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Polo de desenvolvimento educacional

O segredo é avaliar

“Acompanhamos as transformações sociais no dia-a-dia de nossos alunos e suas famílias”, afirma Vânia Farias, gerente de projeto do Instituto Ballet de Santa Teresa, que oferece formações como ballet clássico, dança espanhola, canto coral e reforço educacional para crianças e adolescentes entre 3 e 18 anos, que vivem em áreas de risco social no bairro carioca de Santa Teresa. Declarações assim são comuns entre organizações não-governamentais (ONG) espalhadas pelo País. Elas, geralmente, monitoram os próprios projetos, mas raramente fazem avaliação sobre os resultados obtidos.

Segundo a diretora da Fundação Itaú Social, Ana Beatriz Patrício, avaliar projetos sociais é essencial para que os realizadores e a sociedade conheçam o real impacto das ações. “Isso possibilita medir a eficiência e identificar as fragilidades, o que ajuda na tomada de decisões. É uma prática que dá transparência e aprimora a gestão dos recursos, estimulando a ampliação dos investimentos na área social”, afirma.

Pensando em disseminar a cultura de avaliação econômica de projetos sociais, o Banco Itaú, por meio da Fundação Itaú Social, criou o curso homônimo. Ele foi desenvolvido em parceria com a área de Controles de Riscos e Financeiro do Banco Itaú, sob orientação de Sérgio Ribeiro da Costa Werlang, vice-presidente da instituição, e de Naercio Menezes Filho, consultor da Fundação Itaú Social e professor do IBMEC-SP e da Universidade de São Paulo. “Além de compartilhar um importante instrumento com a sociedade, o objetivo é subsidiar a gestão e o aprimoramento de projetos, otimizar a alocação dos recursos e propiciar a prestação de contas a financiadores, participantes e sociedade em geral”, explica Ana Beatriz.

Benefícios palpáveis

Os profissionais do Instituto Ballet de Santa Teresa sempre monitoraram os resultados do trabalho por meio de questionários encaminhados a pais e professores das crianças e dos jovens atendidos pela organização. “As respostas nos posicionavam sobre a evolução do público envolvido”, conta Vânia. A gerente da ONG decidiu fazer durante o curso a avaliação econômica do projeto Complementação e Embasamento Cultural, que oferece aulas de inglês, expressão teatral, reforço escolar e artes plásticas. “Com isso, foi possível perceber aumento no nível de escolaridade e renda dos pais matriculados no curso noturno oferecido pelo Instituto e, como consequência, melhor aproveitamento escolar de seus filhos.”

O curso oferecido pela Fundação Itaú Social introduz conceitos de avaliação de impacto e de cálculo do retorno econômico, que tem por objetivo responder à pergunta: o que teria ocorrido aos beneficiários caso eles não tivessem participado do projeto? Para responder a ela, é necessário um grupo de comparação. No caso do Instituto, o grupo de controle foi formado por alunos da mesma escola que não participam do trabalho. “Com a comparação entre o grupo de controle e o de tratamento (jovens atendidos pelo projeto), conseguimos perceber que os benefícios são maiores do que imaginávamos”, narra a gerente. “Nossas crianças que antes não conseguiam ler e escrever estão muito acima da média escolar em relação a outras que não são atendidas pelo Ballet.”

Para a ONG Parceiros Voluntários, de Porto Alegre, que participou do curso na capital gaúcha, o desafio foi reunir as informações necessárias sobre o público-alvo para realizar a avaliação. O projeto escolhido para participar foi Tribos nas Trilhas da Cidadania, que se concentra na ação de jovens voluntários que escolhem uma linha de atuação (meio ambiente, cultura ou educação para a paz) e fazem ações voluntárias na comunidade. “Aprendi a cadastrar informações porque não é possível medir impacto sem elas”, afirma Maria Inês Andreotti Pereira, gerente da organização.

Maria Inês pretende dar mais visibilidade ao trabalho da Parceiros Voluntários revelando os resultados para os parceiros e a comunidade. A intenção também é estender o aprendizado para outros projetos. “Só assim será possível definir claramente o que o público-alvo ganha com as ações sociais”, afirma Maria Inês.