício para mudanças internas. Os resultados também contribuíram para apoiar a manutenção da relação com o financiador.

Avaliação do Programa Primeiríssima Infância – Fundação Maria Cecília Souto Vidigal

O programa trabalha em parceria com municípios do Estado de São Paulo e é orientado para a promoção do desenvolvimento infantil, contemplando uma abordagem interdisciplinar desde o pré-natal até os 03 anos. O sistema de avaliação foi desenvolvido seguindo a dinâmica de implantação do programa. Os avaliadores assessoraram o grupo que concebeu o modelo de intervenção no desenvolvimento de critérios e indicadores que vem sendo utilizados para orientar os resultados. Tanto o modelo de intervenção quanto os indicadores foram compartilhados e negociados com os municípios na etapa inicial da implantação dos projetos. O processo de avaliação contempla a coleta de dados de linha de base, monitoramento do processo de implantação, avaliação de resultados preliminares e avaliação de impacto. Todos os achados da avaliação são compartilhados na forma de devolutivas presenciais num processo que concentra esforços na construção de entendimentos sobre os alcances e as dificuldades e em revisar planos e critérios de avaliação.

Construção de Cultura de Avaliação – Instituto Sou da Paz

Ao longo de 10 anos o Instituto experimentou construir políticas voltadas para a avaliação, realizou avaliações de projetos com diferentes avaliadores externos, buscou sensibilizar equipes internas sobre a relevância da avaliação, enfrentou dilemas entre sistematizar ou avaliar intervenções e amadureceu a decisão de instalar uma coordenação organizacional dedicada a gestão do conhecimento, que se tornou responsável pelo processo avaliativo do Instituto.

Programa Excelência em Gestão Educacional – Fundação Itaú Social

Avaliação de programa realizado em escolas públicas de ensino médio e fundamental II da Zona Leste de São Paulo, com foco na melhoria da aprendizagem dos alunos através da implantação de estratégias de fortalecimento da gestão pedagógica e aproximação entre família e escola. Avaliação de modelo misto estruturado com duas equipes de trabalho: uma orientada para estudo econométrico com dados secundários e outra para estudo quali-quanti com dados primários. O processo foi orientado por uma matriz de avaliação construída com forte interação entre gestores do programa e avaliador. A utilidade da avaliação foi construída no cotidiano da operação sem estar atrelada unicamente a entrega de relatórios e apresentações formais.