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Para impulsionar a gestão da educação

Tecnologias construídas e testadas em conjunto com redes municipais chegam a todo o Brasil pelo site Melhoria da Educação


Meninas jogam xadrez em uma Escola de Tempo Ampliado (ETA) em Várzea Grande, no Mato Grosso, antes da pandemia: a rede municipal de educação, com 28 mil estudantes, participou do desenvolvimento de Tecnologias Educacionais do programa Melhoria da Educação. Foto: Itaú Social

Por Maggi Krause, Rede Galápagos, São Paulo 

A prioridade de uma prefeitura era oferecer mais vagas de creche, mas a cidade não dispunha de unidades escolares ou dinheiro para construir ou reformar. Como desatar esse nó? Em uma oficina do Programa Melhoria da Educação, do Itaú Social, a tarefa era pensar fora da caixa, desenvolver soluções para os diferentes problemas da gestão escolar de um município. Observadas por uma facilitadora, duas funcionárias da secretaria municipal de educação (SME), conhecedoras da rede de ensino, foram desenhando possibilidades com base na reorganização de turmas, turnos e salas. Assim, replanejaram o aproveitamento de espaços, abrindo lugar para acomodar as crianças bem pequenas.  

Esse tipo de exercício, que pode acontecer em qualquer município, é constante nas secretarias apoiadas pelo Programa Melhoria da Educação – e desde fevereiro de 2021, pode ser replicado por qualquer equipe gestora que acessar os percursos formativos gratuitos e a distância, as Tecnologias Educacionais do site Melhoria da Educação. Mas o que são, exatamente, tecnologias educacionais (TEs)? “Elas vão além de uma simples metodologia, pois abordam um método, trazem um passo a passo, um exemplo de experiência e orientam como monitorar e avaliar sua implementação”, explica Sonia Dias, coordenadora da implementação municipal do Melhoria da Educação. A ideia é que, se colocadas em prática, essas TEs, que foram construídas em coautoria com municípios e territórios assessorados pelo programa, com o apoio de parceiros técnicos, promovam impacto significativo na aprendizagem e equidade da oferta educacional dos municípios. 

O objetivo é ampliar as ações de formação e qualificação do Programa Melhoria da Educação, que, somente em 2020, esteve presente em 695 secretarias municipais, beneficiando 9.078 gestores responsáveis por três milhões de estudantes. Disponibilizar no site do programa as TEs significa incentivar seu uso por todas as secretarias municipais de educação do país, de forma autônoma e com possibilidade de adaptá-las para seu contexto. “Esse material vem auxiliar municípios que passam por mudanças políticas nas prefeituras, que são mais de 60% e recebem novos secretários e secretárias de educação, muitos sem experiência prévia em gestão. E a gestão eficiente é ainda mais importante nesse difícil momento de pandemia”, ressalta Tatiana Bello, gerente de Implementação do Itaú Social.

Tatiana Bello, gerente de implementação do Itaú Social: acompanhou o redesenho do Melhoria da Educação e conta que até o final de 2021, 14 tecnologias educacionais estarão disponíveis no site do programa. Foto: Itaú Social

Instrumentos disponíveis para todos
Essa nova fase do programa Melhoria da Educação, que já conta 22 anos apoiando a gestão educacional de municípios e impulsionou a organização de regimes de colaboração em vários territórios do Brasil, foi planejada em 2018. O processo que culminou nas tecnologias educacionais foi realizado em 2019 e 2020, e envolveu parceiros especialistas como a consultoria TMC1, que acompanhou equipes das secretarias de Itapevi (SP) e Várzea Grande (MT) na temática Gestão de Pessoas e de Recursos. “Nós apresentávamos ferramentas, eles qualificavam, melhoravam, contribuíam com a proposta, o trabalho ficou bem melhor do que se fosse feito isoladamente. Todos aprendemos muito e o resultado foi um produto com lastro”, avalia Flávia Nogueira, que, assim como o sócio Binho Marques, tem experiência em gestão pública na área de educação. O ponto central da TE Gestão de Pessoas e de Recursos é uma planilha que permite análise e comparação de custos, mas, segundo Flávia, sem os textos teóricos e o exercício prático, o gestor não compreende como fazer uso dela. “É isso que torna o percurso interessante, todos os instrumentos estão interrelacionados.”

