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Polo de desenvolvimento educacional

Seminário apresenta diferentes metodologias de avaliação

O seminário Avaliação para Investimento Social Privado: Metodologias, realizado na última quarta-feira (3/07), no Rio de Janeiro, reuniu especialistas brasileiros e internacionais para debater o uso da avaliação na área social. Realizado pela Fundação Itaú Social, Fundação Roberto Marinho e a Fundação Maria Cecilia Souto Vidigal, em parceria com a Move – Avaliação e Estratégia em Desenvolvimento Social e apoio da Fundação Santillana e do Grupo de Institutos, Fundações e Empresas (Gife), o evento teve a participação de 220 convidados.

Segundo o secretário-geral do Gife, André Dezenszajn, que apresentou um panorama do setor privado em relação ao tema na primeira parte do evento, a avaliação tem ganhado grande importância entre as organizações privadas que investem recursos em ações de interesse público, muitas delas executoras dos próprios projetos. Esse dado aparece no Censo Gife 2012, no qual 64% dos associados declaram que avaliam o impacto de suas iniciativas. “O número caiu em relação ao Censo de 2010, quando 80% declaram adotar o procedimento, mas isso significa que o setor melhorou sua compreensão sobre avaliação de impacto, e não que a prática diminuiu”, afirma.

Contudo, ele afirma que há visões diferentes no terceiro setor. Ainda persistem opiniões segundo as quais a avaliação seria um fardo financeiro, um mero instrumento de prestação de contas ou uma perda de tempo, pois o impacto das ações poderia ser identificado instintivamente. No outro extremo, há aqueles que acreditam que uma única prática de avaliação seria adequada a 99% dos casos.

Dezenszajn defende um terceiro ponto de vista, aquele que encara processos avaliativos como parte do aprendizado. “Não falar sobre as dificuldades não ajuda a aprimorar nenhum trabalho. Projetos que assumem falhas tendem a ter mais credibilidade e mais consistência”, argumenta. Para ele, uma parcela da sociedade olha com ceticismo a entrada do campo empresarial em ações de interesse público. “Avaliar é importante para o terceiro setor mostrar a que veio, pois a sociedade deve apropriar-se dos resultados das ações sociais”, afirma.

O especialista em educação e política social para a América Latina e diretor para Inovação em Educação, no Instituto Tecnológico de Monterrey, no México, Miguel Székely, destacou um diferencial da realidade brasileira em sua apresentação que corrobora a grande utilidade da avaliação de impacto como instrumento de melhoria contínua. Segundo ele, em outros países da América Latina, inclusive o México, o setor privado investe no social pelo marketing ou interessado em deduções fiscais. “Quando a ação social não é vista como investimento, e sim como caridade, é mais importante investir em mecanismos de transparência e responsabilização do que avaliar. Nesse caso basta demonstrar o valor investido e garantir que os recursos cheguem ao seu destino”, explica.

Székely diz que no Brasil é diferente, pois a sociedade está interessada em verificar se o investimento tem efeito na vida das pessoas, e nesse caso avaliar faz todo o sentido. Ele  atribui essa mudança na postura da sociedade brasileira ao avanço dos processos democráticos e do acesso a informações. “Não basta mais saber quantas vacinas foram aplicadas, agora querem saber se a mortalidade infantil diminuiu com elas”, exemplificou.

A PhD em psicologia da educação, professora especializada em ensinar métodos de pesquisa e avaliação pela Universidade de Gallaudet, em Washington, Donna Mertens, acredita que toda avaliação requer métodos mistos, que considerem necessidades dinâmicas sempre sujeitas a mudanças. Ela afirma que o papel do avaliador é dar voz a quem está sendo representado, o beneficiário do projeto. “Dessa forma, não é preciso esperar quatro anos para constatar se algo deu ou não deu certo”, diz.

O PhD em avaliação Thomaz K. Chianca,  consultor na área de programas sociais com experiência de trabalho no Brasil e em mais de 20 países, argumenta que o papel da avaliação vai além de verificar o cumprimento dos objetivos de uma ação. “Avaliar possibilita questionar os objetivos, perguntar se era mesmo necessário fazer uma intervenção. É preciso pensar criticamente sobre o investimento  e os resultados gerais, além de tentar valorar de alguma maneira os resultados”, afirma.

A primeira edição do evento, realizada no ano passado, teve como tema A relevância da avaliação para o investimento social privado e resultou em uma publicação.