Ir para o conteúdo Ir para o menu Ir para a Busca
Polo de desenvolvimento educacional

Políticas públicas e ações de incentivo à leitura são debatidas em workshop

Reunir e articular representantes de diversos setores da sociedade em prol da democratização do acesso à leitura foi o objetivo central do workshop Por um país de leitores: mobiliza, Brasil!, realizado pela Fundação Itaú Social, na segunda quinzena deste mês, em São Paulo.

A abertura do evento foi realizada pela diretora-presidente do Centro de Estudos e Pesquisas em Educação, Cultura e Ação Comunitária (Cenpec), Maria Alice Setubal, pelo diretor regional do SESC-SP, Danilo Santos de Miranda, e pelo vice-presidente da Fundação Itaú Social, Antonio Matias, que reforçou a necessidade de facilitar o acesso a livros e estimular a leitura para garantir o direito de aprendizagem a todas as crianças e aos adolescentes brasileiros.

“Com essa perspectiva, o grande desafio é ampliar as parcerias entre os governos, as organizações sociais e as empresas para promover a leitura e, dessa forma, contribuir para a melhoria da qualidade da educação e para o exercício da cidadania. Também é essencial a participação das famílias para criar novos leitores”, afirmou.

Durante o evento, o público pôde conferir experiências bem-sucedidas realizadas por órgãos de governo e sociedade civil, como a formação de mediadores de leitura e ações de mobilização da comunidade.

Democratização do acesso à leitura

A abertura do primeiro painel do evento, que teve como tema a “Democratização do acesso à leitura”, foi feita pela gerente executiva de projetos do Instituto Pró-Livro, Zoara Failla, que apresentou os principais resultados da terceira edição da pesquisa Retratos da Leitura no Brasil, recentemente divulgada, que avaliou o comportamento de 5.012 leitores de 315 municípios do país.

Para Zoara, as políticas de educação devem contemplar ações voltadas para a formação do professor, apontado por 45% dos participantes da pesquisa como a pessoa que mais influenciou no gosto pela leitura. “A formação dos docentes deve incluir o desenvolvimento de competências para que eles possam atuar como mediadores de leitura nas salas de aula.”, disse.

Outro ponto levantado por Zoara foi a importância da articulação entre as diferentes instâncias governamentais e a inclusão de políticas de incentivo à leitura nos planos de governo, com o intuito de garantir a perenidade das ações. Este ponto também esteve presente na fala da diretora do programa Livro, Leitura e Literatura, da Fundação Biblioteca Nacional, do Ministério da Cultura (MinC), Maria Antonieta Cunha, que participou do evento.

Na ocasião, ela falou sobre os esforços da atual gestão do MinC para um maior envolvimento de diferentes ministérios e secretarias, com o objetivo de conceber uma política de Estado que promova o acesso à leitura. Segundo a gestora, a atual ministra, Ana de Hollanda, anunciará até o final de abril os eixos norteadores da Política do Livro.

Como exemplo de iniciativa público-privada, a diretora da Fundação Santillana, Lourdes Atié, apresentou o Prêmio VIVALEITURA, realizado pela instituição, pelos ministérios da Educação e da Cultura e pela Organização dos Estados Ibero-americanos para Educação (OEI). Com a duração inicial prevista em dez anos (2006-2016) é a maior premiação individual para o fomento à leitura no Brasil.

A política de leitura do Sesc- SP, local onde foi realizado o evento, foi apresentada por Francis Marcio Manzoni. Em sua participação, ele destacou o modelo de bibliotecas da instituição, que inclui atividades diversas, como lançamento de livros, debates com escritores e contação de histórias. “As bibliotecas fixas estão inseridas nos complexos das unidades do Sesc e são concebidas para serem espaços de convivência, que despertem o interesse das pessoas”, pontuou.

Além das 12 unidades fixas, o Sesc estimula o acesso à leitura por meio de bibliotecas móveis, que contam com um acervo de três mil títulos. Somente em São Paulo, são quatro unidades que atendem 24 bairros da cidade. São realizados, em média, de quatro a 4,5 mil atendimentos ao mês, segundo dados da instituição.

Experiências de incentivo à leitura

No segundo painel “Experiências de inventivo à leitura” foi apresentada a metodologia do programa Olimpíada de Língua Portuguesa Escrevendo o Futuro, uma iniciativa da Fundação Itaú Social, que foi transformada em política de educação do governo federal, em 2008. “O objetivo é contribuir para a formação de professores, tendo em vista a melhoria do ensino da leitura e da escrita nas escolas públicas brasileiras”, explicou Sonia Madi, representando o Cenpec, coordenador técnico do programa.

O público pode conhecer ainda a experiência da Associação Vaga Lume, responsável pela formação de bibliotecas e mediadores de leitura em comunidades da Amazônia, o projeto Entre na Roda, da Fundação Volkswagen e Cenpec, e o programa de incentivo à leitura da Secretaria Municipal de Cultura de Rio Branco (AC), Biblioteca que Pescava Leitores. Os comentários foram realizados pela doutora pela Universidade Federal de Minas Gerais em Educação, Leitura e Escrita Maria Zélia Versiani Machado e pelo secretário adjunto da Secretaria de Estado da Cultura do Rio Grande do Sul, Jéferson Assunção.