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O poder da multiplicação

Parece pouco uma pessoa doando um quilo de alimento, mas várias doações transformam a vida de famílias inteiras


Marcha para o oeste: grupo de voluntários do litoral de Santa Catarina inspira iniciativa em Chapecó. Foto: Arquivo pessoal

Depoimento de Aroldo Timm Neto, Gerente geral comercial, Chapecó (SC)
Por Luís Gustavo Rocha, Rede Galápagos, Goiânia

Quando fui transferido do litoral de Santa Catarina para trabalhar em Chapecó, eu levei na mudança a vontade de continuar fazendo voluntariado a 536 quilômetros. Meu nome é Aroldo Timm Neto, tenho 32 anos e comecei como voluntário convidado, em 2017. Agora, quem convidou os colegas fui eu, depois de procurar o Itaú Social para propor outro comitê para fazer projetos de inclusão, de desenvolvimento humano e de educação – o Mobiliza Oeste SC. A riqueza cultural da região é pouco explorada e com esse trabalho é possível envolver a comunidade local. A gente se une e consegue fazer as coisas acontecerem. Pode aparentar ser pouco uma pessoa doando um quilo de alimento, mas várias doações transformam a vida de famílias inteiras.

Ainda no Mobiliza Litoral SC, percebi que faltava algo para trazer mais voluntários. A gente fez um perfil no Instagram e todas as ações eram postadas em stories e feed. Já na primeira ação global, em 2018, conseguimos reunir mais de 100 colegas para fazer um trabalho social no Cantinho da Alegria, uma organização da sociedade civil (OSC) em que uma mãe, sem cobrar nada, cuida de crianças. A gente fez uma ação, entre sábado e domingo, e conseguimos transformar o lugar, tanto na parte de alimentação quanto de estrutura, cozinha, quartos onde as crianças ficavam, biblioteca, sala de estudos, sala de jogos, canteiro, lavanderia…

Foram vários grandes resultados. As redes sociais deram engajamento. Na campanha do agasalho de 2020, nós conseguimos arrecadar, em dois meses, 249 quilos de roupa. Ano passado foram 100 quilos de cobertores. Tudo isso doado através de WhatsApp, Instagram e no boca a boca. Nós escolhemos uma localidade e conseguimos em uma igreja uma lista de 500 famílias que necessitavam de alimentação porque passaram necessidade por causa da Covid-19. Montamos um projeto e arrecadamos verba com empresas privadas e o próprio banco para doar cestas básicas em maio. Depois doamos mais, chegando a quase 900 cestas entregues. Além disso, a gente conseguiu desconto com comerciantes para compra de luva, máscara, álcool em gel e criamos um cheque social. A família podia ir à mercearia do seu bairro, à farmácia, à padaria, e adquirir um valor, entre 80 e 90 reais, com que se podia usar dentro do bairro para estimular o comércio local.

Estamos ajudando uma criança de oito meses com AME (atrofia muscular espinhal) a arrecadar fundos. Entramos como apoio em uma transmissão on-line e conseguimos juntar várias empresas e voluntários, e então atingimos a marca de 52 mil reais em doações.

Clássicos infantis: Aroldo Timm doa tempo, voz e carisma na leitura para crianças. Foto: Arquivo pessoal

Tinha um planejamento definido em janeiro, mas a Covid-19 nos bloqueou em algumas atividades, de estar, de abraçar, olhando no olho dos jovens, das crianças, dos idosos. Fizemos um novo planejamento para não parar e chegamos às cestas, à mediação de leitura online e ao contato via WhatsApp. Depois do fim da pandemia, eu acho que o voluntariado vai ficar mais forte e nós vamos ser outro país. Quando tudo isso passar, vai caber muito mais amor no mundo.

Para saber mais: