Ir para o conteúdo Ir para o menu
Polo de desenvolvimento educacional

Itaú Social e Fonte promovem diálogo sobre avaliação de projetos sociais

A Fundação Itaú Social e o Instituto Fonte realizaram no início deste mês, em São Paulo, o primeiro encontro de 2011, com o tema “Integração de métodos em avaliação de projetos sociais: possibilidades e limites”.

Para debater o tema foram convidados os especialistas Juarez Pereira Furtado, professor da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), e Ana Luiza Borges, coordenadora pelo Centro de Estudos e Pesquisas em Educação, Cultura e Ação Comunitária (Cenpec) do monitoramento e da avaliação do Programa Jovens Urbanos, realizado pela Fundação Itaú Social em parceria com o Cenpec.

Furtado disse que a importância de se realizar uma avaliação, independentemente do método a ser utilizado, seja quantitativo ou qualitativo, está no fato de que há uma distância entre o que se planeja e o que acontece de fato, no dia-a-dia, na execução dos projetos. “A partir da avaliação surgem questões que não foram pensadas durante a fase de planejamento das ações. Por isso, deve-se ter sensibilidade para enxergar o que não estava previsto, estar atento para que a leitura da avaliação não se restrinja a reforçar apenas o que já está legitimado”, pontuou.

Na opinião dos especialistas, a escolha do método a ser usado e até mesmo a integração entre eles depende das respostas que se desejam obter. “Todo método pressupõe uma escolha. O que se deve ter em mente é que não é possível abarcar a totalidade, ou seja, não há como considerar todos os aspectos que envolvem a execução de um programa no momento de avalia-lo”, afirmou Furtado. Para ele, “quando há um cenário de diversidade e complexidade, surge a necessidade de se estabelecer uma ponte entre os referenciais qualitativos e quantitativos”.

No caso do Jovens Urbanos, por exemplo, são usados os dois métodos para avaliar e monitorar as ações do programa. “A complexidade da proposta exige essa integração. Para nós, é importante ir a campo e entrevistar os jovens, as ONGs e demais envolvidos no processo de formação, assim como é relevante mensurar o impacto do programa e seu retorno econômico por meio de uma metodologia quantitativa”, explica Ana Luiza Borges, do Cenpec.

Ambos os métodos de avaliação trazem conhecimentos e informações, que podem reforçar aspectos positivos ou evidenciar questões que precisam ser revistas. A partir da avaliação econômica da 3ª edição do Programa Jovens Urbanos foi possível identificar um aumento estatisticamente significativo na renda, na empregabilidade e no hábito de leitura dos jovens que participaram do programa, em comparação com aqueles que não participaram.

No entanto, entre os resultados dessa mesma avaliação está a ausência de impacto na escolaridade formal dos jovens. A partir dessa constatação, a equipe técnica estruturou novas ações, entre elas o estabelecimento de parcerias com universidades, como a Universidade Cruzeira do Sul e a Universidade Municipal de São Caetano do Sul (USCS), assim como modificação no processo seletivo do programa, possibilitando a participação de jovens que estão fora da escola, estimulando-os a retornar aos estudos.

Ana Luiza comentou queoutra avaliação do programa, realizadacom base em entrevistas, revelou uma dificuldade dos jovens em compreender a proposta da iniciativa. “A partir dessa constatação, decidimos convidar jovens que já haviam participado de edições anteriores para compartilhar suas experiências. Ou seja, as informações obtidas a partir das avaliações são transformadas em ações concretas com o objetivo de aperfeiçoar o programa”, afirmou.

Para finalizar, Furtado reforçou a importância de se investir na formação de avaliadores que estejam na ponta dos projetos. “Durante o percurso da avaliação, independentemente do método que está sendo utilizado, é possível identificar processos e ações que precisam ser revistos. Por isso, é muito importante que as pessoas envolvidas na avaliação estejam diretamente ligadas ao dia-a-dia dos projetos”, disse.

Os avaliadores são o foco de uma nova pesquisa da Fundação Itaú Social e Instituto Fonte realizada em parceria com o Ibope/ Instituto Paulo Montenegro. Em fase de elaboração, o estudo fará um mapeamento da rede de avaliadores de projetos sociais no Brasil, assim como identificará práticas de avaliação e as influências dos modelos usados por estes profissionais.