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Planejamento estratégico norteia secretarias de Educação

O diagnóstico da rede de ensino apoia o planejamento e a implementação de ações com potencial para melhorar a educação no município


Reflexo de um bom planejamento, a entrega dos materiais escolares e dos uniformes em 2020 aconteceu em fevereiro, antes do início das aulas, em Itapevi, cidade da região metropolitana de São Paulo. Imagem: Facebook Secretaria de Educação de Itapevi (SP)

Por Maggi Krause, Rede Galápagos, São Paulo

Ter clareza de rumo e conhecer seus objetivos prioritários são benefícios comuns a projetos de vida, de gestão, políticos ou pedagógicos, mas defini-los exige tempo, discussões e reflexão. “Quando o planejamento é levado a sério, ele traz resultados. E conversar para definir metas e enxergar saídas para problemas faz bem para as pessoas”, descreve Heloisa Nogueira, da consultoria H+K, que trabalha há 25 anos facilitando processos nessa área. 

Em uma secretaria municipal de educação (SME), o planejamento estratégico deve ser o eixo que direciona todas as ações. Para isso, o primeiro passo para nortear as conversas é a realização de um diagnóstico da infraestrutura e da organização administrativa e pedagógica da rede. “Sabemos que os secretários têm muitas urgências, mas vale a pena reservar tempo para fazer um diagnóstico e planejar”, ressalta Sonia Dias, coordenadora da implementação municipal do programa Melhoria da Educação, do Itaú Social. É importante que os novos dirigentes conheçam a sua rede e desenhem um plano para aquela gestão, considerando também os recursos disponíveis para propor objetivos realizáveis a curto, médio e longo prazos. “Prever metas intermediárias faz com que a equipe se sinta potente para alcançá-las e reconheça ganhos ao longo da trajetória”, explica. 

Os passos sugeridos na tecnologia educacional Planejamento Estratégico, disponível no site Melhoria da Educação, da preparação inicial à avaliação e replanejamento: processo pode ser refeito periodicamente (a cada ano ou a cada início de gestão da SME)

Com ajuda de parceiros especialistas, a equipe do Melhoria da Educação acompanhou o diagnóstico e as discussões na rede municipal de Itapevi (SP) e em Várzea Grande (MT), em 2019 e 2020, com o objetivo de desenvolver a tecnologia educacional Planejamento Estratégico, atualmente disponível para todos os municípios no site do programa. Cada lugar tem seu contexto e suas peculiaridades; então é preciso se dedicar, pois entregar-se a esse processo é como mexer com a essência da instituição. “É essencial ter alguém para coordená-lo, ou seja, além da adesão das lideranças, é preciso destacar quem vai cuidar da interlocução”, observa Heloisa. A articulação entre líderes ou colaboradores de várias áreas leva a um processo coletivo de trabalho, que faz os profissionais não se restringirem às suas responsabilidades específicas. “Uma das coisas interessantes do planejamento estratégico é que ele funciona como uma ferramenta de diálogo”, comenta a facilitadora. 

O exercício de planejar é seguido por planos de ação
No município de Itapevi, a secretária de Educação, Eliana Maria da Cruz Silva, contou que reuniu cerca de 25 pessoas, entre diretoria administrativa, de infraestrutura, gerências de educação especial e de educação básica, setores encarregados da manutenção e da estrutura física das escolas. “Houve momentos de estudo e reflexão, mas também de levantar problemas de seu departamento e, nas conversas, foi possível até indicar problemas de outros e fazer sugestões construtivas, pois o trabalho foi conjunto”, relembra Eliana. O planejamento da SME de Itapevi, construído com apoio da consultoria H+K em várias reuniões, acabou subdividido em cinco objetivos estratégicos, cada um deles com metas e ações para alcançá-las. Veja na tabela a seguir.

Aonde e como chegar

Tabela elaborada com base no depoimento da secretária de Educação, Eliana Maria da Cruz Silva, de Itapevi (SP)


Objetivo estratégico Metas e seus desdobramentos
1. Garantir a escola como espaço educativo de convivência democrática, motivando todos os segmentos Capacitar as equipes gestoras fez com que cada unidade escolar desenvolvesse o seu Projeto Político-Pedagógico, e os pais puderam participar desse processo
2. Garantir a melhoria da qualidade da educação municipal em todos os níveis A questão do currículo foi trabalhada com todos e, principalmente nas 16 escolas que estavam desenvolvendo a tecnologia educacional de acompanhamento da aprendizagem para a matemática, os professores se mostraram engajados e participantes
3. Completar o quadro de profissionais da educação a partir da melhoria na gestão de pessoas Várias ações foram planejadas para otimizar os recursos humanos da rede, pois havia desorganização com relação ao número de alunos e de funcionários. Além de completar o quadro, foi possível fazer remanejamentos inteligentes e, por meio de lei, incluir os professores adjuntos no grupo de profissionais com sala de aula
4. Garantir o acesso escolar a todos O sistema de inscrição via internet foi estendido para creche e pré-escola, atendendo todas as crianças dessas etapas. Na infraestrutura física, foram demolidas 33 salas de madeira e construídas escolas de tempo integral
5. Garantir a efetiva comunicação e o bom relacionamento entre secretaria, escola e comunidade As mídias sociais são usadas para que todos saibam das iniciativas. Atualmente, assim que é publicada uma resolução, a informação é enviada para uma lista de transmissão aos públicos envolvidos

Em Várzea Grande, nem a pandemia parou as obras de reforma nas escolas e a construção de centros de educação infantil. Uma equipe de assessores escolares foi criada para aproximar a gestão das unidades da SME: tudo conforme o planejado. “Colocar estratégias e eleger ações para atingir os resultados foi uma experiência fantástica. Fizemos formação sobre planejamento estratégico nas escolas, multiplicando o conhecimento, e aí elas começaram a fazer o Projeto Político-Pedagógico com base na mesma metodologia”, contou Isliene Correa, assessora jurídica da Secretaria de Educação e coordenadora de implementação do Melhoria da Educação no município. A equidade, o acesso e a permanência, previstos entre as metas, exigem ações para motivar os estudantes. “As crianças com deficiência estão recebendo profissionais especializados em casa, observando normas sanitárias e até com abraços com uma capa de proteção plástica, para garantir o aconchego e evitar que o aluno desista”, relata Isliene. Além disso, 88% dos pais e responsáveis foram buscar apostilas semanalmente nas escolas, contemplando também quem mora na zona rural. No planejamento de 2021 já estão em licitação computadores, tablets e lousas digitais, para ampliar a capacidade da rede para o ensino híbrido. 

Mesmo sem participar do programa Melhoria da Educação, seja no piloto de desenvolvimento das tecnologias educacionais ou no edital 2021-2024, que conta com um processo formativo focado no desenho de planejamento estratégico, qualquer secretaria de Educação pode envolver sua equipe no estudo da teoria, na observação de exemplos de prática e se aprofundar na   ferramenta. A metodologia proposta pela consultoria H+K tem formato de triângulo com os lados preenchidos por diagnóstico, planejamento de estratégia e monitoramento de ações. “A tecnologia educacional não é complexa, mas tem passos estruturados que vale seguir. Conforme se avança, vai aumentando o número de pessoas envolvidas”, explica Heloisa. Ela lembra que, assim como os problemas são transversais, nem sempre uma só área da SME consegue resolvê-los; e que vale  romper com antigas estruturas hierárquicas para alcançar mudanças ainda mais significativas. Segundo ela, não é difícil fazer um bom planejamento em três ou quatro dias, mas implementar e monitorar as ações são passos decisivos para que as melhorias se concretizem. 

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