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Polo de desenvolvimento educacional

Ritmo de festa

Desde o início de setembro, alunos e professores das escolas da Diretoria de Ensino Região Norte 2, em São Paulo, estão em festa. O motivo? Das 70 unidades de educação que estão sob a jurisdição dessa Diretoria, cinco foram selecionadas na etapa municipal da Olimpíada de Língua Portuguesa Escrevendo o Futuro, promovida pela Fundação Itaú Social em parceria com o Ministério da Educação. Vale destacar que o número de classificados da Norte 2 nessa fase corresponde a pouco mais de 8% do total de textos que a comissão julgadora selecionou para o município. Nesse momento, os textos estão sendo analisados e, a partir de 13 de outubro, serão anunciados os 500 semifinalistas do programa.

Mais do que uma competição, a Olimpíada de Língua Portuguesa Escrevendo o Futuro se revela como um programa de formação. Nesse processo, ganham os educadores da rede pública que têm à mão uma metodologia e conseguem ensinar com eficiência sobre um determinado conteúdo e ganham os alunos, que melhoraram suas capacidades de leitura e produção de textos. Seguindo a orientação do Caderno do Professor, material distribuído aos participantes, os educadores da Norte 2 organizaram uma reunião para socializar as experiências e os textos dos classificados. A coordenadora técnica do programa no Centro de Estudos e Pesquisas em Educação, Cultura e Ação Comunitária (Cenpec), Sônia Madi, valoriza esse tipo de iniciativa. “As pessoas escrevem para serem lidas e, por isso, é tão importante organizar um evento em que os autores possam socializar suas produções”, defende.

A professora de Língua Portuguesa Stela Regina Maia Cardoso Ramalho, da EE Alfredo Inácio Trindade, participa do programa pela terceira vez. Nesta edição, ela acompanhou a produção do artigo de opinião da aluna do 2º ano do ensino médio Jéssica Tambor e comemora os resultados não só com a estudante escolhida como também os ganhos que teve em relação à aprendizagem de toda a turma. “Os jovens agora argumentam melhor seus posicionamentos”, avalia. “Com o material fornecido pelo programa, pude trabalhar o gênero sem ser de maneira técnica.”

Ana Paula Caloni de Menezes, professora da 4ª série da EE Cohab Jova Rural III, usou o material impresso e também participou da formação na Comunidade Virtual Escrevendo o Futuro. Com isso, conseguiu orientar de maneira mais adequada seus pupilos. Ela se sente gratificada com a qualidade textual do poemado aluno Marcelo Oliveira Gomes Filho, de 9 anos, e também com os impactos produzidos em todo o grupo. “Agora as crianças escrevem poesias o tempo todo”, conta. “A porta do meu armário na sala dos professores está repleta de produções feitas pelas crianças.”

O orgulho não se limita aos professores e alunos classificados na primeira fase. A Diretoria de Ensino envolvida também se sente responsável pelo bom desempenho das unidades que estão sob sua responsabilidade. O coordenador da oficina pedagógica de Língua Portuguesa da Diretoria, Roberto Arruda, por exemplo, acredita que a saída para os problemas sociais está na educação de boa qualidade. “É possível sim fazer um bom trabalho na escola pública”, afirma.

Arruda tem motivos de sobra para festejar. Na última edição do programa, a professora Renata Gomes Campos Pio dos Reis, da Escola Estadual Profª. Maria Angelita Sayago de Laet, foi a representante da Diretoria de Ensino. Na época, Renata terminou o programa em 3º lugar, momento que nunca mais vai esquecer. “Foi uma experiência que serviu para ampliar o meu conhecimento sobre o tema”, lembra. Com toda a aprendizagem, a professora transferiu a metodologia para um trabalho com conto de fadas e, no ano seguinte, em 2007, faturou o título de Professora Nota 10, concedido pela Fundação Victor Civita, com o projeto. “Com as oficinas, percebi que havia um outro jeito de trabalhar.” Hoje, Renata leciona para crianças de 1º ano e garante que consegue utilizar as mesmas estratégias para ensinar a turminha a ler e escrever.