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“Ensinar matemática para crianças pode se tornar um desafio divertido para elas e para mim”


Joseane Souza: “O curso Letramento Matemático na Educação Infantil sistematizou ideias que eu já trabalhava na sala de aula, mas ainda não havia aprofundado da forma proposta ali”. Foto: Arquivo pessoal

Por Wallace Cardozo, Rede Galápagos, Lauro de Freitas (BA), filho mais velho de Joseane

Depoimento de Joseane Souza, pedagoga, pós-graduada em educação inclusiva e em políticas da desigualdade social, concluindo pós-graduação em ensino híbrido, Lauro de Freitas (BA) – e cursista do Polo

A pandemia tirou de mim a parte de que mais gosto no meu trabalho: o contato com as crianças na sala de aula. Amo perceber a evolução das habilidades delas, tirar as suas dúvidas mais sinceras e desenvolver uma relação de confiança no dia a dia. Comecei a trabalhar com educação há muitos anos, após me formar em pedagogia. Essa graduação me possibilita trabalhar com as séries iniciais, da educação infantil, e com a primeira etapa do ensino fundamental, que vai até o quinto ano, antiga quarta série.

Com as regras de distanciamento, iniciado há cerca de um ano, acredito que quase todas as profissões precisaram passar por adaptações. A minha está inclusa. O novo formato de ensino tem servido de aprendizado também para nós, professores. Tudo é um pouco inédito, e ainda estamos nos acostumando. Por isso, professores e pais precisam acompanhar as crianças de perto para garantir que as perdas na aprendizagem longe da sala de aula sejam mínimas neste momento tão difícil. As crianças são o futuro e, por isso, a educação se adéqua, mas não pode parar.

Eu estaria mentindo se dissesse que tem sido fácil. Pelo contrário: não vejo a hora de tudo isso passar para que finalmente possamos voltar à nossa rotina habitual. A aprendizagem não está apenas nas tarefas e livros. Na educação infantil, cada pequeno detalhe importa para a formação da criança. O contato atencioso, a sensibilidade do educador, os limites, as brincadeiras, o recreio, o dever de casa… As crianças estão questionando e descobrindo a todo momento.

Minha experiência me mostrou que a educação básica é a mais importante fase da aprendizagem. Quando está explorando as possibilidades da massinha de modelar, a criança desenvolve a coordenação motora necessária para manusear o lápis. Riscando as primeiras linhas no papel, ela está treinando para traçar as suas primeiras letras. Quando eu interpreto uma história na sala de aula, os alunos também estão aprendendo a interpretar. Uma boa educação infantil certamente influencia no desenvolvimento das etapas seguintes da aprendizagem.

Na minha época de aluna, a matemática sempre foi o bicho-papão das disciplinas durante todo o ensino fundamental. Lembro que eu e meus colegas tínhamos uma espécie de medo dela. Depois, para minha sorte, tive professores que conseguiram trabalhar a matemática a partir de situações do nosso cotidiano. Isso fez com que eu achasse a matemática menos distante e perdesse aquele receio. Perceber que a matemática está em tudo facilita o aprendizado.

Já a minha experiência na sala de aula como professora tem me mostrado um outro fator problemático. Além do medo, as crianças costumam apresentar dificuldade em relação à interpretação. Por vezes, o aluno até sabe somar, mas se confunde no momento de interpretar a situação-problema que pede que ele realize a operação, por exemplo. Aqui se percebe a importância da interdisciplinaridade no ensino. Sempre que falamos em letramento, pensamos automaticamente na língua portuguesa e na alfabetização, mas o letramento matemático precisa caminhar junto. 

Pensando em tudo isso, resolvi fazer o curso Letramento Matemático na Educação Infantil, disponibilizado pelo Polo, o ambiente de formação do Itaú Social. Essa experiência sistematizou ideias que eu já trabalhava na sala de aula, mas ainda não havia aprofundado da forma proposta ali. No meu dia a dia, utilizo jogos e situações do cotidiano das crianças para ensinar matemática. Muitos dos meus alunos se familiarizam logo cedo com as contas porque são filhos de trabalhadores autônomos, que geralmente comercializam algum produto ou serviço em suas rotinas.

Ao longo das dez horas de carga horária do curso, fiquei entusiasmada com quanto conteúdo pode ser explorado a partir de um simples elemento, como a carta de baralho, por exemplo. Com ela, eu posso trabalhar formas, números, quantidade, sequência numérica e até a escrita. Sair daquele modelo tradicional de aula e me permitir interagir de maneira mais lúdica com as crianças me possibilita perceber como cada uma delas é única e tem o seu próprio tempo de aprendizagem. O entretenimento facilita porque a criança costuma ter um momento de concentração muito curto, então um aprendizado que é, ao mesmo tempo, divertido tem maior chance de cativá-la.

Cursos como esse são importantes para nós, educadores, sobretudo num momento de adaptação como o que estamos vivendo. Eles ampliam o acesso a um conteúdo que talvez fosse inacessível para muitos professores, principalmente os da rede pública. É um suporte bem-vindo para os profissionais da educação brasileira. Por isso, já recomendei o Polo para meus colegas de profissão nos grupos de WhatsApp. A minha experiência foi bastante positiva e pretendo fazer outros cursos, dentre os vários que estão disponíveis na plataforma. Acredito que irão me ajudar a ser uma melhor educadora neste momento de distanciamento e, principalmente, quando eu puder voltar para as minhas crianças na sala de aula.

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