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Para formar leitores autônomos

Professora de Mato Grosso do Sul conta como a aplicação prática de um curso do Polo a ajudou na mediação de leitura com foco no público jovem


Rosângela Teixeira, que fez o curso Mediação de Leitura para Juventudes: “A gente aprende a despertar nos nossos alunos seu protagonismo, a fomentar pensamento crítico e assim podemos conduzi-los na construção de sua identidade”. Foto: Arquivo pessoal

Por Lidiane Barros, Rede Galápagos, Cuiabá (MT)
Depoimento de Rosângela Teixeira, professora de língua portuguesa e redação para o quinto e o sexto ano da Escola Franciscana Imaculada Conceição, em Dourados (MS), especialista em práticas de leitura e produção textual com ênfase em linguística — e cursista do Polo

Quantas transformações ao longo de um ano e meio! Ainda respondemos aos acontecimentos da pandemia que por tantas vezes direcionaram nossas ações. Em nova fase, na escola onde leciono, já vivemos um movimento de transição rumo à retomada das aulas presenciais. Mas, é claro, ninguém sai da pandemia do jeito que era antes, com a agravante de que muitos acumularam perdas emocionais. 

Com meu instinto de sobrevivência acionado, por muitas vezes tive que me adaptar a esse movimento contínuo de estímulos e mudanças de práticas. Precisei, por exemplo, buscar ferramentas tecnológicas que, num passado recente, eu preferia deixar ali num cantinho, para depois. Cursos de capacitação e reciclagem também são essenciais nesse percurso. Agora compartilho com vocês o relato sobre como cheguei a alguns desses cursos consultando o Polo, ambiente de formação do Itaú Social.

Como tantos colegas de profissão podem testemunhar, nunca imaginamos viver o que temos vivido desde o início da pandemia de Covid-19. Há 20 anos leciono na Escola Franciscana Imaculada Conceição em Dourados (MS), onde atualmente dou aulas de língua portuguesa e redação para o quinto e o sexto ano. Depois de ultrapassarmos o momento mais crítico da pandemia, experimentamos o sistema híbrido: parte assiste às aulas de sua casa e outra porção está presente na sala de aula. 

Para minha realidade é muito curioso que enquanto professora eu esteja presente fisicamente para os alunos que frequentam a escola e, de outro lado, adentre diariamente o lar dos que assistem às aulas remotamente. O desafio é manter todos coesos em um sistema híbrido e conduzi-los à prática da leitura nessa conexão fragmentada.

Nossa biblioteca está vazia. E o retorno aos clássicos piqueniques que realizamos para sair um pouco das quatro paredes permanece distante da nossa realidade. 

Temos uma sala de conto toda organizada e um acervo riquíssimo na biblioteca da escola, mas por enquanto não podemos fazer uso desses ambientes por causa das restrições de manuseio dos livros. Normalmente, mesmo com todo o aparato, já é preciso muito engajamento na formação de leitores, daí as atividades extraclasse e as rodas de leitura compartilhadas serem mais um mecanismo para conquistá-los. 

É aí que entra estrategicamente a leitura dirigida. Pensei que seria necessário buscar mais conhecimentos para desenvolver essa iniciativa. Foi então que me lembrei de que o Itaú Social há muito tempo se dedica à formação de leitores com o programa Leia para uma Criança. Volta e meia eu me cadastrava para receber o kit com os livros. Fui para o site buscando outras iniciativas relacionadas e me deparei com a diversidade de cursos do Polo. Eis que lá estava exatamente o que eu procurava. Fiz a inscrição no curso Mediação de Leitura para Juventudes. Aprendi então como aplicar a mediação da leitura valorizando suas múltiplas formas com foco no público jovem.  

O conteúdo do curso é muito atrativo. A gente aprende a despertar nos nossos alunos seu protagonismo, a fomentar pensamento crítico e assim podemos conduzi-los na construção de sua identidade. Também recebemos dicas de plataformas de leitura e somos apresentados a iniciativas e experiências que podem nos inspirar em nosso dia a dia. A biblioteca para jovens foi outro tópico abordado. Eu, particularmente, considero imprescindível o acesso a bibliotecas. Elas são um dos mais importantes pontos de ingresso quando se fala em democratização do acesso à educação, cultura e formação e fidelização de leitores.  

Em sala de aula, tento sempre ampliar os horizontes dos meus alunos, abrindo um leque de possibilidades para que eles conheçam gêneros e estilos de narrativas diversos. O último que adotamos é de ficção, recheado de enigmas: Os criminosos vieram para o chá, da Stella Carr. Acredito que, ao descortinar esse universo de possibilidades infinitas da leitura, vou fisgar os leitores de acordo com o conteúdo com que mais se identificam, a partir das histórias que mais os encantam. 

Tive ainda mais certeza de que, nesse processo de incentivo à leitura, o mediador é figura essencial para que o sujeito consiga cumprir todas as etapas. É preciso estar engajado na missão de facilitar a formação de um indivíduo leitor, interessado e crítico. 

Como também aprendi no curso, motivação é fundamental. Não adianta falar “Tome este remédio”. Você tem de explicar como funciona e quais seus efeitos. O aluno precisa saber da importância e do que pode conquistar com aquela experiência, pois o conhecimento só é absorvido quando há envolvimento. 

É por isso que sou incansável na busca de estratégias para conduzi-los nesse processo. É preciso fazer com que sejam estimulados a explorar esse universo lúdico, que só pode ser vivenciado a partir da prática da leitura. Minha tarefa é fazer com que essa relação seja a mais descomplicada possível. Os professores precisam ser a ponte. Com o curso ressignifiquei algumas práticas. Primeiro a gente tem que apresentar diversos gêneros. O potencial leitor já se sente atraído pela liberdade de escolha. Depois, você mostra quanto a leitura traz benefícios para sua vida e que através dela é possível desenvolver habilidades, como, no mínimo, melhorar o raciocínio. E que a compreensão e a leitura do mundo são um caminho para o exercício pleno da cidadania.

Procuro enfatizar que “não leio para o outro, leio para mim”. Que estou abrindo janelas culturais e emocionais que eu, como sujeito, vou ter sempre à mão para aplicar conforme as minhas necessidades. Esse processo precisa ser dinâmico; por isso mesmo, de acordo com o gênero que estamos estudando, eu procuro diversificar. Recentemente, quando estudávamos o gênero jornalismo, interagimos on-line com a mãe de um aluno, que é jornalista de uma TV local, e invertemos os papéis. Eu disse: “Agora a entrevistada é você”. Foi muito divertido e todos se envolveram. 

Meus esforços são voltados à formação de leitores autônomos, que sentem prazer em ler, que veem nessa prática uma maneira de compreender melhor o mundo em que estão inseridos. Precisamos reforçar a todo momento que a leitura não é um produto escolar. 

Aprendi que, nas coisas em que tocamos, deixamos nossas impressões digitais. Nas pessoas que conhecemos deixamos as impressões pessoais. Por isso, o trabalho de leitura é envolvente. Todo tutor deixa em cada indivíduo sua impressão pessoal. Isso me motiva!

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