Até o final do ano, 14 tecnologias educacionais estarão acessíveis no site, cobrindo três eixos: gestão pedagógica; planejamento e gestão administrativa; participação, ações colaborativas e controle social. Os profissionais de Itapevi (SP), município da região metropolitana de São Paulo, foram coautores de seis delas, com diversos parceiros técnicos e o Itaú Social. “Foi uma felicidade transformar esse momento da secretaria efervescente de formações, em temas como acompanhamento de aprendizagens, inclusão e relações étnico-raciais”, conta a secretária de Educação, Eliana Maria da Cruz Silva. Com quase 30 mil alunos – entre educação infantil, anos iniciais do ensino fundamental e EJA – ela diz que a cidade de 241 mil habitantes tem poucos recursos em comparação a municípios vizinhos e a participação no programa fez muita diferença. “O resultado mais significativo da formação de equipes gestoras e professores é que, mais bem preparados, eles sabem enxergar as lacunas a serem preenchidas. Depois de adquirirem conhecimento para isso, os diretores logo elaboraram projetos político-pedagógicos para usá-los como instrumento de trabalho, ação decorrente do planejamento estratégico”, explica Eliana, para quem o Melhoria da Educação foi o amparo principal para a rede durante a pandemia no ano passado. 

Planejamento estratégico aponta necessidades e ações
A formação em serviço, aliando teoria e prática, sempre foi uma das diretrizes do programa Melhoria da Educação ao longo de duas décadas. “Sempre evitamos o lugar de ‘fazer por’, procuramos ‘fazer com’ as redes de educação. Isso inclui um olhar especial para a valorização do território, em que a colaboração e a troca de experiências são valores em si e trazem riqueza para o processo”, explica Tatiana Bello, que destaca o poder do trabalho sistêmico, unindo parceiros experts e as equipes apropriadas da realidade escolar, no enfrentamento a desigualdades educacionais, tão exacerbadas nesta situação de pandemia.

Em novembro de 2019, o Itaú Social reuniu em São Paulo cerca de 90 representantes de parceiros técnicos, municípios e territórios para discutir perspectivas de gestão escolar e ações do programa Melhoria da Educação. Foto: Beatriz Santomauro

Várzea Grande, segunda cidade mais populosa do Mato Grosso, também teve assessoria do programa e testou na prática as TEs Planejamento Estratégico e Gestão de Pessoas e de Recursos na sua rede, que atende 28 mil alunos. “Depois de nos envolvermos no processo, percebemos que o problema de um é de todos e passamos a enfrentá-lo juntos e ter uma visão do todo”, nota Isliene Correa, assessora jurídica da secretaria de educação e coordenadora de implementação do Melhoria da Educação em Várzea Grande. Lideranças dos departamentos da SME formaram um grupo de 29 pessoas que se dedicaram a debates e formações. O planejamento estratégico realizado pela equipe de Várzea Grande apontou gargalos, como a melhoria da infraestrutura das 85 escolas e a necessidade de informatizar a gestão da secretaria, lembra Benedita Ponce, subsecretária de educação até o final de 2020 (atual superintendente operacional do sistema escolar). Hoje, quase todas as unidades foram reformadas e a informatização terminou em janeiro de 2021. “Podemos andar sozinhos, mas temos com o Itaú Social um elo que não queremos quebrar. Ele nos mostra caminhos e faz a gente repensar nossa prática”, diz Benedita. Por esse motivo, a SME de Várzea Grande se inscreveu no Edital 2021-2024 do Melhoria da Educação e está em processo seletivo, junto a outros 58 municípios e 12 iniciativas de colaboração (veja em Saiba mais). Sonia Dias, do Itaú Social, se impressiona com o quanto as equipes das secretarias selecionadas pelo programa são dedicadas e comprometidas, e como é poderoso o fortalecimento da gestão. “Ele cria um efeito cascata, em que os dirigentes fortalecem as redes e os profissionais envolvidos. Quando uma professora diz que agora vê crianças sem aprender e que isso precisa mudar, percebemos o quanto é valioso esse investimento!”   

Fatores que fazem diferença
Segundo estudos de reformas educacionais no Brasil e no exterior feitos pelo Itaú Social, os seguintes pontos de alavancagem promovem significativo impacto na aprendizagem e equidade da oferta educacional. São eles que o programa Melhoria da Educação enfoca nas consultorias junto às secretarias de educação.

imagem pontos de alavancagem Infraestrutura

Infraestrutura básica para todas as escolas;

imagem pontos de alavancagem Proposta pedagógica

Proposta pedagógica e curricular para a rede ou sistema de ensino que dialogue com os projetos políticos-pedagógicos das escolas, explicitando as expectativas básicas de aprendizagem;

imagem pontos de alavancagem Equidade

Estratégias de promoção da equidade;

imagem pontos de alavancagem Profissionais da educação

Políticas e mecanismos de desenvolvimento, valorização e reconhecimento dos profissionais da educação;

imagem pontos de alavancagem Competências

Programas de formação continuada que desenvolvam competências e atendam aos desafios práticos dos diferentes profissionais da rede;

imagem pontos de alavancagem Diálogo e articulação

Diálogo e articulação entre diferentes secretarias (intersetorialidade);

imagem pontos de alavancagem Famílias e comunidade

Apoio às equipes escolares no fortalecimento da relação com as famílias e a comunidade;

imagem pontos de alavancagem Liderança

Mobilização e articulação de lideranças.

Fonte: site Melhoria da Educação

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